Quem está pagando por projetos de Big Data?

Há uma interessante contradição nos dados de uma pesquisa recente que ouviu desenvolvedores, especialistas e gerentes de TI acerca de um dos termos da moda: Big Data. Projetos endereçados ao conceito dão às empresas melhores informações, que lhes ajudam a tomar decisões críticas e avançar; contudo, nem as unidades de negócio nem departamentos de tecnologia veem evoluindo ? ou pagando ? por esse tipo de iniciativa.
Uma pesquisa realizada pela companhia de análise de big data, Jaspersoft, encontrou que surpreendentes 62% dos desenvolvedores internos nas corporações planejam ou fazem entregas de sistemas para agregar funções analíticas de grandes massas de informação. O número alto contrasta com o fato de que apenas um terço deles possui orçamento formal ou financiamento para ajudá-lo nessa empreitada.
?Dada a maturidade do mercado geral de big data, esperávamos que poderíamos nos deparar com um mercado em estágio inicial de evolução ou em fase de pesquisas ou provas de conceito?, avaliou Mike Boyarski, direto de marketing de produto da companhia que realizou o levantamento.
Os resultados, pontua a JasperSoft, podem ter sidos desviados porque muitos dos executivos que fizeram parte da amostragem foram altamente técnicos, composta por desenvolvedores de sistemas em código aberto acostumados a fazer grande parte do trabalho para si próprios.
Muitos, por exemplo, se preparam para entregar ferramentas de análise sem um software robusto. Invés disso, adaptam sistemas analíticos ou de gestão de banco de dados existentes para funções em níveis mais extremos, muito grandes, diversificados e com informações mutáveis.
Esses fornecedores estão, também, oferecendo suporte para gerentes de unidades de negócio interessados em algum tipo de análise profunda de insights sobre o comportamento de seus clientes que essas ferramentas poderiam proporcionar. ?Mas não estão preparados com casos de sucesso, avaliação de retorno sobre investimento ou requerimentos de usuários que poderiam conquistar budget para projetos de big data?, analisou Boyarski.
?Há uma consciência geral sobre a tecnologia entre os executivos das áreas de negócios, mas isso não foi completamente traduzido para orçamentados, estratégias ou planos claramente identificáveis para avançar com as iniciativas?, adicionou. ?Eles conseguem visualizar que diferentes variedades e mais velocidade de processamento de grandes massas de informação é importante de alguma maneira, mas não sabem o que fazer a respeito. Então, do lado de tecnologia, técnicos fazem o que é preciso avançar, mesmo sem financiamento adicional?.
Big data ainda não é considerado um ativo estratégico ou potencial fator decisivo de mudança de cenário, em grande parte, porque os gestores de negócio ainda tem muita bagagem ou tempo para compreender ou ver as vantagens do conceito, diferente do que vem ocorrendo nos campos da computação em nuvem, consumerização e outras tecnologias puxadas de forma mais fortemente pelas áreas usuárias do que TI, comentou Frank Gillett, vice-presidente de análise da Forrester.
A curiosidade, apesar da dicotomia existente entre querer as vantagens e assinar o cheque que pagará pelos avanços dos projetos de big data para os próximos anos, é que companhias como a Forrester projetam que as vendas de produtos vinculados ao conceito crescerão a uma taxa de 40% ao ano até 2015.
Vale ressaltar que gestores de negócio não se opõem ao big data, apenas não sabem o suficiente a respeito para compreender a diferença entre o conceito e ferramentas analíticas tradicionais para direcionarem seus planos de longo prazo, revela outro levantamento sobre o tema realizado pela empresa de pesquisa de mercado TheInfoPro. Seus revelaram que 56% das organizações de médio e grande portes planejam projetos considerando o tema depois de 2013, mesmo que a maior parte dos entrevistados não pontuou os benefícios.
