Policia britânica também sofre com problemas tecnológicos

A polícia do Reino Unido precisa começar a abraçar tecnologias modernas ou não será capaz de cumprir seu principal papel: a prevenção de crimes, em vez da detenção.
Esta foi a mensagem entregue na semana passada pelo novo regulador da polícia no país, Tom Winsor. Se os policiais britânicos derem a devida importância aos princípios básicos de sua profissão, articulados pelo Sir Robert Peel, em 1829, incluindo que ?os crimes são o principal propósito da polícia e que o propósito não deve, jamais, ser esquecido ou diluído?, eles devem reformular infraestrutura, incluindo o uso de smartphones e outras tecnologias, disse Winsor.
Winsor, no ano passado, propôs, em um relatório independente, que a polícia deveria usar ?práticas modernas de gestão, alinhadas com as práticas em outras áreas públicas e da economia?. Ele opinou, ?é impressionante que a tecnologia disponível para a polícia, especialmente em interações com outras partes do sistema judicial criminal, seja tão rudimentar e primitiva como é. É uma grande perda de eficiência?.
Winsor é advogado e ex-regulador do setor ferroviário britânico, com zero experiência com polícia. Seu cargo, no ano passado, como Inspetor-chefe do regimento policial ? em termos práticos, chefe da organização responsável pelas melhores práticas em campo ? não foi bem recebido por diversos oficiais por essa razão. No entanto, ele disse que soube ?das gritantes frustrações? dos oficiais de polícia enquanto sofrem com sistemas antigos e desatualizados. A visão de Winsor: um dispositivo como um smartphone que irá permitir que o policial de campo tenha,literalmente, em mãos, a inteligência do banco de dados de sua força local.
Talvez ele enfrente uma batalha. A modernização já foi sugerida antes, com governos anteriores patrocinando diversos dispositivos-piloto, como BlackBerrys. Mas os projetos nunca foram implementados. ?Em uma visita, um policial me entregou um dispositivo PDA que ele havia recebido há dois anos, e, desde então, metade das funcionalidades haviam sido removidas?, disse Winsor. ?Eu não via um dispositivo daqueles há uns 10 anos. Era praticamente inútil?, disse ele.
A natureza fragmentada da provisão de tecnologia da polícia britânica também é um problema, de acordo com Winsor. O país não tem uma estrutura nacional, mas é composto por um conjunto de 43 forças federais locais, assim como outros tipos especiais de polícia. Como resultado, ?no passado, forças especificas adquiriram tecnologias separadamente ou em colaboração com algumas poucas ? bem poucas ? outras?, disse Winsor, e isso precisa mudar: ?Existe a necessidade, agora, de uni-las em um único sistema coerente e eficiente, que respeite responsabilidades locais, mas que adquira, mantenha e desenvolva todos os benefícios de um sistema conectado… Tecnologia é uma das principais áreas em que a eficiência policial pode melhorar, e seu atual estado fragmentado deve ser aprimorado urgentemente?.
Há dois anos, a Secretária do Interior, Theresa May, disse aos participantes da conferência ACPO que eles estavam desperdiçando £ 1.2 bilhão (US$ 1.9 bilhão), todos os anos, em TI ruim, devido a redes não coordenadas e aquisições. A solução proposta por ela: uma nova empresa de tecnologia policial britânica para produzir um sistema unificado que reduziria as contas com tecnologia da informação e traria a eficiência que Winsor quer.
No entanto, dois anos se passaram e tal organização ainda não existe e, de acordo com o Parlamento, não vai existir tão cedo, já que não existe uma data para o lançamento ou detalhes de como irá operar. No meio tempo, o Ministério do Interior da Inglaterra tem um gasto de £ 356.000 (US$ 552.000) em infraestrutura e £ 1.8 milhão (US$ 2.8 milhões) com consultores e advogados.
Entretanto, o Ministério do Interior nega que o projeto não esteja em andamento, e disse ao The Independent que ?a empresa de TIC proposta para a polícia irá comprar tecnologia de computador mais barata e garantir que os sistemas funcionem por todas as forças. Nossos desafios permitirão que a polícia foque apenas no combate aocrime?.
Também na semana passada, um grupo de pensadores dominou as manchetes brincando ? em partes – que uma rede de caixas Tardis atualizadas, famosas pelo programa de TVSci-fi, Doctor Who, poderia ser um aprimoramento na atual tecnologia da polícia. As caixas ofereceriam ?pontos de contato ativados tecnologicamente, com tecnologia de audiovisual bidirecional, para que os membros do público pudessem se comunicar diretamente com as equipes policiais para denúncias, depoimentos, discussão de problemas e prioridades e acesso a informação?, disse o grupo.
