Reino Unido está perdendo a batalha contra o crime cibernético

De acordo com o relatório do Comitê de Assuntos Internos do Governo Britânico, a maior parte dos crimes financeiros que acontecem na internet não são relatados para a polícia, e as forças de segurança não têm o treinamento necessário para combater tais atividades.
Membros do parlamento dizem que os crimes com prejuízo financeiro geralmente não são reportados ou investigados pela polícia. Eles são omitidos pelos bancos britânicos, que optam por reembolsar as vítimas. “Você pode roubar mais dinheiro pela internet do que assaltando uma agência bancária, e criminosos de 25 países escolheram o Reino Unido como alvo número um”, atestou o presidente do comitê, Keith Vaz. “O espantoso é que alguns desses criminosos atuam dentro de países da União Europeia. Se não tivermos uma resposta à altura para os crimes do século XXI, os envolvidos nessas gangues vão sair impunes”.
O comitê também está preocupado com a habilidade da corte britânica em lidar com esse tipo de atividade criminal. Ele recomenda que o governo revise o guia de sentenças para assegurar penas semelhantes nos casos de roubo, de dinheiro e informações, tanto no mundo virtual quanto no real. O relatório alerta que o governo precisa estabelecer um centro de excelência de espionagem para responder a ataques online vindos de outras potências ou células terroristas.
“Em um tempo no qual fraudes e crimes online têm aumentado, a capacidade do país de enfrentá-los tem diminuído”, explicam os membros do parlamento. “Os ministros se deram conta dessa ameaça, mas está claro que os recursos não estão sendo disponibilizados para que as autoridades responsáveis possam combatê-lo”.
Além disso, o comitê pede a legisladores britânicos mais esforço para remover da rede conteúdo extremista e pornografia. “Os jovens estão se radicalizando por causa dos discursos de religiosos no YouTube, enquanto assassinatos trágicos mostram as terríveis consequências do acesso a imagens indecentes na internet”, pontua Vaz. Em resposta, provedores de internet, mecanismos de busca e sites de rede sociais são encorajados a ser mais proativos na remoção de conteúdos impróprios.
O relatório do comitê chega no mesmo dia no qual o Escritório Nacional de Estatísticas divulga dados mostrando que, apesar do crescimento da área de TI no país, a segurança da informação continua sendo um ponto fraco, tendo poucos profissionais com capazes de lidar com a demanda.
Entretanto, o governo disse para a BBC que está agindo contra as ameaças virtuais, investindo mais de US$ 1,3 bilhão no Programa Nacional de Segurança Cibernética para desenvolver e manter formas eficazes de combate aos crimes cibernéticos.
Mesmo assim, nem todos estão convencidos. O grupo CBI acredita que a proposta do parlamento de tornar obrigatório a comunicação de crimes cibernéticos não vai ajudar. “Propostas para forçar empresas a reportarem ataques em vez de de focar no combate ao ataque internamente pode ser contra produtivo e colocá-los em grande risco”, avisa o diretor da CBI para mercados competitivos, Matthew Fell. “Essa obrigação pode também colocar a segurança em risco, uma vez que a burocracia atrapalha a troca de informações entre as empresas”.
O vice-presidente de produtos da Barracuda Network, Klaus Gheri, adiciona: “O crescimento da ameaça de crimes na internet não acontece apenas no Reino Unido. O perigo é o mesmo em todos os lugares. As agências de seguranças estão mal equipadas para proteger contra a guerrilha virtual. Redes sociais são território caça para ataques de espionagem e uma via de acesso para os criminosos lançarem ataques contra empresas”.
Entretanto, Gheri concorda que “governos têm a maior responsabilidade”, e pede para o parlamento criar uma legislação obrigando que as empresas “possuam um mínimo necessário de segurança cibernética”.
