O mundo conectado

Em sua segunda visita ao Brasil, Maloney falou com exclusividade para a InformationWeek Brasil sobre a visão da companhia sobre comunicação, oportunidades no mercado brasileiro e previsões para o desenvolvimento de novas tecnologias, como o WiMax. InformationWeek Brasil – A Intel é uma grande entusiasta de tecnologias de comunicação sem fio, como o Wi-Fi e o WiMax. Qual é a visão por trás dessa estratégia? Sean Maloney A idéia do computador pessoal foi a de que cada pessoa deveria ter o seu. O sucesso dessa visãoatingiu sua plenitude com a Internet. Hoje, você sabe que pode ler qualquer jornal do mundo, que poderia colocar meu nome no Google e saber tudo a meu respeito. Qualquer livro, qualquer música, qualquer filme está disponível. A visão que baseia o Wi-Fi ou o WiMax é de que cada pessoa possa levar tudo isso para onde estiver. Além disso, as pessoas poderão comunicar-se de um modo muito mais completo. Estamos criando redes virtuais de pessoas. E as pessoas adoram se comunicar. IWB Em sua opinião, todo esse acesso a sistemas de comunicação tornará as pessoas mais solitárias ou mais integradas? Maloney Com certeza, mais integradas. Eu, por exemplo, viajo muito e definitivamente estou menos solitário por poder conversar com minha esposa às 2 da manhã. Meu filho está em Roma, ??mochilando? pela Europa, e com certeza sente-se menos sozinho por poder conversar conosco. O lado ruim desse cenário são as constantes interrupções e a falta de paz. Mas o lado bom é que acabamos em um mundo virtual no qual estamos sempre rodeados por nossos amigos. IWB Quais são suas expectativas em relação ao WiMax? Maloney O aspecto mais importante da tecnologia da informação é, de longe, o acesso em banda larga. O Brasil, assim como a maior parte dos países, tem dificuldades nessa área, porque fal-ta esse acesso. Em todos os segmentos de negócios, a pro-dutividade depende do acesso. Queremos uma tecnologia econômica, mas com a qual possamos criar redes que cu-bram toda uma cidade ou, até mesmo, todo um país. Esse é o diferencial do WiMax. IWB Você acredita que os padrões WiMax estarão disponíveis já no início do próximo ano? Maloney – Não. Será como aconteceu com o Wi-Fi. Primeiro teremos o 802.16d, que está prestes a ficar disponível. Depois teremos o 802.16e, queestará disponível em meados de 2007. Costumamos pensar em algo em torno de três anos para ter um padrão realmente amadurecido. IWB O Brasil e os demais países latino-americanos poderão aproveitar o WiMax de alguma forma especial, diferente dos mercados desenvolvidos? Maloney Acredito que sim. O principal problema no Brasil é a falta de infra-estrutura. Apenas uma pequena porcentagem dos brasileiros tem acesso aos serviços de banda larga e é isso que o WiMax irá resolver: levar a banda larga a quem não tem. IWB Quais as iniciativas da Intel na área de telefonia celular? Maloney Estamos desenvolvendo chips para os chamados smartphones, que, além de permitirem a comunicação por voz, trazem funções adicionais como foto, vídeo, messaging e coisas do gênero. IWB Você acredita que o WiMax e os celulares vão competir em algum momento? Maloney Não. Ao contrário, eles vão convergir. Os chips de WiMax serão integrados aos celulares, que passarão a funcionar em ambas as infra-estruturas. IWB Você esteve no Brasil em 1998. Como vê as mudanças do país nesse período? Maloney Hoje tem muito mais trânsito!! (risos) Acho que, como em todo o mundo, a comunidade de negócios está muito mais interada sobre o que está acontecendo em toda parte. Todos sabem o que todos estão fazendo graças à internet. E essa tendência está crescendo fortemente aqui também. O que ainda não está acontecendo aqui mas creio que vá acontecer em breve é o crescimento do uso de notebooks. Aqui ainda há muitos desktops, enquanto em outros países cada vez mais as pessoas compram laptops. Especialmente na Europa, onde as pessoas viajam muito, estão sempre com seus computadores portáteis.
