Operadoras se ajustam à seleção de DDD e DDI

Operadoras investem na atualização dos sistemas de tarifação para se ajustar ao código de seleção na telefonia celular e <br />lançam campanhas promocionais em busca da preferência dos usuários.

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1:11 pm - 10 de novembro de 2003

André Borges*


Passados três meses da implantação do Código de Seleção de Prestadora (CSP) na telefonia celular, que permite ao usuário escolher a operadora que vai completar suas chamadas nas ligações interurbanas (DDD) ou internacionais (DDI), ainda há muitas
dúvidas em relação ao seu uso.


Não é por acaso que, no desembarque dos principais aeroportos de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, a Embratel tem distribuído panfletos explicativos, com o propósito de ensinar os apassageiros com celulares a utilizar o serviço e, claro,
já deixar registrado o código dela em seus aparelhos. A estratégia da operadora para fisgar o usuário vem em forma de brinde: além de ganhar um chaveiro, ele é convidado a inserir um programa no celular que registra o código 21 na frente de todos números de telefones constantes em sua agenda. Assim, quando ele quiser ligar para um aparelho fora de sua cidade de origem, o código da Embratel é automaticamente acionado, o que elimina também a necessidade de discagem manual dos números.


Mas não são apenas iniciativas de marketing, em decorrência da inclusão de mais dois dígitos nas chamadas interurbanas pelo celular, que estão absorvendo os investimentos das operadoras. A nova regra estabelecida pela Anatel inaugura também uma outra etapa na guerra de tarifas entre elas, o que tem levado a buscarem a atualização ou até mesmo a mudança de suas plataformas de tarifação (billing), já que o Serviço Móvel Pessoal (SMP) passa a integrar o faturamento das chamadas por diferentes companhias.


Até mesmo a Telemig Celular, que ainda não migrou para o SMP e portanto não pode oferecer o código de seleção a seus usuários, já iniciou a atualização de seu sistema de billing como forma de se preparar para ingressar no novo serviço. A empresa investiu cerca de R$ 10 milhões para ajustar sua plataforma de tarifação, adquirida da SchumblergerSema.


Desde o fim do ano passado no SMP, a Claro, companhia de celular do grupo Telecom Américas que reúne as operadoras ATL, Americel, Claro Digital, Tess, BCP Nordeste e BCP São Paulo, segue o mesmo caminho. A operadora desembolsou R$ 100 milhões para adequar a infra-estrutura de suas seis empresas de telefonia móvel ao novo modelo de discagem de longa distância. O presidente do grupo, Carlos Henrique Moreira, diz que apenas a Tess, que opera no interior de São Paulo, e a ATL, no Rio de Janeiro, consumiram R$ 20 milhões para adaptar o sistema de tarifação de pré-pagos ao novo modelo. Além disso, a companhia
teve de migrar seu banco de dados para outro site, de modo que pudesse fazer a implementação da nova plataforma de billing, adquirida da Lightbridge.


A Sercomtel, operadora que atua na região Sul do país, também teve de adaptar sua plataforma de billing para atender às solicitações do código de seleção. Ao contrário das demais companhias, porém, ela decidiu proceder os ajustes utilizando mão-de-obra própria. O diretor de engenharia e operações da Sercomtel, Flávio Borsato, diz que não foi preciso adquirir tecnologia para se adequar ao novo sistema. “Conseguimos resolver a questão com nosso pessoal. Possuímos uma equipe interna
de desenvolvedores com conhecimento suficiente para fazer as adaptações necessárias em nossa solução de billing (Open).
Borsato calcula que a operadora tenha investido algo em torno de R$ 500 mil para ajustar a plataforma ao CSP. “Ainda são poucas empresas que possuem soluções de co-billing, uma vez que estas envolvem questões tributárias e uma série de procedimentos”, observa ele.


