Rede de um lado, serviço de outro

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9:45 pm - 23 de maio de 2011

Diante da ausência de celulares no interior do País, do baixo consumo de banda larga e da estagnação da telefonia fixa, o governo reconhece que é importante rever o modelo de regulamentação do setor de telecomunicações. A proposta da Anatel é a desagregação de redes, que implica criar uma empresa de infra-estrutura de rede que venderá esses ativos para novas empresas especializadas em serviços. Esse modelo, aliás, foi muito discutido durante a privatização quando a Inglaterra já tinha o adotado para privatizar as estatais daquele País.Plínio Aguiar, presidente da Anatel, anunciou sobre essa possibilidade durante o discurso feito na abertura da Futurecom 2006, cuja repercussão foi bastante divergente entre os gestores do setor. Roberto Lima, presidente da Vivo, viu com bons olhos a possibilidade de criar uma nova empresa, responsável pelas redes móveis do Brasil. “Os acionistas dessa empresa seriam as próprias operadoras”, sinalizou. Mário Sérgio Ferreira de Araújo, presidente da TIM, também confirmou que o modelo adotado na Inglaterra se aponta como uma tendência.Veja especial completo da Futurecom aqui.O grupo que representa as operadoras fixas já não enxerga essa mudança como uma evolução nem como alternativa para buscar a convergência e a competição do setor. Fernando Xavier, presidente da Telefônica, afirmou apenas que precisa analisar profundamente sobre os planos da Anatel. “A Inglaterra foi inovadora ao adotar tal modelo e mudou a regra do jogo naquela época, mas não se tornou uma tendência da Europa”, alerta Xavier e sinaliza que uma empresa de rede pode não fazer os investimentos necessários para a sua modernização. Luiz Falco, presidente da Telemar, é radicalmente contra a idéia de criar uma nova empresa de infra-estrutura, cujo investimento foi altíssimo e se mantém constante. Falco é a favor de compartilhar infra-estrutura de rede sim, mas desde que se trate de plataformas que demandam novos investimentos e representam novos negócios.O forte apoio do presidente da Vivo à proposta da Anatel, que ainda não foi apresentada nem discutida para o setor de telecomunicações, surpreendeu Falco que enxerga viável compartilhar nova infra-estrutura de rede, mas não concorda com a desagregação da rede já construída. Lima explica que o novo modelo se apresenta mais eficiente porque reduz drasticamente os custos operacionais. Vale lembrar, entretanto, que a Vivo é a única operadora que utiliza a tecnologia CDMA e já anunciou que irá investir em GSM, padrão utilizado pelas demais concorrentes como Claro e TIM. Diante disso, torna-se mais compreensível a posição da Vivo apoiar tal suposição da Anatel.O Ministro das Comunicações, Hélio Costa, que deixou claro que é o ministério quem direciona a regulamentação do setor afirmou que não alisou a desagregação das redes como alternativa para revisão do modelo adotado.* Enviada especial do IT Web e InformationWeek Brasil a Florianópolis (SC). A jornalista viajou a convite da Juniper. 

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