Qual a melhor estratégia para virtualização de desktops?

Além do VDI, cresce a adoção dos modelos de “desktop persistente” ou "não persistente".

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7:52 am - 02 de junho de 2011

Com os servidores virtualizados no centro de dados, a virtualização de desktops emerge muitas vezes como o passo seguinte mais lógico na evolução tecnológica de uma organização. Mas as empresas estão descobrindo que os benefícios das tecnologias para alojar e gerir desktop virtuais envolvem algumas diferenças. As vantagens podem ser mais difíceis de quantificar e será mais difícil de justificar, com base em cálculos puramente tradicionais de retorno de investimento (ROI). Então, como se poderá calcular e quantificar essas vantagens, escolher a tecnologia certa e desenvolver com sucesso um projeto de infraestrutura de desktops virtualizados, ou Virtual Desktop Infrastructure (VDI)?

A primeira coisa a fazer é obter um entendimento claro dos potenciais benefícios, dizem vários consultores, analistas e utilizadores.

Os ganhos da virtualização de desktops são muito diferente dos observados com a virtualização de servidores. Embora neste caso se produzam poupanças visíveis através da consolidação de hardware dos servidores físicos e do aumento da utilização de recursos, a maioria dos departamentos vai perceber que o alojamento de PCs virtuais requer algum terreno virgem, para suportar novas infraestruturas no data center. Mas isso não impede muitos departamentos de TI de explorarem as várias
possibilidades.

“2011 é o ano em que muitos dos conceitos de virtualização de desktop vão amadurecer em implantações reais”, diz Ian Song, analista da IDC. Mas, até agora, acrescenta, a maioria dos projetos é ainda de escala reduzida. A empresa de estudos de mercado estima que apenas cerca de 13,5 milhões, dos 400 milhões de PCs a serem fornecidos durante o corrente ano, serão para implantações de VDI – pouco mais de 3%. Em 2014, esse número vai mais que duplicar, para 34 milhões (quase 7% do mercado
global).

Os números da Gartner são mais conservadores. “Embora constitua uma grande oportunidade, acreditamos que apenas 10% a 12% da base instalada de utilizadores de PCs vão realmente usá-los nos próximos dois a três anos”, diz a analista Mark Margevicius.

É uma tecnologia que tem de ser escolhida para as situações mais corretas. Song acredita que a tendência atinja o seu auge ao conseguir entre 15% e 18% dos desktops empresariais.

Soluções

A arquitetura mais popular hoje para a virtualização de desktops é a VDI. Um bom exemplo é o VMware View, no qual instâncias de Windows XP ou 7 rodam em máquinas virtuais, separadas do servidor físico de suporte. Essa separação acontece através de uma camada de software, como o hipervisor da VMware, vSphere. Esse software permite que cada PC virtual tenha acesso exclusivo ao hardware enquanto serve como “guarda” de tráfego para todas as solicitações ao hardware partilhado por “baixo” dele.

A virtualização de desktops pode assumir uma forma
mais ampla – como uma maneira de remover o ambiente
de desktop Windows do PC físico e hospedá-lo
no data center. Essa ideia tem sido
promovida desde que a Microsoft apresentou o Terminal
Services (agora Remote Desktop Services)
com o Windows NT 4.0, em 1996. Este software tem disponibilizado aplicações Windows hospedadas dentro de sessões de terminal, com o
Windows Server funcionando como o sistema operativo
para múltiplos usuários.

A Citrix alarga essa abordagem incluindo a apresentação
de um ambiente de desktop com sistema Windows
simulado usando o RDS/Windows Server.
Em ambos os casos, o método de ligação é semelhante:
um dispositivo cliente físico (um “thin
client” ou PC executando um software cliente especial)
troca informação com o mouse, o teclado e o monitor,
e o desktop Windows simulado é executado numa
sessão de terminal, ou numa máquina virtual Windows
residente em um espaço de alojamento de “back
end”.

A tecnologia tem melhorado desde os primórdios da
computação baseada em servidor. Hoje, o desempenho
é cada vez mais rápido e o desktop virtual do usuário pode incluir qualquer nível de personalização
permitidas pelas políticas da empresa. E no
modelo de RDS, os usuários podem trabalhar
dentro de um ambiente de desktop virtual completo,
em vez de terem de escolher as aplicações a partir
de um menu de aplicações virtualizadas.

Persistência e eficiência

Enquanto a VDI está no topo do ciclo de entusiasmo,
há muitas variantes e opções. Por exemplo, pode-se
escolher um modelo de “desktop persistente”, onde
cada usuário tem a sua própria instalação, totalmente
dedicada e personalizável do Windows residente
numa máquina virtual alojada. Ou, então,
optar pelo modelo VDI “não persistente” e mais eficiente,
no qual muitos desktops virtuais são colocados para funcionar a partir de uma imagem comum de
disco.

