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Healthtechs vão recuperar a força neste ano?

O Brasil presenciou um aumento de 16,11% no número de healthtechs entre os anos de 2019 e 2022, segundo pesquisa da Liga Ventures em parceria com a PwC Brasil.

Mais de 60% das healthtechs foram fundadas depois de 2016, conforme  o estudo “Distrito Healthtech Report 2022”. A mesma pesquisa aponta para uma tendência de grandes investimentos no setor: de 2020 para cá, o valor investido no setor representa 72,3% do total investido na última década. A expectativa do Global Market Insights, é de que, no mundo, o valor investido alcance a cifra de 504 bilhões de dólares em 2025.

Se por um lado as startups de saúde têm facilidade de identificar desafios futuros e propor soluções atuais que podem não só salvar vidas como auxiliar a saúde financeira de grandes instituições, por outro, vêm enfrentando problemas como demissões e dificuldade de captar recursos.

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As startups, de uma forma geral, enfrentam uma retração do mercado, com um período de baixa liquidez, especialmente na saúde. Após o pico de investimento em 2021 (com US$ 552,6 milhões), impulsionado pela pandemia, o setor retraiu e alcançou apenas 23% do obtido anteriormente (US$ 127,4 milhões), segundo informações do Distrito. A tendência de queda também foi demonstrada no relatório da consultoria Sling Hub em parceria com o Itaú BBA: com uma baixa de 81% nos aportes em startups de saúde entre novembro de 2022 e março de 2023.

Mas como empresas com ideias inovadoras, ou mesmo disruptivas, podem estar com dificuldades, ainda mais em uma área tão sensível e necessária como a saúde? Aqui, não entramos apenas na discussão sobre projetos com potencial de retorno financeiro, mas também com a seguinte questão: como agregar esses produtos ou serviços ao sistema atual?

Na saúde, podemos fazer uma divisão entre as startups que oferecem serviços operacionais (com resultados práticos e fáceis de serem medidos) e as que oferecem serviços mais atrelados ao tratamento do paciente. Estas têm encarado ainda mais dificuldades diante da baixa maturidade tecnológica do setor médico (como a dificuldade em trocar dados dos pacientes e de se conectar tratamentos entre diversos players).

Para integrar soluções inovadoras das healthtechs ao portfólio de serviços de grandes instituições, é preciso, por exemplo, um sistema no qual todos falem a mesma língua. Outras vezes, o empecilho reside nos limites entre o compartilhamento de dados sensíveis dos pacientes. Mesmo questões técnicas, como o grau de digitalização de uma instituição, podem barrar a conexão com serviços relevantes.

Atualmente, muito se fala da importância da interoperabilidade (integração entre sistemas) para que startups e outras instituições, como hospitais, clínicas ou planos de saúde, possam se ajudar em suas missões. Essa integração, aliada à redução de custos, eficiência operacional elevada e mais segurança ao paciente trazidos pelas startups, oferece um universo muito mais positivo não só para salvar vidas, como também para melhorar o caixa das empresas.

Mas, se tanto se fala nessa integração de sistemas, por que ela não é efetivamente realizada? O cenário atual deve sofrer alguma mudança a médio prazo?

Com o avanço da Inteligência Artificial, a maior maturidade no tratamento dos dados e as perspectivas financeiras positivas do setor, as healthtechs devem voltar, sim, a receber o olhar de investidores e de grandes instituições. Não será uma jornada de um ano, mas um lento reabrir de olhos no sentido de que a saúde, no Brasil e no mundo, não sobreviverá sem o tripé tecnologia, inovação e integração.

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