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Ripple no Brasil: modelo de negócio e iniciativas ao blockchain

A tecnologia blockchain, que funciona como um registro distribuído que fornece maior credibilidade e controle aos dados inseridos dentro dessa base, ainda não é utilizada em larga escala dentro das empresas. Porém, vem atraindo o interesse de líderes de tecnologia, que acreditam em uma massificação de uso no médio prazo. 

Dentro das empresas que já atuam com essa tecnologia está a Ripple, empresa cuja principal solução de negócio (RippleNet) é uma rede global de pagamentos que usa blockchain para melhorar a eficiência da transferência de valores entre países. 

Para entender mais sobre a RippleNet, atuação da empresa no Brasil e iniciativas envolvendo o blockchain, conversamos com Luiz Antônio Sacco, diretor geral da empresa na América Latina, para obter um panorama mais abrangente da companhia. 

Abaixo, você confere a entrevista na íntegra, mas também separamos logo após do vídeo alguns dos tópicos abordados durante o bate-papo com o profissional: 

Ripple vs XRP

O executivo explica que a criptomoeda não tem relação comercial com a Ripple, sendo que o ponto em comum entre ambas é o fato de que algumas pessoas que constituíram a empresa também participaram do desenvolvimento do ativo digital, o que garantiu a ele compatibilidade com as soluções criadas dentro da firma. 

“A tecnologia da Ripple permitem que você trafegue o XRP, mas a empresa nasceu para resolver um problema real de transações internacionais, que passa pelo dinheiro como nós conhecemos, como moeda fiduciária”, complementa 

Atuação dentro do setor financeiro

O principal produto comercializado pela empresa é a RippleNet, uma rede global desenvolvida por blockchain que realiza transferências de pagamentos entre países. O serviço é comercializado para bancos e instituições financeiras, que podem utilizar a estrutura para aos clientes finais. 

De acordo com Sacco, a vantagem da plataforma é a otimização do processo e consistência da rede. “Dificilmente você consegue fazer isso [envio internacional de valores] de forma rápida e instantânea, como uma mensagem. É muito caro você mandar dinheiro para fora e, de uma forma geral, de 6% a 8% das vezes você tem problema de confiabilidade da transação de dinheiros.” 

Chegada da empresa ao Brasil

Baseada em blockchain e criada com o objetivo de transacionar valores em escala global, a RippleNet é uma rede que só se torna efetiva quando seus “nós” estão espalhados em diversas partes do mundo. Após implementações no Japão (correspondente ao mercado da Ásia) e Dubai (Oriente Médio), nosso país entrou no mapa 

“O Brasil foi escolhido pelo preso que naturalmente tem dentro do mercado. Temos um fluxo de remessas, de pagamentos internacionais muito grande na região latino-americana, e há uma receptividade muito grande nas empresas.” 

Segundo o diretor geral, a Ripple iniciou conversas com instituições financeiras daqui ao longo de 2018 e, quando os contratos foram firmados, a empresa se sentiu segura para iniciar uma operação local, inaugurada no segundo trimestre de 2019. 

Expansão pela América Latina

Ao se basear no país, a empresa iniciou contatos com outros países da região. “Temos clientes na Argentina, Paraguai, Chile e Peru, além da perspectiva de começar uma operação na Bolívia”, explica Sacco.  

Guatemala, Haiti e México também são mercados em que a empresa já atua. 

Desenvolvimento da tecnologia blockchain e oportunidades no setor

Iniciada principalmente nas áreas de finanças, logística e controle de suprimentos, o executivo acredita que nos próximos anos teremos uma variação maior de setores que utilizam as vantagens da tecnologia para otimizar negócios. 

“Tudo o que você pode demandar de rastreabilidade e timestamp [marca temporal] e que exista a importância da criptografia, são áreas em que você encontra oportunidades para aplicar a tecnologia em problemas reais”, acredita Sacco. 

Porém, a prioridade da Ripple no momento se encontra no mercado financeiro. E quando se fala em recrutamento, a prioridade está em encontrar pessoas que, mais do que entendimento da tecnologia, tenham experiência dentro do setor. 

“Aqui no Brasil, o que nós buscamos muitas vezes não é necessariamente o conhecimento em blockchain. A gente olha a capacidade de entendimento da própria indústria e como aplicar essa tecnologia num fluxo de serviços financeiros no país.” 

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