SAP cresce 107% em vendas; parceiros já representam 46% dos negócios

Os números do segundo trimestre de 2013 da SAP no Brasil foram bastante agressivos. A receita de software cresceu 107% em relação ao mesmo período de 2012, sendo o mercado nacional o carro-chefe do avanço na América Latina. No trimestre, a fabricante obteve aumento de 179% na receita com a venda de software, que abrange ferramentas de computação em nuvem, Hana, mobilidade e inteligência analítica. Esta última, aliás, quando avaliada como unidade, teve sua receita elevada em 214%.
A vertente de computação em memória teve vendas multiplicadas em oito se comparada com o mesmo trimestre de 2012. ?No segundo trimestre do ano passado já tínhamos vendas consideráveis [de SAP Hana], mas este crescimento é muito exponencial?, diz Diego Dzodan, presidente da SAP Brasil.
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Segundo ele, o mercado brasileiro tem mostrado maturidade nos investimentos de tecnologia. Questões como produtividade e transparência têm sido colocadas na mesa, visando impactos positivos para os negócios, avalia. Hoje, 32% dos clientes da companhia são grandes empresas e 68% são PMEs. As vendas do Business One cresceram 103% em relação ao mesmo período de 2012.
Os parceiros de canal desempenharam ?um papel essencial? dentro desses resultados, afirma Sandra Vaz, vice-presidente de vendas para ecossistema e canais da SAP Brasil. As vendas via canais já representam 46% do montante, informa a executiva. O valor supera a meta da companhia para 2015, onde se espera que os parceiros correspondam por 40% dos negócios. Além disso, a rede de parceiros também foi expandida. No semestre, o número cresceu 25% se comparado ao mesmo período de 2012.
Sandra diz que o trabalho mais próximo com parceiros fora das grandes capitais, com suporte e apoio na criação e fechamento de oportunidades, foi um dos principais fatores para o desempenho positivo. Ela ressalta que os negócios com PMEs foram fundamentais para a operação nacional, assim como os negócios com alianças de OEM.
Mercado Vs. Expectativa
?O Produto Interno Bruto (PIB) pode não crescer forte, mas há empresas financeiramente saudáveis no mercado buscando produtividade e clareza nos negócios?, disse Dzodan enquanto avaliava os resultados da companhia em relação às expectativas para a economia brasileira. ?A fórmula, no geral, é ter preço, atender às demandas e saber mostrar valor na tecnologia e nos projetos. Há muitos investimentos se for feita a avaliação correta.?
No caso da SAP, ele vê a expansão regional da companhia como algo que trouxe grandes benefícios para todo o ecossistema da empresa. A criação de diretorias comerciais por regiões alavancou tanto as vendas diretas como indiretas. ?Passamos a trabalhar com gente que não falávamos antes?, conta.
As regiões do Brasil onde a SAP registrou melhor desempenho no segundo trimestre foram Centro-Oeste, Sul e Nordeste, todas com crescimento também de três dígitos. Neste ponto, a participação dos parceiros ?teve papel central?. ?Para expandir?, diz, ?temos que fazer além do nosso time. O ecossistema e a equipe da Sandra são essenciais.?
Em tom bastante sensato, Dzodan avalia todos os números como excelentes para a companhia no País, mas sabe que manter a expansão na casa dos três dígitos é inviável. Para ele, o crescimento sustentável da companhia terá dois dígitos, em percentuais fortes. ?Quando você estrutura projetos que melhoram os processos, os resultados chegam.?
Atrair novos parceiros, manter o ritmo de proximidade e manter em linha o diálogo com canais está no road map do crescimento sustentável da companhia, pontua Sandra. Dentre os mercados que mais puxaram os números da SAP, serviços financeiros, manufatura, energia, recursos naturais (com destaque para empresas de óleo e gás) e serviços públicos ganharam destaque.
Profissionalização
Com passagens por diversas operações latinas da SAP, Dzodan afirma que o mercado brasileiro é o mais sofisticado de toda a região para avaliação de novas tecnologias que visam impacto na produtividade e gestão. Pesquisar novas alternativas é um aspecto muito particular do Brasil, aponta ele, que acredita que a profissionalização do mercado em torno de TI ?é muito visível?.
Sandra complementa que essa característica não pertence apenas às grandes empresas, mas também a pequenas e médias companhias que objetivam crescimento de suas operações ou até mesmo uma possível aquisição ou joint ventures. ?A Fogo de Chão hoje é uma cliente multinacional que roda o Business One, e recebe aporte estrangeiro?, exemplifica ela.
Engajamento político
A onda de manifestações que inundou o País no último mês trouxe à tona a necessidade de transparência dos processos públicos para a população. Dessa forma, espera-se que órgãos governamentais invistam em soluções de TI que promovam a transparência das ações públicas, relata Dzodan.
O setor público é um mercado novo para a SAP, conta. Por isso o executivo vê a série de manifestações por diferentes aspectos, que passam desde oportunidades de novos negócios quanto a necessidade de mostrar valor do dinheiro público para a população, ou seja, a questão social por trás da contratação de produtos e serviços pelas administrações públicas. ?Fazer mais com menos ou até mesmo com o mesmo capital deve ser inerente às instituições públicas?, avalia. ?O investimento em tecnologia trará benefício tanto para o povo quanto para a candidatura do próprio político em futuras empreitadas. É um interesse compartilhado.?
América Latina
Na região latino-americana, a companhia registou o 14º trimestre consecutivo de crescimento na receita de software, chegando à marca de 43% frente ao mesmo período de 2012. As vendas para pequenas e médias empresas foram 29% superiores entre os meses de abril e junho de 2013 na mesma base comparativa. Atualmente, 67% da receita de software da região é proveniente do portfólio de soluções de inovação. Em comparação com o mesmo período de 2012, as vendas desta categoria cresceram 60%. Como resultado do início do programa de especialização de canal, em 2012, a SAP registrou um crescimento de 53% nas vendas indiretas na América Latina.
