Drones começam a entregar o futuro na porta da sua casa

No início de janeiro a Boeing apresentou um drone gigante que pode carregar cargas de até 230kg, um marco importante que pode influenciar principalmente os e-commerces e empresas de logística

Author Photo
7:32 am - 26 de janeiro de 2018

Inteligência Artificial, carros autônomos e drones fazendo entregas. Poderia ser o
cenário de mais uma ficção científica hollywoodiana, mas são tecnologias
que já se encontram à nossa disposição e, no caso dos
drones, mais acessíveis do que supomos.

Desenvolvidos na década
de 1960, somente nos últimos anos os drones se popularizaram.
Inicialmente usados para atividades de entretenimento, hoje são
ferramentas essenciais em diversas atividades comerciais e ganham mais
espaço a cada dia.

As possibilidades de uso dos drones foram
ampliadas quando, em 2013, a Amazon deu início ao projeto Prime Air, que
utiliza drones para entrega. Os testes realizados são tão promissores,
que a empresa já patenteou parte desse sistema e também o de
abastecimento, popularmente chamado de colmeias, e que consistem em uma
torre cilíndrica onde os dispositivos voadores são abastecidos e saem
para realizar o transporte dos pacotes. Para Jeff Bezos, CEO da gigante
norte-americana, em um futuro próximo será “tão comum ver drones do
Prime Air no céu como ver caminhões dos correios nas ruas”.

Esse sucesso é seguido de perto por outras
líderes do mercado de logística como UPS e DHL. O que se tem observado,
até o momento, é que as entregas por drones são mais viáveis do que
muitos possam imaginar.

Vantagens e limitações
No Brasil, umas das principais barreiras
para o setor é a relação de população x área habitada, uma vez que temos
um país de extensões continentais, mas cuja densidade demográfica ainda
é muito concentrada. Se em São Paulo, por exemplo, é possível encher um
caminhão com pedidos e entregar praticamente de porta em porta, no
interior o mesmo caminhão dirige 25 km para fazer uma única entrega.

Os drones chegam para atender a demanda
dessas regiões em menor tempo e com um custo mais baixo. Nos testes já
realizados, os consumidores receberam seus pedidos em até 30 minutos.
Além disso, cada drone é capaz de realizar 30 entregas por dia a um
custo de US$ 1 a US$ 3 dólares, enquanto as entregas para regiões
suburbanas, via FEDEX, por exemplo, variam de US$ 10 a US$ 15.

Para o e-commerce, isso abre a
possibilidade de reduzir e até eliminar um de seus maiores fatores de
desistência de compra: o valor do frete de regiões suburbanas.

Compras de ticket médio baixo, acabam tendo
um frete quase igual – quando não superior – ao dos produtos maiores, o que
muitas vezes faz com que o cliente deixe de comprar. Com a possibilidade
de atender as entregas nessas regiões a um custo mais baixo, as lojas
ganham mais força para suas vendas.

Outra novidade para o setor seria a
entrega para pessoas, não apenas endereços. O DelivAir, desenvolvido
pela Cambridge Consultants, utiliza a localização via GPS dos celulares
para entregar onde o cliente estiver.

No entanto, ainda existem limitações. A
regulamentação do uso desses equipamentos somente foi registrada pela
Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) em maio deste ano. Essa demora
resulta, entre outras coisas, no atraso da definição de rotas de voos.
Cidades como São Paulo, que contam com uma excelente infraestrutura para
receber os drones devido ao grande número de helipontos, ainda não
podem operar com esse sistema por não terem suas rotas oficializadas.
Por outro lado, no interior não existe limitação. Os drones já possuem
inúmeras tecnologias para evitar obstáculos e desenvolver suas rotas com
autonomia.

Se pensarmos que o melhor lugar para operar
com esse sistema de entrega é dessas regiões de subúrbio e cinturões
próximos às cidades, ao instalar um galpão em uma área estratégica, com
múltiplas cidades ao redor, é atender um raio de aproximadamente 12 km,
que é a autonomia atual dos drones. Essa distância ainda pode ser
estendida em breve, já que existem testes, com um híbrido de drone com
dirigível que aumentaria a distância significativamente.

Outra preocupação é quanto ao peso das
entregas, já que cada equipamento pode levar cerca de 2,5 kg apenas.
Porém, vale lembrar que na Amazon, 8 em cada 10 pedidos da empresa são
exatamente dentro desse peso. Esse sistema não atenderia somente pedidos
maiores e de grande volume, como atacadistas, por exemplo.

drone

Qual o impacto disso para o setor?
Crescimento.

Assim como e-commerce nunca vai substituir a
loja física, nem todos os pedidos serão entregues por drones. Eles
serão mais uma opção, que as empresas precisarão adotar para
complementar seus serviços e aproveitar essa nova fatia do mercado –
especialmente no Brasil, onde o transporte tem alto custo.

Na prática

Não é apenas o setor de entregas e,
consequentemente o de e-commerce, que se beneficiam com implementação do
uso dos drones. Órgãos como o Unicef têm realizado a entrega de bolsas
de sangue, amostras, medicamentos e até vacinas em áreas de difícil
acesso na África, como Ruanda, por meio de drones.

Na Suíça, hospitais também já desenvolvem o
mesmo sistema para transporte de materiais urgentes, como bolsas de
sangue. E se você pensa que os drones são uma realidade apenas fora do
Brasil, está enganado. Uma rede de padarias expressas já está realizando
testes com a entrega de pães no estado de São Paulo.

Os drones chegaram para ficar e da próxima
vez que você ouvir de uma tecnologia nova, fique atento, ela pode estar
em suas mãos mais cedo do que você espera.

 

(*) Kai Schoppen é fundador e CEO da Infracommerce

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.