“Wi-Fi torna a internet mais acessível”, afirma Vinton Cerf

Vinton cerf*Prever qualquer coisa a respeito da internet é sempre arriscado, mas, talvez, em curto prazo, possamos observar algumas tendências imediatas. A rede mundial de computadores está cada vez mais acessível por meio de dispositivos de mão (handsets). Em muitos países, existe uma tendência geral de implementação da banda larga. O uso da tecnologia de Wi-Fi vem tornando a internet muito mais convenientemente acessível quando os usuários não estão em suas casas ou em seus escritórios. Algumas cidades utilizam as redes banda larga sem fio para proporcionar o acesso público à internet. E há usuários que estão instalando wi-fi em suas casas e alguns que optam por utilizar a chamada BPL (Broadband over Powerlines ou banda larga em linhas de energia) também em seus lares. Isto transforma as instalações elétricas das casas em uma rede local e, em alguns casos, utiliza a rede de distribuição elétrica para possibilitar o acesso à internet. Velocidades maiores estão gerando oportunidades para melhores transmissão, transferência ou download de conteúdo de áudio e vídeo. O popular YouTube é um bom exemplo da rápida aceitação de novos serviços online entre mais de um bilhão de usuários da internet ao redor do mundo. Podemos esperar um maior acesso móvel de banda larga em 2007. É possível prever o progresso na introdução de nomes de domínios internacionalizados, incluindo a possibilidade de novos domínios de alto nível utilizando caracteres que não sejam da língua latina. Haverá uma crescente pressão no sentido de que os provedores de serviços de internet ofereçam o serviço de IPv6, além do tradicional serviço IPv4. O espaço de endereçamento do serviço IPv6, que é imensamente maior, pode aliviar a ameaça da exaustão do espaço de endereçamento do IPv4. Internet controlada À medida que 2007 se aproxima, é preocupante o fato de haver sinais de que alguns países assumem um papel ativo no sentido de controlar ou filtrar conteúdo de internet, de diversas maneiras. Outros estão considerando métodos para identificar todos os usuários dentro de suas jurisdições nacionais, por meio de propostas de registro de âmbito nacional ou do controle e registro obrigatórios do uso da internet, feitos por provedores de serviços oficialmente reconhecidos, e de regras de retenção, como uma tentativa de identificar e rastrear quem utiliza a rede para cometer abusos. Estas iniciativas são, freqüentemente, motivadas por um desejo de proteger os usuários dos vários tipos de atos que podem prejudicá-los. Naturalmente, os infratores podem optar por não se registrarem ou por procurar serviços de acesso anônimo, a fim de evitar serem detectados. Ou ainda recorrer a táticas de “roubo de identidade” para se registrarem com identidades falsas. Todos os possíveis pontos de acesso à internet doméstica teriam de ser equipados para interferir no sentido de forçar os usuários a se identificarem. Ironicamente, os usuários de fora dos países deverão escapar completamente da exigência de registro, levando os internautas não estrangeiros a procurarem por “túneis para saírem e depois voltarem”, fazendo parecer que não são usuários locais. Existem muitos meios de ludibriar estes sistemas de registro e pode haver muitas infrações envolvendo identidades registradas, tais como a associação destas com informações não relacionadas ao seu propósito principal. Isto leva ao grande potencial de invasão de privacidade e cria uma atmosfera na qual a liberdade de expressão é prejudicada. O fato de que os usuários externos à jurisdição nacional não podem ser forçados a se identificarem sugere que a idéia básica de exigir a identificação de usuários tem alguns sérios problemas.O delicado equilíbrio entre proteger os membros individuais da sociedade de ataques online e salvaguardar a privacidade destes mesmos indivíduos é sempre difícil, e também não será nada fácil, neste caso. A ironia é que estas tantas medidas rígidas, de um lado, podem produzir uma sociedade segura, mas na qual não queiramos viver, ou podem criar uma sociedade que não é segura, mas na qual a privacidade é preservada. Todos os países que estão enfrentando tais problemas terão de descobrir suas próprias soluções conciliatórias. O ano de 2007 será de significativo crescimento nos aplicativos de internet no mundo todo. A publicidade online e outros novos aplicativos certamente nos surpreenderão. Imensas quantidades de novos conteúdos serão disponibilizadas por seus usuários. A internet é única, no sentido de que seus usuários também são realmente produtores, porque podem contribuir tanto quanto utilizar o conteúdo. Ainda estamos longe de entender todas as ramificações deste fato, exceto por notarmos que o compartilhamento de informações é um fator de direcionamento para a chamada “Economia da Informação” e que pode ajudar a criar um ambiente no qual todos os participantes se beneficiem. IWB*Vinton Cerf é Chief Internet Evangelist do Google.
