O objetivo é preparar os robôs para que daqui a alguns anos eles possam contribuir com serviços especializados na área de saúde, como o acompanhamento de idosos e o auxílio de pessoas com deficiência mental ou motora.
“As crianças que tem autismo, por exemplo, geralmente sentem dificuldade de lidar com humanos, mas têm facilidade e reciprocidade em relação aos robôs. Este pode ser um dos casos que o Nao poderá ajudar”, afirma Marcelo Nunes, diretor de tecnologia da Vivacity, empresa que distribui os humanoides no Brasil.
No segmento de tecnologia, a utilização da inteligência artificial pode facilitar o desenvolvimento de programações com alto nível de complexidade.
O Nao é um simpático robô de 57 centímetros de altura, dotado de inteligência artificial. Ele já vem de fábrica com funções básicas, como andar e realizar movimentos do corpo, braços e pernas. Reproduz ainda palavras através do comando de voz possibilitado pelo teclado.
O desafio dos pesquisadores é habilitar o humanoide para a interação com as pessoas. Para isso, o objetivo principal é conseguir que ele se comporte da mesma forma que um humano.
A professora Roseli Francelin e seu aluno de mestrado Fernando Zuher, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, trabalham em um projeto para desenvolver no robô a capacidade de reconhecer ordens e imitar movimentos de seres humanos a partir de gestos.
O sensor de movimentos Kinect, desenvolvido pela Microsoft para o videogame Xbox, (que permite interação dos usuários com o jogos) e é uma importante ferramenta que auxilia os pesquisadores a implantarem movimentos humanos no robô.
“O trabalho já permitiu que uma pessoa, por meio de suas mãos, ordene o robô a andar (da mesma forma que um humano) para frente e para trás e virar para ambos os lados. O ato de sentar e levantar e a expressão de alguns gestos também foram realizados”, escreve Zuher em sua tese de mestrado.
Robocup
A Robocup é uma competição mundial que prevê estimular as pesquisas em robótica, uma vez que coloca à prova os avanços de controle e movimentação desenvolvidos nos robôs por pesquisadores de todo o mundo.
O evento foi criado em 1997 com o objetivo de montar uma equipe de robôs capaz de jogar contra a seleção de futebol campeã da Copa do Mundo de 2050.
“As universidades brasileiras também vão disputar o campeonato. O futebol é um dos esportes mais completos para testar as habilidades “ensinadas” aos humanoides. Eles precisam apresentar, além dos movimentos básicos, noção de distância e força do chute, além da interação com outros robôs”, destaca Nunes, da Vivacity.
O evento deste ano acontece em junho, na Holanda. A próxima edição, de 2014, será sediada pelo Brasil. “O campeonato vai acontecer ao mesmo tempo que a Copa do Mundo”, diz Nunes.

