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Startup alemã é a aposta de uma IA generativa europeia transparente e regulamentada

Focada em maior transparência para atender às regulamentações da região, a União Europeia busca sua própria gigante de inteligência artificial, e a startup alemã Aleph Alpha desponta como candidata. Jonas Andrulis, fundador da Aleph Alpha, lidera esse esforço para criar uma IA generativa europeia. A startup já possui milhares de clientes, apesar de céticos da indústria questionarem sua capacidade de competir com gigantes como Google e OpenAI. A UE espera que a Aleph Alpha possa contrabalançar o domínio americano em uma tecnologia que pode redefinir uma era, devido a divergências de valores e preocupações de privacidade.

Andrulis, ex-funcionário da Apple, estabeleceu a Aleph Alpha em Heidelberg, na Alemanha, focando em grandes modelos de linguagem (LLM). Embora não tenha pontuações melhores que concorrentes americanos em testes padronizados, a empresa atrai interesse e já atende a uma demanda de diversos setores, oferecendo IA em várias línguas e priorizando a transparência em suas decisões.

Leia mais: Incerteza regulatória lança sombra sobre a IA generativa apesar do ritmo de adoção

Os clientes atuais da Aleph Alpha, incluindo bancos e agências governamentais, utilizam seu LLM para redigir relatórios financeiros, condensar extensos documentos e criar chatbots especializados em operações corporativas. Jonas Andrulis disse ao Wired que sua tecnologia pode executar tarefas equivalentes àquelas que poderiam ser delegadas a um estagiário. No entanto, ele enfatiza o desafio de personalizar a IA de modo que as empresas possam influenciar seu funcionamento, até mesmo permitindo chatbots com tons mais agressivos ou sarcásticos.

Andrulis não vê os LLMs como o objetivo final, pois a empresa visa construir uma forma de inteligência artificial geral (AGI).

A aposta de Aleph Alpha

O sistema da Aleph Alpha já é capaz de se expressar em alemão, francês, espanhol, italiano e inglês, e seu conjunto de dados de treinamento engloba a vasta coleção de documentos públicos multilíngues publicados pelo Parlamento Europeu, embora ultrapasse o domínio exclusivo de línguas europeias.

A ênfase na tomada de decisões transparentes e explicáveis faz parte de um esforço para enfrentar o desafio dos sistemas de IA que “alucinam”, ou seja, compartilham informações com confiança, mesmo quando estão equivocadas.

Jonas Andrulis demonstra a Morgan Meaker, do Wired, a capacidade de rastrear as decisões tomadas pela IA ao clicar em palavras específicas nas respostas geradas pelo sistema. Isso permite que ele reveja o trecho do conteúdo que influenciou a decisão da IA em suas respostas. Esse recurso também é aplicável a imagens, onde Andrulis pode destacar partes da imagem para mostrar como a IA chegou a determinadas descrições.

Especialistas em IA, como Nicolas Moës, consideram essa abordagem inovadora e destacam o potencial de uma maior disseminação desse tipo de recurso, especialmente à medida que a União Europeia implementa sua Lei de IA, que se espera que inclua requisitos de transparência.

A Aleph Alpha demonstra expertise notável em relação à proteção de dados e segurança. No ano passado, inaugurou seu primeiro centro de dados em Berlim, visando atender setores altamente regulamentados, como governamentais e de segurança. Esse movimento busca assegurar que informações sensíveis permaneçam hospedadas na Alemanha, evitando o envio de dados confidenciais para o exterior. Além disso, a empresa enfatiza a importância de incluir as línguas europeias no cenário da inteligência artificial, com o intuito de evitar a exclusão linguística nos avanços tecnológicos.

O debate sobre regulamentações mais rigorosas para a IA segue quente, com alguns argumentando que tais regras podem impulsionar a qualidade e a inovação das empresas europeias de IA, similar ao sucesso de outras indústrias altamente regulamentadas na Europa, como a indústria automobilística.

Com 41 anos, Jonas Andrulis deixou sua posição de três anos na Apple em 2019 para explorar o potencial da IA além das limitações das grandes corporações. Ele estabeleceu a Aleph Alpha em Heidelberg, uma cidade no sudoeste da Alemanha. A empresa focou na construção de modelos de linguagem avançados, um tipo de IA que identifica padrões na linguagem humana para gerar texto ou analisar documentos extensos. Dois anos após sua fundação, a Aleph Alpha obteve US$ 27 milhões em financiamento, com indícios de uma nova rodada de financiamento no horizonte.

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*Com informações do Wired

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