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Metade das empresas brasileiras decide inovação em produtos com base na intuição

Por que a indústria brasileira investe tão pouco no desenvolvimento de novos produtos? Custos e riscos são inerentes ao desenvolvimento de novos produtos e incidem diretamente no retorno sobre o investimento, contudo, muitas empresas ainda usam métodos informais para gerenciar o portfólio, o que pode ser uma decisão ainda mais arriscada. 


Em metade das indústrias essa decisão é feita com base na intuição da alta administração (50%). Nos outros casos, são considerados aspectos financeiros (15,5%) e a necessidade dos clientes (15,5%). “É baixo o porcentual de empresas que utilizam outros métodos formais para tomada de decisões como, por exemplo, o mapa de produtos (7%), modelos de pontuação (2,8%) e de check lists (1,4%)”, explica Daniel Jugend, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru.
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Para entender melhor como as empresas tomam decisões sobre quais produtos desenvolver, manter ou retirar do mercado, Jugend e Sérgio Luis da Silva, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), analisaram 71 empresas dos setores eletrônico, óptico e de informática no período entre 2012 e 2013. O estudo faz parte do projeto “Gestão de portfólio de produtos em empresas de base tecnológica de médio e grande porte no Estado de São Paulo: survey e estudos de caso”, apoiado pela FAPESP.
Riscos
O uso da intuição ou de mecanismos informais em decisões sobre o portfólio de produtos pode aumentar o risco da inovação. “Isso demonstra que é forte, nos setores pesquisados, a presença de aspectos políticos e subjetivos influenciando as decisões sobre desenvolvimento de novos produtos e de alocação de recursos nos projetos”, aponta o pesquisador.
Além disso, aplicar exclusivamente métodos financeiros também pode ser uma aposta arriscada, uma vez que a organização pode não ser capaz de realizar previsões exatas de demanda ou mensurar o impacto de determinada inovação tecnológica. O melhor caminho, sugere Jugend, é aplicar métodos financeiros de maneira integrada com demais métodos para escolher os projetos de novos produtos.
Agilidade e flexibilidade na tomada de decisão relacionada ao portfólio de produtos são aspectos que influenciam intensamente no desempenho do portfólio dessas empresas, identificou a pesquisa. O que fica evidente quando olhamos para atual dinâmica dos mercados e das tecnologias.
Cenário

Números da Pesquisa de Inovação (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a taxa de inovação das indústrias brasileiras era de 35,6% em 2011 – inferior aos 38,1% de 2008 – ou seja, pouco mais de um terço das indústrias do País. E os motivos para esse baixo desempenho são expressos: 81,7% das indústrias atribuem aos elevados custos da inovação e 71,3% aos riscos econômicos.
O cálculo financeiro realizado em projetos de produtos, no entanto, deve ser conduzido de forma a contemplar também os efeitos da contribuição de inovações mais ousadas e considerando a competitividade da empresa no longo prazo, expõe Jugend.
A decisão na fase de pré-desenvolvimento dos produtos é crítica para o bom desempenho dos programas de desenvolvimento de novos produtos, inclusive para a viabilização da estratégia de negócio. “Afinal, nesses momentos, ainda existe pouco conhecimento do resultado a ser alcançado e se está pensando nas características que um produto deve ter com muita antecipação em relação ao momento em que ele será – ou não – efetivamente lançado”, diz.
O professor lembra que existem diversos métodos de gestão que contribuem para uma tomada de decisão sobre o portfólio de produtos mais assertiva. Os métodos financeiros são os que mais auxiliam na maximização do valor do portfólio, como: valor presente líquido (VPL), taxa interna de retorno (TIR), ponto de equilíbrio entre receitas, custos e despesas, payback e opções reais.
O especialista também destaca a importância de ferramentas de marketing na gestão de portfólio, sobretudo a pesquisa de mercado, que, com o envolvimento de representantes de departamentos como engenharia e P&D, são atividades importantes para que as empresas obtenham informações sobre demandas e necessidades dos clientes e consigam, ao mesmo tempo, monitorar concorrentes e as novidades tecnológicas.
Outros métodos que podem servir de apoio à decisão em portfólio de produtos são os check lists, diagramas, modelos de pontuação e ranqueamento e mapas – esses dois últimos priorizam os projetos de produtos de acordo com a média esperada de desempenho. Os mapas, por sua vez, auxiliam na previsão de desenvolvimento de projetos de produtos no médio e longo prazo e, com isso, permitem que as empresas considerem as possibilidades de inovação incremental e radical ao longo do tempo.
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Published by
Redação
Tags: gestão de portfólioinovaçãoriscos da inovação
12 anos ago

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