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Hitachi Vantara quer ir além da infraestrutura e assumir papel “consultivo” em projetos de IA

Conversas mais voltadas aos resultados de negócio de clientes, e não apenas focadas em infraestrutura. Essa é a estratégia que a Hitachi Vantara, subsidiária da Hitachi Ltd. de soluções de gerenciamento de dados, armazenamento, análise de dados e infraestrutura de TI, tem buscado para crescer junto aos projetos de inteligência artificial (IA) generativa que avançam no mercado.

No Brasil, essa transição está sendo liderada por Andrea Fodor, country manager da empresa, que comanda a operação no mercado nacional desde abril do ano passado. “Hoje, o mercado ainda vê a Hitachi como uma empresa de infraestrutura”, afirmou a executiva, em entrevista ao IT Forum, durante um evento para clientes realizado nesta semana.

E continuou: “Nosso objetivo é fazer essa transição para um papel mais consultivo, conectando os resultados de negócio à infraestrutura, permitindo que o cliente consuma o que realmente necessita. Não se trata de comprar infraestrutura por comprar, mas de entender os resultados desejados e adquirir algo adequado a isso.”

Essa transformação tem sido o foco da operação da Hitachi Vantara há ao menos três anos. A jornada envolve tanto uma mudança nas ofertas da empresa – novos produtos, por exemplo, já são oferecidos tanto no modelo de infraestrutura tradicional quanto como “software defined” – quanto na capacitação de talentos, que precisam assumir posições mais consultivas junto aos clientes.

Andrea Fodor, country manager da Hitachi Vantara no Brasil (Imagem: Divulgação)

Segundo Andrea, a aquisição da empresa de serviços digitais GlobalLogic Inc., comprada pela Hitachi Ltd. em 2021 por US$ 9,6 bilhões, é exemplo dessa mudança. “A GlobalLogic tem uma forte presença na América Latina, e já estamos engajando clientes em algumas iniciativas com eles, mesmo utilizando recursos de fora”, explicou Andrea. “Para acelerar o processo, estamos integrando as aquisições para gerar resultados aqui no Brasil.”

Leia mais: CEO da Hitachi Vantara no Brasil almeja dobrar tamanho da operação em 3 anos

Globalmente, Jason Hardy, CTO para Inteligência Artificial da Hitachi Vantara, lidera esse processo. O executivo esteve no Brasil nesta semana para se reunir com clientes e detalhar a estratégia e visão da empresa para o mercado de IA.

“Tradicionalmente, sempre fomos muito focados em infraestrutura. Isso, obviamente, continua sendo importante para nossos principais produtos, mas temos adotado uma abordagem mais consultiva ao mostrar o potencial da IA”, disse Hardy. “Antes, as conversas eram: ‘vendemos armazenamento, integramos com sua infraestrutura de TI e fazemos isso extremamente bem’, mas agora, essa abordagem se elevou.”

Essa mudança no papel da empresa junto aos clientes não é apenas uma estratégia da própria Hitachi, mas também uma resposta às necessidades dos parceiros. Um estudo recente da Hitachi Vantara e do Enterprise Strategy Group (ESG) com 800 líderes de TI e negócios dos Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental revelou que, embora 97% dos participantes considerem a IA generativa uma das cinco principais prioridades, menos da metade (44%) afirma possuir políticas bem definidas e abrangentes para a tecnologia.

Para Hardy, o resultado reflete a forma “reativa” com que a TI ainda enfrenta os novos desafios de criação de políticas em torno da IA, analisando “caso a caso” o uso dessas ferramentas pelas unidades de negócio e fazendo ajustes ao longo do caminho. “A IA não é algo tradicional para a TI”, argumentou o executivo. “A TI está tentando se adaptar a essa tecnologia, assim como todos os outros.”

Para apoiar essa estratégia, no final de julho, a empresa anunciou seu AI Discovery Service, uma solução projetada para ajudar os clientes a identificar casos de uso de IA, avaliar a qualidade dos dados e criar um roteiro estratégico para a implementação bem-sucedida da IA, considerando o retorno sobre o investimento (ROI). “A ideia é ajudar os clientes na identificação e construção de um roteiro claro, para que não fiquem tateando no escuro e tenham um caminho bem definido a seguir”, concluiu o CTO.

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