A aceleração do tempo e a construção de redes digitais

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6:30 pm - 22 de agosto de 2012

A sociedade vive hoje um processo de globalização, onde o conjunto do planeta tende a uma unificação em torno de um só tempo. Trata-se da unificação clara do mundo sobre a forma de redes, consideradas elementos novos e fundamentais. É com essa visão que o historiador e professor da UFRJ Francisco Carlos Teixeira da Silva abre o IT Fórum+ 2012, que acontece na Praia do Forte (BA), entre os dias 22 e 25 de agosto.

Com a ideia de que o tempo não é sempre igual, Teixeira leva aos cerca de 50 CIOs presentes no encontro a necessidade das empresas voltarem sua atenção para este imenso campo de atividades não-pautadas. ?A questão central é perceber onde e em que momento o tempo se acelerou e como a sociedade está dentro desse tempo. O muro [de Berlim] caiu e, agora, o mundo pode novamente se encontrar. Pra nós essa construção de redes vem exatamente do momento em que esses muros desabam e há uma nova capacidade de circulação que é permitida largamente por uma nova tecnologia, a tecnologia do digital. Ela é o elemento que permite essa unificação planetária em termo de redes?, diz.

Neste contexto, as tecnologias não trazem problemas, mas sim as soluções que os homens buscam, de acordo com o historiador. ?O uso da tecnologia é que é o problema, porque cada um usa a tecnologia de forma diferenciada.?

Para Teixeira, a construção das redes digitais conseguiu realizar dobras espaciais e, consequentemente, aumentar a capacidade do espaço ao permitir que o mundo fique cada vez menor para as pessoas circularem, seja na nuvem ou não.

Novo negócio

Essa articulação possui também suportes materiais que representam não só a possibilidade de vencer espaço, unificar pessoas, mas representa um imenso novo território de negócios e possibilidades que se expandem nesse momento. ?Essa tecnologia precisa daquilo que chamamos de nós de rede, que são pontos de sustentação. Esses nós somos todos nós. Uma rede é cada vez mais valorosa conforme os nós ali existentes?, considera.

De acordo com o historiador, um nó de rede valoroso no Brasil é a Petrobras. Para ele, todas as empresas devem ser nós nas redes digitais, caso contrário estarão fora do processo de encurtamento de dobra de espaço. ?Em um mundo em redes ou você está presente em um desses nós ou simplesmente não tem relevância para essas redes?, reforça. ?Não estar nelas representa não estar em lugar algum.?

A rede ganha vida com os chamados fluxos, sendo cinco deles dominantes: financeiro; indústria de armamento; fármacos; esporte, lazer e entretenimento; e drogas. A existência desses fluxos fornece às redes uma relevância fundamental, conforme explica Teixeira.

?Claro que o último deles não é contábil, mas é um fluxo dominante. As pessoas entram na rede, porque buscam entender ou conhecer alguma coisa.?

Ruptura do processo

A revolução industrial é a ruptura desse processo, da sociedade de um tempo natural, de um tempo quase que imóvel, que passa para um tempo acelerado.

Ao som de Passarinho do Relógio, de Haroldo Lobo, e Brasil Pandeiro, de Assis Valente, Teixeira tenta retratar a realidade brasileira. ?Alguma coisa está diferente: chega de atraso, chega de pobreza, chega de miséria. Essa proposta é a consciência de um país expressa por um cidadão popular, que diz que temos um papel?, diz.

Para o historiador, o problema é fazer as pessoas entenderem que não existem condições para perder outros dez anos. ?O caminho é crescermos todos juntos. As empresas do futuro são aquelas que pensam a juventude, alimentação, saúde, muito além da tecnologia?, conclui.

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