O perfil do novo provedor de acesso à Internet

A concorrência fez com que os provedores se transformassem em verdadeiros portais, cada vez mais preocupados com o conteúdo. É o caso do IG, Net Gratuita, Terra Livre, entre outros. “O nome da companhia e a facilidade de acesso deixaram de ser os fatores mais importantes para o cliente na hora da escolha. O provedor precisa precisa ter valor agregado, oferecer serviços diferenciados, notícias e até promoções”, afirma Claúdio Pecorari, presidente da PSINet no Brasil, provedor de acesso voltado ao mercado corporativo que comprou, nos últimos dois anos, uma dezena de pequenos provedores.
Por esta exigência do mercado e por falta de capital para competir as companhias menores foram extintas. “As menores empresas ganharam dinheiro quando a Internet entrou no Brasil porque não existia investimentos de corporações internacionais. Hoje, a situação é outra. Aquisições, alianças e fusões se tornaram obrigatórias para sobrevivência.”, explica Antonio Tavares, presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet (Abranet) e da DialData, que foi comprada pela Via Network.
O mais importante neste momento, segunto Tavares, é definir a vocação da empresa, ou seja, se seu público-alvo é o mercado corporativo ou o usuário final, e depois investir neste segmento fazendo parcerias com outras companhias que tenham o mesmo interesse.
O Zaz, por exemplo tinha mais de 300 mil assinantes, mas após a parceria com o Terra Networks este número cresceu para 450 mil, somente na área de acesso pago, batizada de Terra Premium. “O Terra é extremamente poderoso no mundo, está presente em países da Europa, América Latina e Estados Unidos e com esta parceria conseguimos conquistar uma fatia do mercado que estava interessada em uma rede integrada, com conteúdo internacional de boa qualidade”, diz o diretor de marketing do portal, Fernando Madeira.
Além dos investimentos em conteúdo e serviços, desde janeiro deste ano os provedores para pessoa física passaram a oferecer acesso gratuíto. “Era a tendência natural, já tinhamos browsers gratuitos, como Netscape, sites de busca como o Yahoo e portais de informações, então por que não oferecer também acesso grátis à Rede?”, questiona Pecorari.
Mas omercado recebeu o acesso grátis com cautela. Segundo o presidente da Abranet, o usuário não se desfez de seu antigo provedor, por enquanto está testando os gratuitos e somente com o tempo deverá se posicionar. “Se a pessoa utiliza a Internet para pequenas consultas, o gratuito é perfeito. Mas se ela faz negócios pela rede ou trabalha com informações, é muito mais vantajoso ter um provedor completo”, acrescenta.
O diretor do ZAZ concorda com Antonio Tavares. Segundo ele, não houve grande migração dos antigos assinantes do Terra Premium para o Terra Livre. “Oferecemos um pacote de serviços no Premium, como direito a transferência de arquivos utilizando um disco rígido virtual, que não utiliza caixa postal, não precisa de disquete e, portanto, o usuário se sente recompensado.”
Para Fernando Madeira, a empresa não tem nenhuma vantagem em oferecer o acesso grátis, ao contrário, tem prejuízos. Mas ela precisa se manter no mercado e, para isso, conquistar clientes. “É muito cedo para saber o que vai acontecer, a única certeza é que para sobreviver os portais têm que oferecer conteúdo, acesso e algum tipo de comércio eletrônico”, completa o diretor de marketing do ZAZ.