Não existe uma solução única para todas as situações.
“Cada grupo de usuários tem o seu próprio
conjunto de requisitos e parâmetros, e combinações
diferentes de tecnologias podem servir vários
grupos dentro de uma organização”, diz Steve
Kaplan, vice-presidente da INX, prestadora de
serviços de virtualização de infraestrutura de data centers. E, para algumas aplicações, a tecnologia
simplesmente não faz sentido.

Nos últimos anos, o custo de implantação foi decrescendo,
embora o investimento inicial necessário
na infraestrutura dos data centers ainda seja
elevado. “Nós não assumimos os desktops alojados
como sendo menos caros do que um PC, numa perspectiva
de investimento”, diz Margevicius. Este analista da Gartner coloca o custo total de uma
implantação de desktop virtual em cerca de 1,3 a
1,5 vezes o custo de uma implantação de PC tradicional.
“O investimento inicial é o fator limitador
para os nossos clientes”, diz.

No campo dos benefícios, a virtualização de desktops
inclui níveis de segurança mais altos, maior
eficiência operacional e um retorno mais acelerado
à atividade após uma interrupção involuntária.
Que estratégia seguir considerando todos estes fatores?
Mick Slattery lidera os serviços de preparação de
postos de trabalho para a Accenture e para a Avanade,
e considera que, sem outras iniciativas na
parte da infraestrutura, pode ser difícil justificar o
investimento de capital necessário à VDI por si só.
O Co-operative Group, uma das maiores empresas de varejo do
Reino Unido (comercializa alimentos, artigos de farmácia
ou de viagens, entre outros), transferiu 900
dos seus 19 mil funcionários para desktops virtuais
com Windows XP, e planeia prosseguir com o Windows
7.

“Gosto da fluidez com que se faz isto “, diz o arquiteto
técnico, Ian Cawson, comparando a plataforma
VDI XenDesktop com a sua ferramenta tradicional
de distribuição de software, Altiris, para distribuição
de atualizações em massa em todos os 2500
postos da Co-operative. Entre outras razões, “o Altiris
‘mataria’ a rede” em termos de largura de banda,
explica, e obrigava a restaurar a “imagem” de todo
o sistema.

Virtualização de tablets

Atualmente, também não se podem ignorar os pedidos
de acesso a recursos empresariais a partir de
smartphones, tablets e outros dispositivos pessoais.
Como a pressão para acomodar tais dispositivos continua
a crescer, Mick Slattery, da Accenture, vê a
virtualização de dispositivos-cliente como “um passo
interessante”.

“Permite manter um nível de controlo e segurança e
ainda atender às necessidades dos usuários”,
embora, diz Slattery, “surjam alguns problemas de
apresentação da informação no início” quando se
implanta uma área de trabalho virtual ou uma aplicação
de desktop para um tablet ou display de smartphone.
A consumerização dos dispositivos-cliente é exatamente
o que o St. Luke’s Health System está fazendo,
com o prestador de serviços de saúde Summit, do
Missouri.

O piloto em evolução visa suportar a disponibilização
para médicos de ambientes de trabalho Windows
7 virtualizados em iPads pessoais. Dessa
forma, eles podem acessar aplicações clínicas capazes
de fornecer informações do paciente, mesmo
enquanto se movem entre salas.

A virtualização pode ainda ser uma boa maneira de
eliminar a necessidade de usar computadores portáteis
entre casa e escritório, se os usuários já tiverem
um PC ou “thin client” em cada uma dessas
localizações, salienta Kaplan, da INX. “A virtualização
os acompanha,” explica.

A cadeia de varejo Rent-A-Center, por exemplo, lançou
recentemente um piloto de virtualização de desktops.
KC Condit, director de segurança da
informação e suporte, espera evitar a necessidade
de dar dispositivos móveis aos 425 gestores de loja que viajam
até oito lojas por semana. Em vez disso, espera
dotar os gestores com um desktop virtual alojado e
acessível a partir de um computador de casa ou de
um “thin client” em qualquer loja.
O projeto piloto de virtualização na Rent-A-Center
assenta em tecnologia XenDesktop e poderá se tornar um método de acesso seguro para centenas de
contratados, empregados temporários e parceiros de
negócios. Além disso, pode preparar o palco para
outros objetivos da empresa: sair do negócio da disponibilização
e suporte de hardware para clientes.

