TI Bimodal: O que considerar na hora de implantar o modelo
Gartner estima que 75% das empresas terão uma abordagem Bimodal até 2017. Confira 10 coisas que você deveria saber

A agilidade do mundo dos negócios pede que as empresas imprimam dois
perfis distintos para as iniciativas baseadas em tecnologia da
informação. De um lado está a sustentação das rotinas de operação; de
outro, a necessidade de gerar inovações que impulsionem negócios. São
frentes que, em muitos casos, andam em velocidades diferentes.
Cabe aos líderes do departamento de TI desenharem a estratégia e
assegurarem que tal abordagem aconteça da maneira mais assertiva
possível. O tema, contudo, ainda é bastante recente. Muito devido ao
fato de ser novidade (questão que soma-se a urgência de transformar
modelos em organismos cada vez mais digitais) ainda há muitas dúvidas e
reticências sobre como implantar o conceito.
Para sanar alguns questionamentos e colocar luz sobre pontos que
podem ser explorados na construção de uma abordagem Bimodal,
apresentamos dez coisas que consideremos importante que todo gestor
saiba nesse momento. Confira.
1. A TI Bimodal existe e é provável que seja adotada pela sua empresa
Peter Sondergaard, vice-presidente sênior e líder global de pesquisa
do Gartner, afirmou em novembro que, embora os CIOs possam ser incapazes
de transformar seus departamentos em startups digitais, poderiam
torná-los organizações Bimodais.
“Cerca de 45% dos CIOs afirmam possuir um modelo de operação rápida e
nós prevemos que 75% das organizações de TI serão Bimodais de alguma
forma até 2017”, projetou o especialista.
Jerry Luftman, Ph.D, professor e diretor do Global Institute for IT
Management, confirmou a bifurcação dos departamentos de TI. “Está
acontecendo”, declarou.
2. Grandes companhias são mais inclinadas a tentar o modelo Bimodal
Arjun Sethi, sócio da consultora A.T. Kearney, confirmou o aumento no
número de empresas com a dualidade, embora ele aponte que a tendência é
maior em companhias grandes e progressistas. “O aumento é real, mas não
me refiro a pequenas e médias empresas”, adicionou.
O vice-presidente e CIO da Hunter Douglas North America, Rob Meilen,
supervisiona uma equipe de TI composta de 120 pessoas e cerca de 30 a 40
funcionários terceirizados. “Não possuímos uma separação formal, mas
nos últimos dois anos temos abordado mais o foco diferente dessas duas
áreas”, alegou, pontuando que a empresa começa a analisar como alocar
recursos de modo a refletir essas duas funções.
Na opinião de Meilen, aumentar a separação entre os lados não
ajudaria, podendo deixar algumas áreas sem o talento necessário ou
forçar a empresa a contratar mais gente. “Às vezes, somos apenas duas
pessoas focadas em uma habilidade específica, portanto seria complicado
dividir em duas equipes distintas”, argumentou.
3. Financiamento desempenha um papel importante
Robert Quarterman, vice-presidente de Infraestrutura e Serviços
Técnicos na Service Benefit Plan Administrative Services Corp., acredita
que o modelo é uma questão de tocar os negócios de modo que as
inovações se tornarem operacionais logo após serem feitas. “Negócios e
tecnologia operam em diferentes velocidades, com prioridades e recursos
distintos”, assinalou.
O financiamento das operações remete a uma questão central do
departamento de TI, onde o dinheiro para inovação vem das unidades de
negócio, assim como a defesa de projetos individuais.
Para Jerry Luftman, a separação é motivada em partes pela
descentralização da TI, com cada vez mais aplicações financeiras
estratégicas retidas pelas unidades de negócio e cada vez menos se
dirigindo ao setor.
4. Mais antiga do que parece
Greg Davidson, consultor da AlixPartners, acredita que os
departamentos de TI sempre possuíram alguns aspectos da abordagem
bimodal. “Sempre houve uma parte da equipe trabalhando para manter o
negócio rodando com agilidade. Quando você aborda coisas como suporte a
desktop, monitoramento de data center, manutenção de aplicações — todas
essas coisas existem há muito tempo”, defendeu.
Como outros CIOs, Rob Meilen afirmou que é o trabalho em si que
costuma recair a uma das categorias, focando ou em iniciativas
empresariais de habilitação de novas tecnologias ou em manter tudo
funcionando corretamente. “Os profissionais de TI também costumam
pertencer a uma das categorias”, opinou o executivo, ressaltando que
sempre há quem pertença a ambas.
5. TI Bimodal e outsourcing podem coexistir
Muitos CIOs recorrem a terceiros para lidar com um grande volume de
tarefas operacionais, sobretudo as partes padronizadas, como programação
de baixo nível, informou Arjun Sethi.
Segundo ele, tarefas que exijam habilidades valorizadas, como
arquitetura de alto nível, são trabalhadas internamente por
profissionais alinhados às estratégia de infraestrutura do CIO.
A tendência se deve, em partes, aos esforços da TI para padronizar os
procedimentos (do hardware às aplicações), que reduzem a customização e
aumentam a previsibilidade, facilitando sua migração para ambientes de
serviço operados por terceiros.
