Vivo e Bradesco firmam parceria para reverter tarifa bancária em créditos no celular

Uma conta corrente cuja tarifa da mensalidade reverte-se em
créditos no celular pré-pago. Esta é a nova oferta do Banco Bradesco, em
parceria com a Vivo, anunciada nesta terça-feira (18/05), durante coletiva de
imprensa em São
Paulo. Batizado de Conta Bônus Celular Bradesco, o pacote
custa R$ 11 para correntistas do Banco Postal e Bradesco Expresso e de R$ 16
para correntistas da rede de agências. Ambos valores são convertidos em bônus para
ser utilizado por clientes da modalidade pré-paga e Vivo Controle para o número
indicado pelo cliente.
Por trás deste movimento inédito, há interesses mútuos. Por um
lado, o Bradesco mira nos cerca de 40 milhões a 50 milhões de portadores de
telefones móveis que não possuem contas bancária – nem todos clientes da Vivo,
claro. A inclusão destas pessoas no sistema, no que se denomina bancarização, pode
representar um salto de crescimento para a instituição. Atualmente, o Bradesco registra
a abertura de 250 mil contas por mês e prevê que por volta de 10% dos clientes poderão
migrar para a nova oferta. De acordo com o diretor-executivo de canais eletrônicos,
CRM inteligência competitiva e mobilidade do banco, Cândido Leonelli, a principal
barreira da bancarização é cultural. “As pessoas ainda vêem os bancos como vilões.”
Do lado da operadora, há oportunidade de fidelização dos
atuais clientes e prospecção de novos. “É um benefício que ajuda a quebrar a
barreira da bancarização, além de ser uma nova forma de relacionamento com o público”,
enfatizou o vice-presidente de marketing e inovação da Vivo, Hugo Janeba. A telco
não revela quanto é o ticket médio mensal de recarga, mas o executivo afirma que
pode variar de valores que dão dos R$ 3 a R$ 300.
As negociações para levar a cabo o projeto duraram dez
meses. As companhias não revelaram quanto foi investido, mas assinalaram a
necessidade de construção de infraestrutura e plataformas para a realização da
troca das informações e dados. “O caminho tecnológico e financeiro da transação
não é trivial. Criamos um modelo disruptivo de inovação”, enfatiza Leonelli,
explicando que os créditos se dão por meio do sistema de transmissão de
arquivos de pagamentos de fornecedores do Bradesco. Depois de quatro dias do débito da tarifa, o usuário
recebe os créditos no número indicado. Toda comunicação é feita por SMS.
Ganha-ganha
Se a tarifa da cesta será destinada integralmente para
recarga do celular, em que está baseado o modelo de negócios? Ainda que – como Leonelli
pontuou – um dos entraves para a bancarização seja cultural, há a questão do
custo de manutenção da conta. Até valores mais baixos podem “afastar”
correntistas em
potencial. Assim, a “conta gratuita” mostra-se atraente. Mas
como ficam Bradesco e Vivo? “Para nós, é um projeto de longo prazo. Não temos
ganhos imediatos”, assinala o diretor do banco.
Contudo, mesmo que para o cliente final a quantia da cesta
seja integralmente repassada, seria ingênuo acreditar que nenhum porcentual
seja direcionado para a Vivo.
