Não se iluda, a Transformação Digital começa no back-end

Investimentos no back-end são críticos para o sucesso e compensam a longo prazo

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7:20 am - 08 de maio de 2018

A Transformação Digital é certamente o desafio do
século para o setor financeiro. No entanto, alguns tomadores de decisão
não perceberam que a digitalização deve, em primeiro lugar, começar no
back-end. E essa é precisamente a fonte do problema.

Enquanto o front-end deslumbra com aplicativos modernos e chamativos,
o back-end é geralmente negligenciado e sobrecarregado. Bancos e
provedores de serviços de pagamento precisam adequar as suas empresas ao
futuro, mas se deparam com as capacidades limitadas de desempenho de
seus sistemas de TI, bem como com a pressão para conter custos.

Soma-se a isso a pressão para implementar requisitos e demandas
regulatórias obrigatórias. Ao mesmo tempo, os bancos precisam garantir
flexibilidade, escalabilidade e um time-to-market mais rápido para os
novos produtos financeiros. Como resultado do forte aumento das
transações por canais digitais, que estão gerando poucos negócios
adicionais até agora, os problemas se intensificam continuamente. Como
os bancos podem capitalizar as funcionalidades existentes? A resposta é
simples e ao mesmo tempo complexa: a chave é modernizar os aplicativos
principais no back-end.

O sistema de core banking é a espinha dorsal da TI bancária. No
entanto, em muitas instituições financeiras é tão desatualizado que
ameaça atrapalhar os processos de negócios. Em alguns casos, o back-end
bancário foi implementado antes do início da era da Internet e é
caracterizado por uma arquitetura que é tanto complexa quanto opaca,
permitindo dificilmente quaisquer efeitos de sinergia. Inclusive, em
muitas situações nem é aconselhável mudar para um sistema de core
banking completamente novo, devido aos altíssimos custos, tempo de
conversão muito longo e grande potencial de risco.

Ao modernizar os principais aplicativos no back-end, os aplicativos
conectados ao front-end podem ser otimizados gradualmente e de maneira
direcionada – e de forma sustentável também. Essa abordagem estabelece o
acesso a processos digitais de ponta a ponta com a jornada do cliente e
sem grandes brechas. Além disso, novos produtos e serviços baseados em
tecnologias inovadoras, como inteligência artificial ou blockchain,
podem ser integrados adequadamente.

Exemplo prático
Na prática, existem inúmeras abordagens, como o gerenciamento de
identificação. Os principais aplicativos dos bancos geralmente usam
identificadores diferentes para acessar os mesmos dados do cliente no
sistema. Isso cria um alto nível de complexidade e redundância. Para
evitar isso, é necessária uma chave primária central para cada cliente
consistente em todos os sistemas, para que o consumidor tenha sempre o
mesmo número de identificação (ID).

O segmento financeiro tende, contudo, a optar por soluções de
transição ou bypass para incluir mais e mais funcionalidades ou
aplicativos adicionais o mais rápido possível. Como resultado, isso
aumenta a quantidade de patchwork (‘retalhos’) no back-end e agrava o
problema. Ou seja, sem modernização, os sistemas de TI em breve estarão
sobrecarregados, comparáveis a museus de tecnologia. O objetivo do ponto
de vista de TI, contudo, é tornar os sistemas adequados para o futuro –
sempre com a busca por minimizar custos e riscos.

backend

Investimentos no back-end compensam
O que se nota atualmente é que os grandes bancos estão postergando as
suas renovações de seus sistemas de core bancário. Como eles têm uma
enorme capacidade de investimento, optam pelo desenvolvimento de novas
camadas de arquitetura para minimizar os problemas do back-end e
viabilizar a transformação digital. O resultado disso é a criação de
grandes camadas de integração, muitas vezes gerando uma sobreposição de
camada sobre camada, fazendo com que os sistemas legados estejam cada
vez mais distantes do front-end. Quanto mais profundo é este caminho a
percorrer entre as duas pontas, mais tecnologia e capacidade de
processamento são requeridos.

Por outro lado, os bancos menores têm aproveitado as necessidades da
transformação digital para promover esta renovação ou, pelo menos
ajustes, mais profundos do ponto de vista arquitetural. Certamente a
menor complexidade destes sistemas permitem às essas instituições
implementar tais iniciativas, com custo, risco e prazos menores que os
grandes do mercado.

Por enquanto é possível conviver com estas camadas de integração
entre o front e o back, mas é difícil precisar até quando soluções
temporárias darão conta do recado, uma vez que as tecnologias digitais
estão evoluindo e o volume de negócios e transações inevitavelmente
migrarão para os canais digitais.

Aplicativos inovadores no front-end devem, primeiramente, fazer uma
coisa: surpreender o cliente. Eles terão, no entanto, pouco efeito se o
back-end não for modernizado ao mesmo tempo. Somente aqueles que
investiram em ambas as áreas no longo prazo sairão da transformação
digital como vencedores. Caso contrário, os complexos problemas de TI
que as instituições financeiras enfrentam só irão piorar. Os bancos já
têm excelentes aplicativos, mas o objetivo de trabalhar o Core
Application Renewal é fazer com que eles, assim como o back-end, sejam
bem-sucedidos na próxima década.

 

(*) Carlos Kazuo Missao é diretor de Desenvolvimento de Negócios na GFT Brasil

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