Liberdade de escolha


Atualmente, as ligações interurbanas via celular correspondem a 15% do tráfego nacional de telefonia móvel. De acordo com cálculos da consultoria Bozz Allen & Hamilton, a livre escolha do código de operadora coloca em disputa R$ 9 bilhões no mercado, tomando-se como base um universo de 29 milhões de usuários do SMP, entre as 38 milhões de pessoas que utilizam serviços de telefonia móvel no país.


Mas antes de conquistar clientes para usar seus códigos, as operadoras de telefonia precisam se alinhar às exigências da Anatel e estar prontas para atender à demanda de chamadas. Até então, somente a Oi e a TIM, as primeiras a ingressar no SMP, liberavam a escolha do provedor para seus usuários. Nas demais, a definição era feita pelas próprias companhias, por meio de acordos com outras operadoras.


Outro aspecto interesse do código de seleção é que, além de gerar receitas expressivas para as empresas de celular e as teles fixas, a sua implantação deve reaquecer as vendas para os fornecedores de sistemas de tarifação, que nos últimos dois anos viram a quantidade de pedidos despencar. A Amdocs, fornecedora de soluções de CRM, billing, sistemas de order management e serviços de outsourcing para as principais operadoras do país, já começa a sentir os efeitos favoráveis decorrentes da adoção do CSP. “As operadoras terão de fazer alterações em switches para oferecerem os serviços”, comenta Samir Milagre, diretor de
vendas da empresa.


De acordo com o executivo, a maior parte dos investimentos das operadoras deve se concentrar em soluções de tarifação e faturamento de ligações. “As alterações do código de seleção na telefonia celular já eram discutidas com nossos clientes há cerca de dois anos”, comenta Milagre, mencionando que já fornece ferramentas para a Claro e Global Telecom.


O gerente de projetos da Amdocs, Marco Medeiros, vê o momento como de boas oportunidades. O executivo diz que já está conversando com outras operadoras para oferecer seus serviços. “Os aplicativos sofrerão alteração, pois serão estabelecidas novas regras de negócios”, comenta. Ele lembra que as questões relacionadas à cobrança dos serviços ainda não estão muito claras, principalmente quando não se trata de tráfego de voz. “Existem dificuldades para o estabelecimento das regras. Hoje, a tarifação dos serviços de voz já está bem resolvida, mas a tendência é ficar mais complexa porque os celulares transmitem também conteúdo multimídia”, ressalta Medeiros.


Para os usuários de celulares as perspectivas também são promissoras. Embora ainda seja cedo para saber do código de seleção se traduzirá em redução no preço das tarifas, já que a implantação é bastante recente – ocorreu em julho passado –, a Anatel projeta que o valor cobrado nas ligações móveis de longa distância podem cair em até 25%.


O analista de wireless da IDC, Ricardo Costa, observa que as operadoras que atuam no serviço móvel e fixo já estão fazendo campanhas casadas para atrair o usuário. “Hoje, a Vivo dá descontos para quem utiliza o código 15 em suas ligações. A Oi, da Telemar, também está com promoções semelhantes para quem usa o 31”, comenta ele. Costa acredita que, em breve, as pessoas passarão a receber suas tarifas em uma única conta telefônica, reunindo informações do aparelho celular e do telefone fixo. “Isso ainda não está acontecendo por um problema de bilhetagem, mas não deve demorar muito.” O analista diz que ainda é cedo para avaliar os resultados do CSP, visto que o Brasil é o primeiro país no mundo a implementar esse tipo de serviço na telefonia móvel. Mas ele acredita que os usuários serão beneficiados.


Atualmente, o principal desafio das operadoras de celular é reter seus clientes. Assim, novos planos tarifários e serviços devem surgir no curto prazo. De acordo com a IDC, o preço é hoje o principal fator de escolha do usuário. “Já vemos que, em alguns casos, as pessoas estão optando por abrir mão do telefone fixo e ficarem só com o celular” comenta Costa.

Com informações de World TELECOM


|Computerworld – Edição 395 – 08/10/2003|

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