ViPR da EMC incorpora uma abordagem mais híbrida de “definido por software”.

A EMC apresentou, na semana passada, sua plataforma de storage definido por software, ViPR, um projeto sobre o qual a EMC vinha dando dicas, que é software puro, sem conexão com qualquer plataforma especifica de armazenamento. Ele abstrai acervos de storage de hardware básico de array e LUNs, e provavelmente, roda como máquina virtual em servidores de consumo. Como escrevemos no relatório InformationWeek State of Storage, “2013 parece ser o ano em que a frase “definido por software” substitui “nuvem” como o modificador para qualquer propósito, que é sinônimo na TI de que tudo que é inovador e salubre”. O ViPR incorpora a filosofia de design e a terminologia de SDN, separando o que a EMC chama o plano de controle de storage – provisionamento, gerenciamento e migração de dados – do plano de dados – blocos, arquivos, LUNs e dispositivos.
Ele também utiliza o mesmo arquétipo de controlador de dispositivo que se tornou familiar pelo SDN e OpenFlow. O ViPR é o controlador de software, parecido com um controlador OpenFlow, como Floodlight no mundo das redes; enquanto arrays de storage, tanto os grandes hardwares de ferro, como VMAX e VNX, quanto dispositivos de escalonamento e nuvem, como Isilon ou Atmos, lidam com o plano de dados de forma parecida com roteadores e switches em SDN.
Analisando os detalhes, fica claro que a EMC está levando muito a sério o paradigma do segmento de controle de dados, já que o ViPR suporta uma mistura heterogênea de dispositivos hardware com diversas características. Por exemplo, um acervo pode incluir SSD de alto desempenho ou capacidade SSD-HDD em um array VMAX ou VNX ao lado de HDDS de alta capacidade e de consumo de um sistema de escalonamento Isilon. Sendo o último especialmente interessante porque os dispositivos Isilon têm sido tradicionalmente usados para sistemas de arquivos grandes e desestruturados. No entanto, uma vez incorporado no ViPR Borg, eles herdam todas as características do serviço de armazenamento do controlador de software.
De fato, a EMC está levando a heterogeneidade a sério, já que o ViPR suporta, inicialmente, alguns sistemas NetApp (ainda não especificados) e irá publicar uma API (mais uma vez, emprestando de terminologia SDN estabelecida) que, por sua vez, irá permitir que outros fornecedores integrem hardware de armazenamento aos acervos controlados pelo ViPR. E os acervos ViPR são enormes, escalonando para possíveis centenas de arrays físicos e petabytes em tamanho, segundo diz Chris Ratcliffe, VP de Marketing da Divisão de Software Avançado da EMC.
O ViPR lida tanto com a criação de acervos de armazenamento quanto com o provisionamento de recursos específicos de storage, sejam blocos brutos, sistemas de arquivos tradicionais, armazenamento de objetos ou, até mesmo, sistemas de arquivos distribuídos de big data (HDFS). Ele, então, deixa os cuidados em si com os dados e o processamento aos arrays básicos. Assim, o ViPR incorpora uma abordagem mais híbrida de “definido por software”. O controlador de ViPR lida com funções administrativas e de aplicativos enquanto os arrays descarregam o processamento de dados, como de duplicação ou compressão e movimentação.
Um enigma óbvio são os acervos que englobam hardwares com diversas características diferentes de desempenho. O ViPR cuida disso criando um inventário de hardware e traçando o perfil de vários parâmetros como confiabilidade/disponibilidade, velocidade/IOPs, latência e capacidade disponível de hardwares associados a um banco de dados. Ao provisionar storage para um novo aplicativo, o administrador ou orquestrador do sistema, como vCloud ou OpenStack, exige que o armazenamento esteja de acordo com os requisitos do aplicativo, como 1 TB e 5.000 IOPS. O sistema ViPR cria, automaticamente, o recurso em um hardware disponível que atenda as exigências mencionadas.
O ViPR também tem uma API para criar o que a EMC chama de “serviços de storage”. Isso permite que extensões de programação do ecossistema ViPR suportem novas modalidades de armazenamento, assim como formatos e aplicativos.
Por exemplo, de imediato, a EMC irá suportar arquivos de objeto e Hadoop, usando uma camada de software baseada em ViPR. O ViPR Object Data Service expõe REST APIs para Atmos, Amazon C3 e Swift (o serviço de armazenamento de objeto nativo do OpenStack), o que significa que os acervos podem, potencialmente, usar tanto serviços de nuvem quanto arrays VNX e Isilon locais disfarçados de armazenamento de objeto. Basicamente, o ViPR engana aplicativos, fazendo-os ver como armazenamento de objeto familiar, como S3 ou Swift, mesmo quando o back end for um arquivo tradicional ou um dispositivo de armazenamento em bloco. De fato, esta prestidigitação permite que dados escritos como objetos por um aplicativo de nuvem sejam acessados como arquivos por aplicativos legados.
De forma parecida ao modo como oferece suporte a objetos, o ViPR também provisiona acervos como um sistema de arquivo Hadoop (HDFS). Isso é importante porque significa que os dados armazenados em bloco em um banco de dados VMAX tradicional podem ser expostos aos aplicativos de big data Hadoop sem serem movidos a um depósito de arquivos separado. Teoricamente, isso pode permitir que um mesmo conjuntos de dados físicos sirva como um banco de dados transacional tradicional, enquanto, simultaneamente, é incorporado a um sistema de análise de big data, em vigor. “Você pode fazer análises em infraestruturas inteiras de armazenamento heterogêneo”, disse Ratcliffe.
Existe mais de uma dezena de sessões dedicadas a armazenando e data centers projetados por software na EMC World, e está claro que o ViPR é a contribuição da EMC para o componente de storage dessa visão. É difícil exagerar na importância dessa ação, já que a EMC está correndo o risco de ser enfraquecida por rivais mais baratos em um mercado de armazenamento tão complexo, e conforme software se torna mais importante do que hardware. Dito isto, enquanto o ViPR parece bom na teoria e demonstrações, seu sucesso depende do sucesso da EMC em todas as promessas.