Dentre 607 gerentes de unidades de negociou pesquisados pela provedora Capgemini em junho, 90% tomaria pelo menos uma decisão diferente no ano passado se tivesse informações melhores sobre o tema ? aproveitando-se do tipo de dado que poderiam extrair de uma análise de big data.
Mais da metade dos respondentes dos questionários da companhia que há algum tempo adquiriu a brasileira CPM Braxis pontuou que análise de grandes massas de informações não figura em suas listas de tecnologias que entregam vantagens competitivas a organização.
?Comparamos nossos resultados com algumas outras pesquisas e verificamos resultados bastante parecidos?, observou Boyarski, da JasperSoft. ?Ainda aparece como uma iniciativa de baixo para cima?, classificou.
A questão do suporte e utilização, analisou, relaciona-se ao perfil de empresas. Organizações que dependem fortemente da internet para seus processos de venda, marketing e interações com clientes tendem a ser mais esclarecidas quando a otimização de motor de buscas (SEO), análises de log em servidores em nuvem e outras formas mais específicas de atração e estudo do comportamento dos usuários.
Big data traz mais que uma promessa para essas organizações, com grandes bases de clientes gerando imensos volumes de transações menores, onde mesmo pequenas mudanças e ações de marketing ou oferta de determinado serviço a clientes podem impactar significativamente os resultados.
Por outro lado, empresas focadas em negócios com o ?mundo real? (no caso, oposto ao virtual e que na época do estouro da Bolha Pontocom se chamou de ?tijolo e argamassa?) ou direcionadas ao B2B (business to business), onde as transações tendem a ser mais volumosas podem não reconhecer muitos benefícios de ferramentas desse tipo devido ao menor número de transações de maior porte.
?Companhias que atuam com e-commerce veem rotatividade de consumidores e procuram analisar porque as pessoas não compram?, categorizou Boyarski. ?Se eles puderem identificar as razões desses comportamentos, poderão resolver as raízes dos problemas mais facilmente?.
Outra razão que pode explicar os resultados, naturalmente, dizem respeito ao potencial dos dados analisados, julga Mike Gualtieri. A maioria das informações em grandes conjuntos de dados analíticos é ainda proprietária ? a partir de aplicativos de CRM, logs de servidores web e outros dados máquina-máquina.
Coleta, padronização e processamento de dados para uma análise efetiva utilizando ferramentas existentes é um enorme desafio ? o que poderia facilmente trazer atratividade e fazer com que corporações passem a ver valor nas ações focadas em big data.
Quase todos os fabricantes de ferramenta de gestão de informações trabalham em novos recursos ou parcerias para endereçar oferta a big data de modo a não deixar escapar a oportunidade de vender em um mercado novo e aquecido. Com a chegada de novos aplicativos, especialmente construídos para análise e integração de grandes massas de informação, devem acarretar mudanças no cenário, projetou Gillett.
Boyarski tem uma teoria diferente: o momento é agora, as ferramentas talvez sejam a chama para aquecer o mercado, compreendida com um novo fenômeno fora da categoria de tecnologia experimental e ingressando na lista daquelas consideradas úteis para serem aproveitadas em sistemas de produção.
?Empresas orientadas aos clientes olha para sistemas analíticas também como uma ferramenta pra prover-lhes uma resposta em tempo real. Eles querem ser aptos a responder rapidamente as necessidades dos clientes, o que pode garantir uma vantagem consistente?, disse Boyarski, contrastando com o contexto atual, onde, segundo o executivo, é melhor tomar as decisões no intervalo de dias ou semanas ao invés de horas.
?Se os requerimentos por repostas em tempo real aumentam ? especialmente para um patamar online ? nasce a demanda por melhores ferramentas de análise. Vimos correlações entre essa questão?, adicionou. ?Muitas empresas, agora mesmo, tentam resolver questões mais básicas ? menos de 30% dos entrevistados vem usando dados que já possuem para tomarem decisões?. Enfim, é uma questão de prioridade.
