Preço dos smartphones limita desenvolvimento da banda larga

O preço de smartphones, celulares mais sofisticados com recursos como acesso à internet, é um limitador para o desenvolvimento do mercado de banda larga móvel nos países emergentes. Essa é a avaliação de operadoras como Telefônica, com operações na América Latina; VimpelCom, presente em 17 países emergentes ? como Rússia, Ucrânia e Paquistão; e Bharti Airtel, operadora que atua em 19 países na Ásia e na África. As informações foram passadas durante o Mobile World Congress, realizado nesta semana em Barcelona (Espanha).
?Há dois conceitos fundamentais: disponibilidade de redes, que nós podemos prover, e viabilidade financeira de aparelhos, que está fora do nosso controle. Podemos prover redes com preços razoáveis e boa qualidade, mas ao mesmo tempo precisamos ter dispositivos que conectem as pessoas?, afirma Santiago Fernández Valbuena, chairman e CEO da Telefônica América Latina.
Jo Lunder, CEO da VimpelCom, observa que, na Rússia, a demanda por smartphones é crescente e que 50% da população entre 12 e 24 anos tem aparelhos do tipo. Sunil Mittal, chairman da Bharti Airtel, defende um esforço conjunto da indústria para desenvolver smartphones de US$ 50. ?O preço de smartphones hoje limita o acesso para quem mais precisa. Quem pode pagar US$ 600, US$ 700 por um iPhone tem outras opções de acesso. Nos nossos países, muitas vezes não há outra opção além da banda larga móvel?, diz Mittal.
América Latina
Segundo Valbuena, smartphones respondem por 37% das vendas totais de celulares na América Latina, o que mostra o potencial de avanço desse tipo de aparelho e, consequentemente, de banda larga móvel na região.
Na avaliação do executivo, a região apresenta grande potencial de crescimento, devido a características específicas, que a diferenciam de outras áreas emergentes. A primeira é uma população jovem e concentrada em centros urbanos. A segunda é o crescimento econômico latino-americano, que ultrapassou a barreira de US$ 10 mil de PIB per capta. Além disso, há o desenvolvimento da classe média emergente, que deve adicionar mais 18 milhões de pessoas até 2014 na região, segundo projeções apresentadas por Valbuena.
?E telecomunicações é elemento-chave para este crescimento. O primeiro dólar ou peso que as pessoas gastam é com comida, que é a primeira necessidade básica a ser atendida. O segundo é com telecomunicações, que é outra necessidade básica?, observa.
Para o executivo, o principal motor do crescimento da Telefônica na região nos próximos anos será banda larga, especialmente a móvel. ?Há um grande espaço na nossa região para banda larga fixa e móvel, especialmente a móvel, que nos próximos anos terá maior disponibilidade e com preços que as pessoas poderão pagar?, afirma Valbuena.
Questionado sobre o que gostaria de ver na América Latina em 2012, Valbuena deseja que a indústria avance no desenvolvimento de smartphones mais baratos, na faixa de US$ 100. ?Seria bom se fosse realidade?. E também espera um avanço na penetração de banda larga móvel na América Latina, chegando a 25%.
A Telefônica tem 202 milhões de clientes na América Latina, dos quais 166,3 milhões são de telefonia móvel. No ano passado, a região respondeu por 47% da receita do grupo espanhol, atuando, mais uma vez, como motor de crescimento da companhia. O faturamento global do grupo chegou a 62,837 milhões de euros em 2011.
*A jornalista viajou a convite da Alcatel-Lucent
