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‘As inovações vêm da periferia’, Edu Lyra, Gerando Falcões

Para terminar o primeiro dia do Febraban Tech, Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões; e Kleber Alencar, diretor-executivo do grupo de Serviços Financeiros da Accenture, discutiram como os bancos e as instituições financeiras podem ajudar a trilhar uma jornada da erradicação da pobreza.

Segundo Edu, atrelar as microfinanças com desenvolvimento social e econômico bem executados na ponta, alavanca uma mudança fundamental no país. Mas, para isso, é preciso entender que a pobreza é sistêmica – não é apenas sobre pessoas sem dinheiro. Existem pobrezas energéticas, pobrezas educacionais, entre outros.

Exemplificando como as grandes empresas podem mudar seu redor, Kleber conta o case do banco Brac, de Bangladesh. A instituição faz a trilha de saída da pobreza e do sonho de cada família e, nos momentos adequados, oferecer o produto ou o serviço financeiro mais adequado. “Não é para emprestar dinheiro e depois algo dar errado e tomar de volta o bem.

Se uma família colocou no plano que comprará uma cabra, uma galinha e uma cadeira de cabelereiro, o banco entende em qual momento poderá dispor o dinheiro necessário para essas compras. Quando a família dá um salto de desenvolvimento, começa a injetar seu dinheiro ou buscar serviços financeiros e muda a curva. A inadimplência do banco é de 0,4%.

Leia mais: Febraban Tech: caminho da sustentabilidade passa pela economia digital

“[A gente escuta] a baixa renda não paga. O favelado paga. Em Bangladesh ele paga porque o dinheiro é injetado pelo banco no momento certo. Depois que emancipou a família, ela não vai voltar para a miséria, os bancos comerciais compram essa carteira”, frisa Kleber.

O CEO da Gerando Falcões afirma que o Brasil tem um setor bancário muito forte e pujante.

“Quando a gente pensa em tecnologia e inovação, tem que tomar uma decisão corajosa de levar os serviços bancários para determinadas regiões e localidades que não chegariam e talvez no começo perca dinheiro. Você vai perder dinheiro, mas vai tornar a marca amigável, mais acessível para a população e seus executivos vão aprender muito mais porque estão lidando com uma outra ponta da sociedade. Senão a gente corre o risco de estar liderando uma empresa dentro de uma redoma que não conhece o Brasil real.”

De acordo com Edu, é fundamental estar conectado com a sociedade, com as inovações. “As inovações vêm das periferias. É importante para as grandes companhias estarem conectadas com as periferias. Essa junção entre os centros e as pontas é crucial. Não importa se você tem muito ou pouco dinheiro, a única forma de sobreviver ao século XXI é a colaboração.”

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