Skype: união com telco fixa e móvel é vantajosa

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12:45 pm - 24 de maio de 2011

Quando o Skype chegou ao mercado em 2003 a ideia era realmente romper uma barreira. Tirar a voz do telefone e trafegá-la sobre IP. Se no início o sistema provia a comunicação apenas entre computadores, a evolução propiciou o desenvolvimento de uma plataforma mais completa, que permite ligação entre usuários do serviço, ligações para telefones fixos e móveis a custo inferior aos praticados pelas operadoras tradicionais e videoconferências. O último balanço da companhia dá conta de que ela responde por 8% dos minutos das chamadas internacionais feitas globalmente.

Para dar um panorama sobre a situação da empresa e para onde ela caminha, o IT Web conversou com Alejandro Arnaiz, gerente de desenvolvimento de negócios do Skype para América Latina. A seguir, os principais trechos da entrevista:

IT Web – Como foi a evolução do Skype nesses últimos anos?

Alejandro Arnaiz – A missão do Skype é ser uma plataforma de comunicação para permitir que as pessoas se comuniquem onde quer que estejam de forma acessível, fácil e inovadora. Esse é o princípio da companhia. Começamos com uma plataforma simples, que veio crescendo, se desenvolvendo, claro que não era ótimo no início. Hoje temos qualidade muito superior que há cinco anos.

A experiência do usuário é muito importante, queremos que ela seja a melhor possível. Algo fácil para que qualquer pessoa possa usar. Começamos com ligação de voz por computadores, depois para telefones e hoje você pode enviar mensagens de texto, fazer conferência, ligar, a experiência é muito mais completa. É isso é o continuamos perseguindo.

IT Web – Dentro dessa evolução, qual o maior desafio?

Arnaiz – Um dos desafios certamente foi o desenvolvimento da internet e também o acesso nos países, especialmente na América Latina e África, onde a qualidade da internet não é boa. O desafio foi ter uma plataforma que funcionasse sem a banda de qualidade. O desenvolvimento do protocolo IP para áudio e vídeo foi muito importante. Hoje você faz ligações consumindo pouquíssima banda e isso nos permite mais penetração. E o segundo foi tornar a comunicação estável.

IT Web – Qual principal ruptra você acha que o Skype trouxe?

Arnaiz – O Skype tem sido uma empresa de ruptura. Trouxemos uma comunicação fácil e de menor custo. Além da flexibilidade, você pode, a partir do seu computador, falar, mandar mensagem, usar vídeo, e em tempo real. O comportamento da rede hoje é muito mais complexo. As pessoas querem fazer ligação de áudio, compartilhar dados, não é apenas uma simples ligação, é uma experiência completa e complexa. Queremos prover isso de forma atrativa para o usuário.

IT Web – Quais segmentos se abriram desde a chegada de vocês ao mercado?

Arnaiz – O Skype não tem um foco muito forte em empresas. A adoção sempre será maior no mercado residencial. Mas 34% dos nossos clientes usam o Skype nos negócios e acreditamos que isso pode crescer. As pessoas começaram a usar o Skype para fazer entrevista de trabalho por meio da ferramenta de videoconferência, é uma oportunidade para exploramos. Nos Estados Unidos oferecemos a possibilidade de integração com a plataforma de telefonia e deveremos ter mais novidades dentro desta seara.

IT Web – O mercado corporativo precisa outra ferramenta?

Arnaiz – Nossa proposta hoje é uma conta corporativa. Você impõe restrições, tem controle muito maior. Coloca quanto tempo, para onde pode ligar. Determina se a pessoa pode fazer ligações para fora do Skype. Temos uma comunidade de 560 milhões, então a empresa tem esse mercado para trabalhar, é uma proposta importante.

IT Web – Qual maior público?

Arnaiz – Não abrimos os dados por país, mas Estados Unidos é muito importante e o Brasil está entre os dez maiores mercados.

IT Web – Quais são os próximos desafios do Skype e para onde quer ir?

Arnaiz – Queremos chegar a mais gente, ligar as pessoas aos seus familiares. Temos diferentes estratégias, os dispositivos móveis estão em nossa meta, queremos seguir inovando nossa solução, levando valor e tornando-a sempre acessível. Estamos no iPhone, no Symbian. Já estamos falando de Skype em televisores e é uma possibilidade de interação com os familiares.

IT Web – Já existem projetos finalizados para TV?

Arnaiz – Estamos conversando com grandes fabricantes e a ideia é que o software venha embarcado.

IT Web – Um dos objetivos é crescer e chegar a mais gente? Como aumentar público e faturamento?

Arnaiz – Temos 560 milhões de usuários, é uma comunidade muito grande. Se falarmos de dois milhões utilizando o serviço pago, já é um grande contingente. Temos uma operadora na Inglaterra que tem plataforma Skype no celular e temos visto que usuários de Skype são muito comunicativos, passam mais tempo na internet e fazem ligações dentro e fora do Skype e não apenas com usuários Skype. Temos essas pessoas que gostam de se comunicar. Buscamos com os produtos crescer em usuários e também em rentabilidade.

IT Web – Você tem parceria com Verizon, nos EUA, e com operadoras na Inglaterra. A partir de que momento houve mudança de mentalidade das operadoras para passarem a liberar o Skype?

Arnaiz – Minha perspectiva é que a evolução que segue o mercado de comunicação está motivada não pela tecnologia, mas pelo usuário. Ele tem o controle daquilo que precisa. A comunicação que nossos usuários buscam não é somente de voz, não está restrito a isso. Ela envolve voz, vídeo, dados e pode ser no automóvel, no vizinho, na rua, no celular ou computador. Se você olhar as redes sociais, vê a comunicação a todo momento. E essa evolução muda o modelo de negócio do operador tradicional, que passa a ver o mercado de dados, o mercado de uma comunicação completa. Não concorremos, o operador provê acesso e serviço de valor agregado, enquanto o Skype leva uma plataforma de comunicação. A combinação do operador fixo, móvel e nossa plataforma é muito boa, tem uma força de mercado muito grande, temos 560 milhões de usuários.

IT Web – Vocês enfrentaram problemas no Brasil para liberar aplicativo móvel?

Arnaiz – O mercado de operadora e de oferta de serviços de comunicação é complexo, não fala apenas de operadora, de provedor, mas da combinação deles. Há interesses das partes, além do interesse do usuário final. É preciso que essa combinação de interesses propicie levar o serviço para o usuário. Com os novos modelos de negócios, mais aplicações e serviço de valor agregado, isso muda. Eles passam a focar a necessidade do cliente. Nosso objetivo, nossa missão, nosso interesse principal é que sua experiência no computador seja a mesma no dispositivo móvel. Por isso estamos focando projetos de aparelhos móveis, queremos que a experiência seja a mesma. Existem requisitos técnicos que não são tão simples.

IT Web – Qual importância do mercado móvel?

Arnaiz – Em países como Brasil, onde muita gente buscará aplicações de internet primeiramente em dispositivo móvel, você tem uma fortaleza, algo muito importante para nós. Por outro lado você sabe que smartphones e equipamentos inteligentes ainda têm penetração baixa em países como Brasil, é preciso aumentar a participação.

IT Web – Quantas pessoas tem o Skype móvel?

Arnaiz – Só para iPhone são 10 milhões de downloads.

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