Era do multidispositivo amplia desafio da TI

Desde o lançamento do iPhone e, depois, com a chegada do iPad, o mundo corporativo assiste a uma invasão de dispositivos antes tido como de usuários finais. A busca por ferramentas de uso mais simples e mais próximas aos equipamentos caseiros sempre inspirou funcionários, processo que se acelerou com a popularização dos dispositivos móveis, assim, as companhias precisaram correr para dar um jeito, seja proibindo ou incentivando. Essa avalanche de aparelhos, especialmente a de tablets, trouxe ainda a discussão sobre a era pós-PC. A questão é que, de forma geral, acreditam executivos da indústria, o que acontecerá nos próximos anos é uma convivência de diversos dispositivos e, aos gestores de TI, caberá a missão de lidar com essa realidade da melhor forma possível.
?Minha concepção não é de era pós-PC, mas de era do multidispositivo. As coisas caminham juntas, são experiências complementares?, afirmou o atual CEO da VMware e futuro chefe de estratégia da EMC Paul Maritz, ao participar de um painel de CEOs discutindo tendências futuras da tecnologia. Quem partilhou de opinião similar ? e dificilmente seria diferente ? foi Michael Dell, CEO e fundador da Dell. ?Acho que esta será a última década de adoção de virtualização de servidor ou de uma aplicação, isso caminha para algo completo, atingindo uma virtualização da corporação para entrega em qualquer lugar e a qualquer momento. A era do pos-PC será também do PC?, comentou, lembrando que, em 2011, milhões de laptops foram comercializados em todo o mundo.
O que se observa, na verdade, é uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que as companhias passam por um processo de consumerização, e isso não atinge apenas o ambiente tecnológico, ainda que ele seja o principal expoente, mas, sim, toda a conduta comportamental dos funcionários, em especial, os das gerações mais novas, como também o que os estrangeiros chamam de ITficação dos consumidores, ou, abrasileirando a situação, um movimento onde as pessoas, cada vez mais, adquirem produtos antes necessários apenas ao ambiente corporativo.
Como resolver?
?E essa situação traz para a TI o custo da complexidade e é preciso gerenciar tudo?, comentou o CTO da VMware, Steve Herrod, em apresentação das novidades da companhia para gerenciar essa onda trazida pelos usuários. ?É uma era do multidispositivo, até porque, o PC sobreviverá por muito tempo. Estamos num trabalho contínuo de melhoria da experiência do usuário?, frisou.
O que na teoria parece muito bonito, na prática, tem se traduzido em desafios tremendos para os CIOs. Aqueles que liberam o acesso temem pela integridade dos dados e perdem muito em gerenciamento ? tanto de dispositivo, quanto de aplicações ? e, os que proíbem, sofrem com usuários que acessam informações por meio de suas redes 3G ou mesmo usam contas de email pessoais para transitar informações corporativas.
A proposta da VMware e que muitas fornecedoras investem para integrar é transformar o ambiente atual em algo onde as pessoas possam viver de forma integrada com seus aparelhos. Converter o legado em serviço. ?A questão é como ajudar a TI em meio a essa transformação. Oferecemos uma forma de gerir tudo de maneira centralizada. E eles conseguem, com isso, manter o controle dos custos e também a segurança do que é crítico?, afirmou Herrod.
Esta ajuda a que se refere Herrod é o Horizon Suite, uma plataforma apresentada durante o VMworld voltada para mobilização da força de trabalho, mas de maneira completa, inteligente e gerenciada. A abordagem é muito parecida com o vCloud Suite, que congrega diversas soluções para facilitar a ida de uma companhia à nuvem. No caso do Horizon Suite, estão contempladas tecnologias como: Porject Octopus, Project AppBlast, ThinApp, VMware Horizon Application Manager e VMware Horizon Mobile. Todas elas trabalhando de forma integrada, permitindo uma gestão centralizada do ambiente desktop, dos dados e aplicativos necessários. Tudo é compilado e distribuído para o dispositivo que o usuário estiver acessando.
Em uma das simulações, o CTO demonstrou como era feita a disponibilização de aplicações em um iPhone. No caso, era o CRM da Salesforce. A partir do gerenciador, o download é feito, de maneira muito similar ao que acontece via AppStore, mas o que o usuário tem é apenas uma imagem gerada pelos servidores centrais, de forma que nenhuma informação pode ser copiada para softwares que não estejam dentro do escopo gerido pela TI. Ao tentar copiar algo para o EverNote, por exemplo, o funcionário receberá uma mensagem com o aviso de proibição.
Desta forma, não importa o aparelho e seu sistema operacional (iOS, Windows, Android e Mac OS), o usuário consegue conviver com o ambiente pessoal e profissional no mesmo aparelho e de maneira muito transparente. O foco está na aplicação e nos dados e não no hardware como muitos gestores fazem atualmente. ?E para TI temos diferentes ferramentas. A gestão integrada e centralizada é essencial, seguindo todas as políticas da companhia.?
*O jornalista viajou a San Francisco a convite da VMware
