Segurança ainda é o fantasma do comércio eletrônico

Author Photo
10:08 pm - 23 de maio de 2011

Ele sabe demais

Bill Spernow, analista de segurança do Gartner Group, é um dos maiores especialistas no assunto dos Estados Unidos e, por este motivo, já recebeu duas ameaças de morte via e-mail. O “especialista” conta histórias tão obscuras sobre grupos de hackers que chega até a assustar. Em uma palestra, Spernow cogitou o envolvimento da máfia e de grupos terroristas com os invasores. A partir de uma afirmação destas dá até para entender o porquê do FBI ter sido convocado nas investigações dos crimes eletrônicos verificados recentemente.

Quando atende os clientes do Gartner Group (muitos deles pertencentes à lista das 500 empresas da Fortune), Spernow diz que a solução está no investimento pesado em sistemas e mão de obra. “É preciso contratar vários profissionais, devendo cada um ser o melhor do mercado em sua especialidade.”

Em seguida, ele alfineta a indústria e o governo, lembrando que os dois devem trabalhar na regulamentação de novas leis e na criação de softwares mais pesados e seguros. “Devido ao crescimento da Web, o controle da segurança vai ficar cada vez mais complicado”, prevê.

Outro detalhe muito bem lembrado por ele diz respeito aos ataques vindos de dentro da empresa. “Apenas 20% dos hackers são externos, o restante é formado por funcionários comprados pela concorrência ou que entendem muito do sistema e querem mudar dados ou obter informações confidenciais.”

Para provar que a explosão do comércio eletrônico não é papo de maluco nem jogada de marketing, o Forrester Research Group acaba de divulgar uma pesquisa com números ainda mais surpreendentes. Pela previsão do instituto, as vendas na Web nos Estados Unidos devem movimentar, neste ano, US$ 38,8 bilhões.

Apesar de as compras pela Internet crescerem assustadoramente a cada dia, o montante poderia ser ainda maior não fosse o medo que as pessoas têm de colocar o número de seu cartão de crédito na Rede. Nem mesmo os grandes investimentos realizados pelos sites na área de segurança convencem.

Se por um lado especialistas em segurança, como o consultor André Pitkowski, garantem ser mais seguro comprar pela Web a fornecer o cartão a um garçom no restaurante, por outro, lojas mais conservadoras como a Scopus ainda acreditam na insegurança da Internet e optam por receber via boleto bancário. Pitkowski é o representante brasileiro da empresa de segurança alemã SecuNet, responsável pelo sistema de criptografia da rede do governo alemão.

Para ele, o ideal seria que as lojas virtuais e as operadoras de crédito fechassem um acordo que possibilitasse o envio automático, no ato da compra, do número do cartão à operadora. Segundo o especialista, este procedimento evitaria que o número do cartão de crédito ficasse armazenado no servidor da loja, que é onde acontecem a maioria dos ataques. “Os hackers vão sempre preferir atacar locais com maior número de cartões que possam ser fraudados”, explica.

Sem saída

Já a Módulo Security Solutions prefere dificultar as coisas para os possíveis invasores. Especializada no desenvolvimento de soluções de segurança, a empresa realiza estudo de ambiente, além de desenvolver soluções e criptografar o servidor. Para o seu diretor de Tecnologia, Carlos Mendes, não existe sistema 100% infalível. “Por isso, dificultamos a quebra para o hacker, colocando barreiras e tornandoos investimentos necessários para a invasão em valores muito altos”.

Outra empresa que também oferece soluções na área de segurança é a Scopus, que desenvolveu o sistema de Internet Banking para o Bradesco. “A melhor forma de fugir do velho problema do cartão é a certificação digital”, conta José Afonso Filho, diretor comercial da empresa. “Hoje, o próprio site da Scopus trabalha com várias opções de pagamento que vão do débito em conta corrente até a certificação digital, passando pelo boleto bancário.”

Um dos pioneiros do e-commerce no Brasil, o Pão de Açúcar Delivery trabalha com criptografia e SSL (sistema de segurança), segundo Juliana Behring, gerente de comércio eletrônico do grupo. “Os dados trafegam em uma linha privativa e são protegidos por uma chave de 1.024 bits”, conta ela. “Além do firewall, as informações presentes no nosso servidor ficam criptografadas.”

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.