Notícias

Quando a agilidade organizacional fracassa?

Nos últimos anos, presenciamos diversas ondas de maturidade, aplicabilidade e resultados em torno da agilidade no cenário corporativo. De uma novidade imperativa (a mais de um par de décadas), há um grande teatro do desperdício, provocado por entendimentos equivocados em torno do que de fato é agilidade, resultando naturalmente em efeitos indesejados. 

Independentemente dos resultados obtidos ao longo dos anos, o problema nunca foi a agilidade, sendo sua filosofia extremamente coesa a revolução digital. Ser ágil é defender uma capacidade de gestão e delivery orientado à adaptação, produção de valor e entregas frequentes, mas não é incomum, por exemplo, gestores carecerem do entendimento sobre o que é valor. Portanto, como cobrar resultados através de um modelo de atuação que as pessoas não compreendem?

Leia também: Amy Webb: Brasil está vivendo no passado 

Como entender, capturar e produzir valor para os clientes? Essas perguntas não são facilmente respondidas quando o assunto é tratado com tanto misticismo ou mesmo dependências exclusivamente metodológicas, já que dezenas de metodologias foram criadas para tentar se aproximar de uma resposta “universal” e escalável, sobre como produzir valor, por exemplo. 

De outro modo, simplificando as práticas ágeis e entendendo-as como um arcabouço de recomendações prescritivas para gestão, facilmente é possível encontrar um caminho para organizar o trabalho a ser feito, fazê-lo e dar visibilidade do andamento. O que, ainda assim, se realizado de maneira inadequada, pode se tornar um desastre.

Resolvido o dilema do valor e tendo consciência das práticas que a agilidade envolve sob um guarda-chuva mais filosofal do que metodológico, temos os ingredientes adequados para promover impactos significativos na cultura organizacional: orientada à inovação, eficiência, colaboração e naturalmente vantagem competitiva.

Porém, para tal, é importante que os executivos compreendam as nuances, o que funciona e o que sugere o fracasso quando se trata de gestão de mudanças. Adotar a agilidade é selar um compromisso de mudança consigo mesmo, mais do que aprender a usar um framework ou método famoso. 

O grande erro sempre foi transformar uma estrutura ou empresa a partir de guias metodológicos prescritivos, desprezando o fato de que a cultura é a reunião de elementos tangíveis e intangíveis que operam num grupo social e que eventualmente se conhece e apenas se vive (sem consciência plena), tornando a cultura, em um ambiente corporativo, algo quase que previsivelmente irracional.

Como será, então, a transformação cultural de uma empresa que visa tantos benefícios a partir da agilidade, quando o C-Level não se manifesta e se compromete com o entendimento da filosofia, modelos e a essencial adequação das práticas de acordo com a sua cultura? A resposta está no início deste texto, efeitos indesejados. E eles acontecem, quando a decisão de mudar é tomada, ou seja, no início, porém só depois o resultado é percebido.

Deste modo, aqueles que desejam performar com agilidade, precisam entender de cultura, change management, compromisso executivo e agilidade à gosto. 

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

1 dia ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

2 dias ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

2 dias ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

2 dias ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

2 dias ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

2 dias ago