“Isto abre caminho para a implantação de um modelo
no qual cada funcionário traz o seu próprio
computador, algo que quero implantar este ano para
alguns usuários”, diz Jai Chanani que, como diretor
de serviços de tecnologia e arquitetura da
Rent-A-Center, também trabalhou na criação das
redes de dados para o projeto.

Virtualização de desktops hospedados

A ideia da virtualização de desktops hospedados passa
por virtualizar todo o ambiente de trabalho Windows,
incluindo aplicações, e hospedá-los no centro de
dados. O utilizador interage então remotamente com
o desktop virtual através do mouse e das atualizações
no monitor.

Os fabricantes disponibilizam duas abordagens baseadas
no modelo VDI. De acordo com a primeira
opção, a arquitetura de VDI persistente dá a todos os usuários a sua própria área de trabalho virtual
a qual funciona dentro de uma máquina virtual num
servidor de back-end. Cada usuário tem a sua própria
área de trabalho virtual, que funciona a partir
de um único arquivo de imagem de máquina
virtual dedicada, contendo uma instalação completa
do Windows. O usuário controla a “imagem” do
sistema e qualquer mudança que fizer é registada.

A segunda opção apresenta uma área de trabalho
“não persistente” e virtual, que funciona a pedido, a
partir de um arquivo de imagem comum a servir vários usuários. Quando um usuário termina a
sessão, qualquer alteração feita no desktop virtual
desaparece.

A Citrix apresenta uma terceira opção: o seu “desktop
virtual hospedado partilhado” baseia-se no modelo
XenApp/Presentation Server e oferece um desktop Windows simulado
numa sessão RDS no Windows Server.

Nos casos em que as organizações já usam
o XenApp para disponibilização de aplicações, alguns
departamentos de TI têm assumido como mais
eficiente do ponto de vista do custo a implantação
de XenApp como plataforma para desktops virtuais hospedados e partilhados, em vez de construir uma
nova infraestrutura para VDI, diz Kaplan, da INX.
Tecnicamente, porém, ele não a considera uma tecnologia
de desktops virtuais, pois os usuários
estão partilhando um sistema operacional
Windows Server e não um sistema nativo Windows
XP ou 7 hospedado numa máquina virtual.

“Embora seja possível fazer quase tudo o que se
pode fazer com a VDI usando o XenApp,
o cenário pode tornar-se muito complexo e
oneroso. Por isso, nunca vingou como solução para
substituir o desktop, apesar de ter uma economia
muito convincente”, diz Kaplan. “Na raiz do problema
está o fato de o Windows Server ser usado
de uma maneira imprevista”.

A maioria das implantações de desktop virtual com
tecnologia Citrix usa o XenDesktop para hospedar desktops
num modelo de VDI “não persistente”, de
acordo com aquele responsável.

Adoptando a abordagem dos desktops virtuais “não
persistentes”, existem economias na gestão do
“back-end” e nos gastos com a infraestrutura, porque
este modelo utiliza apenas um arquivo de imagem
único em vez de uma imagem para cada usuário. Além disso, ocupa menos espaço de armazenamento
em rede.

Quando os usuários terminam a sessão, os seus
desktops virtuais podem ser desligados. Mas é mais
comum para manter os desktops virtuais em estado
de suspensão, para que os usuários possam  começar
a trabalhar mais rapidamente quando voltarem a se autenticar no sistema. De fato, no modelo dos desktops
virtuais “não persistentes”, os gestores de
sistemas podem manter um conjunto de sessões de
máquinas virtuais em execução ou em suspensão,
para que os novos usuários possam começar logo
a trabalhar, mal se autentiquem.

Antes de implementar uma VDI, reduzir os tempos
de inicialização nos PC era um dos pedidos mais frequentes
dos empregados, diz Kevin Summers, CIO
da Whirlpool. Agora, os usuárioss iniciais da VDI
estão a perceber que conseguem começar a trabalhar
mais rapidamente. “Estão menos frustrados”,
considera.

Muitas vezes os departamentos de TI consideram as diferentes
opções como soluções concorrentes, diz
Margevicius, da Gartner. Mas as tecnologias são
realmente complementares. Uma abordagem pode
ser mais adequada do que outra para um determinado
caso de uso, mas duas ou mais tecnologias
também podem ser usadas em conjunto para
criar soluções capazes de responder mais facilmente
às necessidades de grupos específicos de usuários.
Por exemplo, um departamento de TI pode implantar
uma área de trabalho virtual para um usuário com
o Microsoft Office instalado, e disponibilizar outros
programas na área de trabalho virtual, utilizando a
virtualização de aplicações.

O utilizador vê um ambiente de trabalho unificado,
enquanto o departamento de TI consegue, assim, melhorar
a estabilidade dos sistemas, evitando conflitos
induzidos pelas aplicações.

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