TI: olhe para competências necessárias ao novo momento

Pode parecer estranho dizer que uma empresa já não avalia o desempenho de um funcionário, departamento ou líder pelo resultado atingido. Mas a mudança pela qual a sociedade passa, aderindo mais ao pluralismo, acaba por mudar a forma de um CEO analisar o que, de fato, as pessoas que fazem a empresa entregam. Se num passado recente a questão da ordem, ou seja, regras rígidas para tudo, como, por exemplo, tipo de roupa a ser usada nos departamentos, era algo comum e tido como essencial para o progresso de uma companhia, atualmente, o sentir-se bem no ambiente corporativo, a interação entre áreas e a boa convivência com diferentes culturas soa como fator essencial para o sucesso nos negócios.
O assunto esteve entre os pontos levantados por Alexandre Fialho, presidente da Korn Ferry no Brasil, ao apresentar-se na abertura do IT Forum+ 2012, na Praia do Forte (BA). O executivo perpassou por diversos cenários para contextualizar o momento atual, mostrando o quão a sociedade e, por consequência, o mundo corporativo, tem mudado. Toda essa evolução faz com que as pessoas precisem buscar novas competências para melhor entregar os resultados na nova era.
?É a pluralidade e o que vem a reboque disso é uma certeza de que a ideia de ordem e progresso, do positivismo, da herança do liberalismo, foi quebrada, há uma fragmentação onde as ordens não são mais de natureza pré-concebida, mas de natureza existencial?, comenta Fialho, frisando que, nos dias de hoje, é normal pessoas discutirem o prazer no ambiente corporativo, algo impensável alguns anos atrás.
Mas partindo para a prática diária do mundo empresarial, Fialho citou uma pesquisa conduzida pela própria Korn Ferry na América Latina chamada de CEO Vision. Os resultados mostravam que apenas um terço dos executivos estava satisfeito com os líderes e 25% acreditava ter um time preparado para a retomada econômica. Embora os presidentes estivessem contentes com os resultados, inclusive financeiros, não estavam satisfeitos com as lideranças. Assim, foram separadas as melhores competências e as mais fracas ou que precisavam ser desenvolvidas:
Boas: entender negócio, foco no core, firmeza de propósito e solução de problemas.
Fracas: eficiência comunicacional, tomada de decisões complexas, inspirar os outros e trabalhos via colaboração.
?(Concluiu-se que) os bons resultados vinham por foco operacional. O foco antes era ordem e progresso, operação era ordem do jogo e, agora, não mais?, contextualiza Fialho. ?A revelia de bons resultados, eles (os CEOs) não estão satisfeitos. Quando sai da insatisfação do CEO e vai para realidade, sai do tangível e vai para intangível.?
Com isso, o especialista acredita que as pessoas precisam aprender a trabalhar melhor a questão da estética, aquela observada sob o ponto de vista filosófico, ou seja, pensar em prazeres, desejos e conforto. Para Fialho, a nova geração já vem com esta questão mais bem resolvida, embora o comportamento e vontade estejam permeados em todas as pessoas. ?Não mais espaço para o ordenamento da modernidade. É preciso saber viver com próprias limitações.?
