Verizon chega ao Brasil, mas não aos brasileiros

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7:31 pm - 09 de agosto de 2011

Os consumidores brasileiros não verão a chegada da Verizon ao País no que depender da estratégia de negócios da gigante global das telecomunicações, dona de uma das maiores redes do mundo. A não ser em tímidas aparições como em patrocínios de campeonatos automobilísticos como a fórmula Indy, a marca mundialmente conhecida deverá permanecer por trás da cortina e atuar a partir da recém-adquirida Terramark – exclusivamente no mercado corporativo de multinacionais.

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Mesmo a despeito do grande entusiasmo com que veem o mercado de consumo brasileiro, a companhia admite que poucas empresas estrangeiras (principalmente as norte-americanas) conhecem realmente o mercado brasileiro a ponto de atuar e se manter de forma consistente. É inegável o potencial do País quando o assunto é internet – e o atual cenário mostra que isso não é apenas para o futuro.

Mas a Verizon sai de cena neste caso e vê as oportunidades mais concretas atendendo com infraestrutura a clientes que se dispõem a pleitear o avanço do mercado nacional de internet, que ainda engatinha em relação aos mercados onde a norte-americana lidera com sua subsidiária Verizon Wireless (joint-venture com a Vodafone). Olhar de longe, neste caso, permite ter a visão de que as empresas locais, notavelmente com maior mobilidade no mercado nacional, trarão ao público brasileiro a nova geração da tecnologia de transmissão de dados, como o LTE (que genericamente também é tratado como 4G).

Clientes latinos

E a partir disso, usando as dinâmicas do mercado a seu favor, a companhia espera prover com mais eficiência seus melhores serviços aos clientes latinos – as grandes multinacionais, que paulatinamente direcionam seu foco para o mercado mais maduro e menos saturado onde possam escoar suas expectativas de crescimento: a bola da vez.

“Quando os executivos das multinacionais olham para o mundo, pensam: onde nós podemos investir para obtermos mais crescimento?”, explicou Michael Holland, vice-presidente mundial de Vendas da Verizon, em entrevista exclusiva ao IT Web durante sua passagem pelo Brasil. “Não seria nos Estados Unidos ou Europa. A China tem bastante condições para crescimento, já recebeu muitos investimentos. Mas a América Latina é o próximo lugar onde eles vão investir.”

E quando o assunto é América Latina, fala-se sobretudo do Brasil. E isso é unânime quando trata-se de investimentos em TI. Os gastos nacionais em tecnologia da informação já são considerados mais interessantes que os da Índia pelas empresas, dentre os mercados emergentes.

“Nós olhamos para a as capacidades técnicas e o preparo e a abundância de mão de obra daqui”, destaca Holland. “E nossos clientes estão de olho no mercado brasileiro para internet. O Brasil tem um dos maiores números de acesso no mundo.”

O País representa em média 50% da América Latina. E o crescimento ano a ano da Verizon na região deve se consolidar em cerca de 26%. Mundialmente, a empresa faturou US$ 1,6 bilhão no segundo trimestre deste ano.

Cloud Computing

O futuro do mercado brasileiro já está predestinado como sendo a rápida implantação do uso de cloud computing. Segundo o executivo da Verizon, o crescimento dos gastos em TI das empresas no Brasil se concentra em armazenamento de aplicações, webhosting, colocação e gerenciamento de rede.

Por outro lado, o cenário de cloud está restrito às possibilidades de segurança e aos recursos disponíveis. E neste caso, Holland é preciso: “não é necessário que uma empresa se arrisque e seja a primeira a adotar um tipo de tecnologia envolvendo informações que sejam o cerne de seu negócio”.

“Mas com a infraestrutura de segurança que podemos prover hoje, penso que as empresas consigam colocar em nossas nuvens ao menos suas aplicações criticas”, completou Steve Fickes, vice-presidente de negócios internacionais para América Latina. “E os negócios no Brasil têm segurança jurídica e geográfica (sobre riscos de desastres naturais) em relação a outros países da América Latina como Chile, Colômbia e República Dominicana, onde temos forte atuação.”

Dona de mais de 220 data centers em todo o mundo, a Verizon vê como grande diferencial a possibilidade de oferecer aos clientes uma nuvem menos selvagem do que a que o mercado oferece, uma vez que a companhia pode dar ao cliente a localização de seus dados.

“Para atender às empresas é necessário segurança, escalabilidade e ter uma nuvem global (por conta de regulamentações locais diversas) que permita que as empresas não tenham insegurança jurídica em relação ao local onde seus dados estão armazenados”, explica Fickes. “Em nossas nuvem, o cliente sabe onde os dados estão.”

Visibilidade

Mesmo atuando através de uma marca forte como a Terramark, e mesmo não dando garantias quanto à continuidade da marca no futuro, a Verizon pensa em visibilidade.

Eventos como a dobradinha esportiva que deve levar o Brasil ainda mais ao foco dos holofotes em 2014 e 2016 devem servir para levar à marca Verizon a credibilidade de atuar por meio de sua nova subsidiária em perfeita combinação, segundo Holland.

“Nós preferimos investir em infraestrutura para atender às demandas do mercado corporativo a investir em publicidade; isso é feito no boca a boca”, finalizou o executivo.

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