6. Duas equipes? Não necessariamente
Dale Denham, CIO da Geiger, conta com 25 profissionais em seu
departamento para atender a 750 pessoas (300 funcionários e 450
profissionais independentes) e reconhece o valor inerente da filosofia
bimodal. “Ela funciona em muitos lugares e não há dúvida sobre a
existência de ambas as funções”, disse, acrescentando: “Eu lido com ela
de uma forma diferente, misturando operações e inovação em uma única
equipe”.
Embora o executivo reconheça que alguns funcionários de helpdesk e
redes são operadores diretos, ainda acredita que promovam a inovação,
como ao acelerar um servidor quando necessário.
“No geral, quando lançamos projetos e ferramentas, as mesmas pessoas
que fazem o suporte de velhas funcionalidades criam e executam os planos
para as novidades, passando a assisti-las quando migram para as
operações”, concluiu.
7. Bimodal não significa bifurcada
Os funcionários de infraestrutura e operação também tendem a
interagir com projetos de inovação. Um profissional de data center, por
exemplo, pode instalar uma grande matriz de servidores para um novo
programa de analytics.
Greg Davidson vê a manutenção dessa distribuição e não vê sua empresa
migrando para um departamento de TI bifurcado por completo. O executivo
indica que o trabalho de inovação agregado às posições operacionais
pode estimular os ânimos dos funcionários.
Para ele, tão importante quanto é o fato da intersecção ajudar a
manter todo o contingente atualizado. Davidson defende que os projetos
são mais bem sucedidos quando o trabalho operacional e inovador se
cruzam. “O pessoal da infraestrutura planeja melhor, está mais cientes
das exigências de recursos e conhece os problemas de desempenho, coisas
das quais a outra equipe pode não estar ciente”, explicou.
8. Duas equipes, o dobro do problema?
Robert Quarterman informou estar migrando cuidadosamente para uma
equipe de TI completamente separada para cada uma das vertentes. “Há uma
implicação cultural que ainda não compreendemos”, declarou,
acrescentando que não entendê-la pode causar grandes prejuízos.
Fazer a transição sem a comunicação e atenção necessária pode alienar
alguns funcionários, particularmente os da área de operação. Por isso,
Quarterman insiste que o trabalho operacional continua essencial, sem o
qual o negócio não funciona e não há espaço para inovação.
“Nós não desejamos alienar todo um grupo de pessoas que sentirão sua
contribuição diminuída por serem operadores”, defendeu. “A liderança não
pode construir um muro. As partes precisam ser lidas como igualmente
importantes na obtenção de um objetivo: a entrega do produto e do
serviço e não me refiro somente à entrega de inovação, mas de operações
diárias”.
Denham elogiou o modelo de Quarterman, exaltando o trabalho em equipe
que dele resulta. ” As pessoas mais operacionais são mais adequados
para isso e é onde querem ir, é o que preferem. Elas já são motivadas
porque é o que gostam de fazer”, explicou.
Quarterman concordou, acrescentando: “É por isso que procedemos com
cautela, é difícil fazer dar certo. Algumas pessoas são qualificadas
para operações e é isso que desejam fazer. Identificá-las e descobrir
quais possuem a aptidão para inovação é complicado. Não tenho certeza de
que todos se encaixam no modelo, portanto agimos com prudência, sendo
claros sobre os motivos pelos quais estamos fazendo isso”, afirmou,
assinalando que os profissionais de ambos os lados enfrentarão desafios e
oportunidades de avanço.
9. TI Bimodal como vantagem competitiva
Rob Meilen acredita ser possível que as empresas com departamentos de
TI descentralizados tenham uma vantagem. “Se você separou formalmente o
setor e colocou as equipes de inovação nas unidades de negócio, terá
uma conexão mais próxima com os profissionais de tecnologia. É provável
que inovar se torne mais fácil e isso pode levar a uma superioridade
competitiva”, defendeu, pontuando que a abordagem também pode significar
abrir mão do controle de arquitetura e infraestrutura. Quarterman
acrescentou: “É uma questão de agilidade e flexibilidade para dar
velocidade ao mercado”.
10. Implicações para a carreira
Profissionais em uma organização de TI Bimodal se encontram em um de
dois caminhos. Sethi indica que, uma vez em um deles, a pessoa tende a
permenecer conforme se especializa em certas áreas, progredindo junto à
sua divisão dentro da empresa.
Segundo ele, ambas as opções têm méritos e caminhos para os cargos
mais elevados. Profissionais operacionais podem chegar a níveis sênior,
CTO e posições em fornecedores de hardware e software. Já os da área de
inovação podem se tornar CIOs. “No passado, os desenvolvedores costumam
se tornar CIOs, mas o que vemos hoje é que analistas de negócio chegam à
posição”, revelou Sethi.
Luftman acrescenta que as oportunidades de trabalho se apresentarão,
sobretudo nos próximos 10 a 20 anos, mas em novos lugares: profissionais
operacionais migrando para outros provedores e inovadores para as
unidades de negócio. “A infraestrutura é essencial. Você não consegue
tocar um negócio sem ela, da mesma forma que não conseguiria sem
telefones ou eletricidade”, ressaltou. “O valor estratégico é dado aos
que sabem trabalhar com os parceiros empresariais. Mesmo com a
segregação das equipes, os profissionais de TI continuarão tendo boas
perspectivas de emprego”, garantiu..
