Portabilidade: apenas 5% dos usuários devem trocar de operadoras, estima 3G Americas

O número de usuários que trocarão suas operadoras depois que a portabilidade numérica virar realidade no Brasil deve ficar na casa dos 5%. A estimativa é do diretor da 3G Americas para a América Latina, Erasmo Rojas, que aponta como inibidores do processo o custo repassado para o usuário que deseja fazer a migração e a obrigatoriedade de o cliente comparecer pessoalmente no ato do pedido. Em entrevista ao IT Web, Rojas destacou que um novo cenário “mais equilibrado entre as operadoras, beneficiando o consumidor” se criará com a portabilidade. IT Web – O que a portabilidade numérica representa, no Brasil, para usuários e operadoras? Erasmo Rojas – A portabilidade numérica representa flexibilidade para o usuário, que passa a ser o dono do seu número de telefone e não mais a operadora. Isso é um desafio para a operadora, pois gera a necessidade de investimentos adicionais na rede para construir uma central de integração que armazene todos os números de telefones dos seus assinantes em bancos de dados externos. As operadoras também precisam monitorar a satisfação dos seus clientes, uma vez que a migração para outras operadoras ficará mais fácil. Este tipo de monitoramento é especialmente difícil entre usuários pré-pagos (que são 80% das linhas móveis no Brasil) porque a operadora, normalmente, não conhece esse cliente tão bem ou dificilmente mantém um contato próximo com esse público. No caso das operadoras, com os preparativos da portabilidade para meados de 2008, elas devem melhorar a qualidade dos seus serviços e o atendimento ao cliente. Isto cria também a necessidade de conhecer melhor os usuários pré-pagos: por exemplo, levando à criação de programas de fidelidade com minutos extras nos cartões de pagamento.IT Web – Como o senhor avalia a decisão da Anatel pela portabilidade numérica?Rojas – É um bom começo para proteger o consumidor (que deve chegar a 100 milhões de usuários em breve), mas também requer uma boa coordenação e fiscalização da agência neste período de preparação de 18 meses com as operadoras e a empresa externa – encarregada de gerir o central de integração que será o centro de administração e registro de todos os números sem fio no Brasil. A Anatel também precisa definir qual será o preço máximo cobrado por uma operadora “receptora” para qual o cliente vai migrar, baseado nas suas próprias estimativas e referências de outros países, como nos Estados Unidos onde a portabilidade numérica já foi implementada. A portabilidade numérica cria um cenário mais equilibrado entre as operadoras, beneficiando o consumidor sem fio.IT Web – Em comparação com países, nos quais a portabilidade é realidade, como o senhor acredita que o Brasil se comportará? Rojas – Baseado nas atuais tendências competitivas no Brasil, em meados de 2008, quando a portabilidade numérica começará a se tornar uma realidade, o mercado deve ser bastante competitivo, com pouca diferença na participação entre as três ou quatro maiores operadoras sem fio. Isto pode incentivá-las a fazer um esforço para convencer clientes pré-pagos de maior renda (que precisam ser identificados) a migrar para planos pós-pagos ou contratos. Como, hoje em dia, a maioria delas operam com a mesma tecnologia (família GSM), o terminal não será um impedimento para o usuário que gostaria de migrar para outra operadora. Nos EUA, dois anos após a implementação da portabilidade numérica (entre o fim de 2003 e fim de 2005), apenas 9% de todos os usuários migraram para outras redes sem fio. No Brasil, existem dois aspectos que podem reduzir ainda mais essa migração para a casa dos 5%. O primeiro é o custo para o usuário que deseja migrar para a operadora “receptora” mantendo seu próprio número; e o segundo é o fato da proposta atual da Anatel requerer a presença física da pessoa no ato do pedido de portabilidade, que não poderá ser feito por telefone ou via internet. Isto reduz a eficácia do processo.IT Web – Quais são os prós e contras da portabilidade?Rojas – As vantagens incluem a desvinculação do usuário a uma operadora, ou seja, o ele será o dono do número. Além disso, as operadoras que implementarem as melhores práticas sairão ganhando. Os desafios incluem a necessidade de efetuar investimentos sem a garantia de um benefício econômico direto e a maior distância entre os usuários e as operadoras. Outro benefício da portabilidade numérica é a possibilidade de melhor quantificar o número real de usuários sem fio ativos hoje, porque o volume reportado pelas operadoras pode incluir ou duplicar assinaturas ou usuários inativos.
