O Plano Brasileiro de IA (PBIA) terá impacto significativo em várias áreas da economia brasileira, incluindo o fortalecimento de instituições de ensino superior brasileiras. Essa é a opinião do professor André de Carvalho, diretor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) do campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), que participou de duas reuniões no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em que foram discutidas sugestões para o plano.
A proposta do PBIA foi apresentada ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 30 de julho. A proposta foi recebida “com entusiasmo” pelos professores do ICMC. O documento é resultado de uma consulta com especialistas, incluindo acadêmicos e representantes de diversos setores, e visa orientar o desenvolvimento e a aplicação ética e sustentável da IA no Brasil.
“O plano trará benefícios significativos para o nosso Instituto, especialmente na formação de pesquisadores e no avanço de nossas pesquisas em inteligência artificial. Com o investimento em infraestrutura e a inclusão de desafios relevantes, o PBIA fortalecerá nossa posição no cenário global e impulsionará o desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil”, diz Carvalho.
Outro professor do ICMC, Alexandre Delbem, diz que a estratégia de IA trouxe diretrizes mais claras e bem definidas em comparação com planos anteriores, que eram confusos ou contraditórios. “Essa mudança de postura é essencial para o avanço tecnológico”, diz.
Também professor no ICMC, Fernando Osório diz que é importante que o Brasil se posicione no cenário internacional, colaborando com outros países e defendendo interesses, além de valorizar sua expertise em dados específicos para a língua portuguesa. “É crucial que o Brasil, ao buscar parcerias globais, não apenas contribua com seu conhecimento, mas também assegure que suas particularidades, como as características sociais, culturais e linguísticas, sejam reconhecidas e preservadas”, diz.
A proposta prevê investimento total de R$ 23 bilhões ao longo de cinco anos, distribuídos em cinco eixos principais: infraestrutura (R$ 5,79 bilhões), formação e capacitação de pessoas (R$ 1,15 bilhão), melhoria dos serviços públicos (R$ 1,76 bilhão), inovação empresarial (R$ 13,79 bilhões) e apoio à regulação e governança da IA (R$ 103,25 milhões). Também está prevista a aquisição de um supercomputador que deverá figurar entre os cinco mais potentes do mundo.
Para Osório, embora o investimento seja significativo, surgem preocupações sobre a capacidade do Brasil para receber e operar equipamentos dessa magnitude, considerando as atuais limitações de infraestrutura. Delbem, por sua vez, acredita que os valores previstos serão insuficientes para alcançar os objetivos ambiciosos do plano.
A burocracia e a necessidade de um planejamento de longo prazo também são vistas pelos especialistas como obstáculos ao desenvolvimento do PBIA.
Outro enfoque do PBIA é implementar uma infraestrutura energética renovável, com investimento previsto de R$ 500 milhões para 42 projetos, visando o desenvolvimento sustentável da IA no Brasil. Para Osório, essa estratégia é essencial devido ao alto consumo de energia necessário para processar a IA.
* com informações da assessoria de comunicação do ICMC/USP
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