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O que líderes brasileiros vão fazer quando se aposentarem?

A saída de Bill Gates do comando da Microsoft reabriu as discussões sobre um tema delicado. A sucessão em empresas que têm em seus fundadores a “cara” da empresa nunca é simples.

Além da aposentadoria, as empresas precisam se prevenir caso aconteça algum imprevisto ou acidente. Saiba como empresas como BRQ, YKP e Stefanini estão se preparando para a sucessão.

Benjamin Quadros, que fundou a BRQ, diz que procura se ausentar freqüentemente para ter certeza de que a empresa caminha sem sua presença. Pouco tempo atrás, ele foi para um curso de um mês fora do Brasil e garante que não teve surpresas ao voltar. “Na verdade, a estrutura de gestão já não depende de mim; a minha parte é ser a imagem da empresa”, resume.

Com 40 anos, o executivo afirma que pretende trabalhar durante mais 20, mas que deverá partir para o conselho, para acompanhar o trabalho de outro presidente. Enquanto isso, ele convive com o desafio de formar a pessoa que vai assumir seu lugar. Indiretamente, os planos de abertura de capital estão ajudando. “Com a abertura de capital teremos vários sócios e isso profissionaliza a empresa”, diz.

Outro executivo fundador de empresa em atividade é Marco Stefanini, que ressalta a criação do conselho de administração no ano passado ajudou muito no desafio de fazer a empresa sobreviver se um dia não contar com sua presença. “Nele estão o presidente da Claro, João Cox, e o ex-ministro Luiz Furlan”, enumera.

A Stefanini – empresa que leva seu sobrenome – também aposta na implantação de um sistema de governança de TI, que é um passo necessário para a abertura de capital, mas que também ajuda na formalização de ações e na continuidade dos negócios, mesmo sem sua presença.

O atual presidente também diz que fortaleceu a atuação da área de recursos humanos para reter talentos e treinar pessoas – para que possa pensar em sua aposentadoria, daqui pelo menos cinco anos, quando tiver completado 52 anos.

A estratégia de Yim King Po, diretor presidente (e fundador) da YKP, é divulgar a empresa mais do que a si mesmo. Além disso, ele pretende seguir passos de Bill Gates, que há tempos já não é o líder maior da Microsoft, mas que não deixou o posto de uma hora para a outra para manter o mito de que as decisões ainda passam por ele.

Po também acredita que a profissionalização da YKP se beneficia do fato de ele não ter nenhum parente atuando internamente. No dia-a-dia, ele se preocupa em criar padrões. “Costumo dizer que eu criei a Constituição e que as pessoas abaixo de mim têm a autonomia de escrever emendas quando é necessário”, compara. Segundo ele, o que está escrito faz com que diminuam os conflitos.

Para poder parar daqui 10 anos, aos 60 de idade, ele procura delegar cada vez mais e também criou um comitê, para atuar mais na linha de negócios. “O mundo é da colaboração e é isso que eu prego na empresa, enquanto não encontro – ou treino – o sucessor”, finaliza.

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