Funcionários do Google cobram CEO para encerrar contratos com a polícia

Em carta enviada a Sundar Pichai, mais de 1,6 mil funcionários exigem que companhia pare contratos com departamentos de polícia nos EUA

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5:00 pm - 26 de junho de 2020

Mais 1,6 mil funcionários do Google enviaram carta ao CEO Sundar Pichai exigindo que a gigante de buscas pare de firmar contratos com departamentos de polícia dos Estados Unidos. O pedido vem em resposta à violência histórica da polícia americana à população negra e à morte de George Floyd. As informações são do TechCrunch.

No documento, funcionários afirmam estar “desapontados ao saber que o Google ainda vende para as forças policiais” e que ainda anuncia sua conexão com a polícia de forma progressiva, buscando ainda vender a tecnologia ao invés de “cortar laços com a polícia e juntar-se aos milhões que desejam desfigurar e cortar o financiamento dessas instituições”. “Por que ajudar as instituições responsáveis pelo joelho no pescoço de George Floyd a serem mais eficazes na organização?”, continuou a carta.

O Departamento de Polícia de Clarkstown usa o G Suite para compartilhar informações e evidências digitais. A empresa também é doadora da fundação policial de Seattle e seu braço de capital de risco, a GV (antes conhecida como Google Ventures), que investiu em startups que trabalham em tecnologia de inteligência artificial para a polícia, diz a reportagem.

“Estamos comprometidos com o trabalho que faz uma diferença significativa para combater o racismo sistêmico, e nossos funcionários fizeram mais de 500 sugestões de produtos nas últimas semanas, que estamos analisando”, disse um porta-voz da Google ao TechCrunch.

“Fomos a primeira grande empresa a decidir, anos atrás, não disponibilizar comercialmente o reconhecimento facial e temos princípios de IA muito claros que proíbem seu uso ou venda para vigilância. Temos termos de uso de longa data para plataformas de computação geralmente disponíveis, como Gmail, GSuite e Google Cloud Platform, e esses produtos permanecerão disponíveis para governos e autoridades locais, incluindo departamentos de polícia”, complementou.

Os funcionários demandam uma ação mais efetiva da empresa contra a polícia americana em apoio às manifestações. Ainda na carta, os funcionários dizem que querem se orgulhar da empresa em que trabalham e que esperam que ela fale com seus valores. “O legado racista da polícia nos Estados Unidos remonta às suas raízes, quando as forças policiais surgiram para proteger a riqueza obtida da escravidão e do genocídio. […] Temos um longo caminho a percorrer para abordar todo o legado do racismo, mas para começar – não devemos nos dedicar a lucrar com o policiamento racista. Não devemos criminalizar a existência negra enquanto cantamos que as vidas negras importam [Black Lives Matter]. Nós, os Googlers abaixo assinados, pedimos que você pare de disponibilizar nossa tecnologia para as forças policiais”, diz a carta.

 

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