Anúncio acontece junto com a inauguração do novo escritório da empresa, na Vila Leopoldina, e marca os próximos 10 anos da startup
O QuintoAndar anunciou na última quinta-feira (18) um investimento de R$ 2 bilhões em tecnologia ao longo dos próximos dois anos. De acordo com a CHRO da startup, Deborah Abi-Saber, o uso do capital será dividido em duas vertentes, sendo elas a contratação de novos profissionais e a infraestrutura e desenvolvimento de da inteligência artificial (IA) como base do negócio.
A ideia para os próximos anos é que a IA esteja no centro do aplicativo e faça parte de toda a jornada de todos aqueles que utilizam a plataforma, dos consumidores aos corretores. Segundo a empresa, a tecnologia se manifestará na forma de assistentes virtuais que acompanham o cliente da busca ao fechamento, com recomendações personalizadas, e ferramentas para precificar imóveis
Para isso, a startup tem investido em implementar o uso da IA dentro do dia a dia das equipes. Em entrevista ao IT Forum Deborah contou que este processo teve início em abril de 2025, com o lançamento do programa Leadership Academy, no qual os líderes da companhia passaram um dia inteiro compreendendo com a tecnologia poderia ser utilizada dentro do QuintoAndar. “Aquele momento foi um marco para nós. Foi quando percebemos que estávamos mudando a nossa forma de trabalhar e de desenhar o produto”, afirma.
A partir daí, a startup estruturou sua adoção e dividiu seus funcionários em quatro grupos para escalar a disseminação da tecnologia. Inicialmente, os times foram elencados de forma hierárquica, para assegurar a segurança e a criação das regras de governança.
Neste sentido, os AI Adopter, eram os funcionários que já utilizavam a inteligência artificial em seu dia a dia e estavam distribuídos em diversos setores da empresa; os AI Ambassadors, profissionais técnicos da área de Tecnologia, que se dedicavam a explicar as ferramentas disponíveis; os AI Builders, responsáveis por criar novos projetos e casos de uso de IA; e o AI Board, composto por lideranças da empresa que debatem os casos de uso e as possíveis políticas de governança da organização.
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“Usamos muito o AI Board para ter essas primeiras discussões de onde vai ser humano, onde vai ser tecnologia, entender a parte jurídica e ética, de confidencialidade de dados. Porque muitas vezes um projeto é multidisciplinar, e foi importante que ele chegasse ao AI Board para que nós conseguíssemos entender e aprender”, comenta.
Dentro do plano de adoção, a etapa de grupos durou cerca de um ano, mas agora a executiva vê que a companhia já evoluiu para um outro momento, no qual os times já ganharam autonomia suficiente para desenvolver seus próximos projetos e o plano do QuintoAndar é ganhar escalabilidade. “Agora não é preciso mais subir por essa esteira única, repartimos o programa em várias esteiras multidisciplinares de diferentes times. E é a partir deste momento que vamos conseguir medir os impactos quantitativos da adoção da IA”, explica.
A executiva acredita que a utilização da inteligência artificial passará ainda por um terceiro momento, no qual, após medir os impactos da mudança, a empresa integrará os aprendizados e decidirá a rota adotada pela empresa, seja ela a criação de uma IA corporativa ou o uso de alguma ferramenta específica. Para Deborah, o que estamos vivendo se equipara com a volta ao trabalho presencial depois da pandemia.
“Naquele momento, todo mundo foi trabalhar remoto e ninguém sabia exatamente a resposta de como voltar, qual era o novo formato. E nos dois casos acredito que o mais importante é voltar para o que acreditamos enquanto empresa e o que é melhor para o nosso ecossistema, a nossa cultura e sempre com foco no consumidor final”, enfatiza.
O anúncio do investimento aconteceu durante um evento para inaugurar o novo escritório da companhia, localizado na Vila Leopoldina, em São Paulo. A nova sede conta com sete mil metros quadrados disponíveis em laje única, com 400 estações de trabalho e 48 salas de reunião, além de espaços de colaboração para mais de 200 pessoas. Segundo Deborah, ambas as informações marcam a próxima década do QuintoAndar.
Apesar do anúncio, a empresa segue em modelo híbrido de trabalho e, para utilizar uma estação dentro do escritório, o funcionário reserva seu local previamente por meio de uma plataforma. “Queremos que, quando as pessoas estiverem aqui, elas se conectem verdadeiramente umas com as outras”, finaliza a CHRO.
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