Em entrevista ao IT Forum, Seth Ravin fala sobre o esgotamento do modelo tradicional de ERP e sua visão para o futuro dos sistemas de gestão
O CEO global da Rimini Street, Seth Ravin, está otimista com a era da inteligência artificial (IA). Em entrevista ao IT Forum, ele descreve o momento atual como uma mudança na base da tecnologia. “Estamos em uma época incrível em termos de informação. Mas para nós, que trabalhamos na construção dos sistemas e recursos que fazem com que tudo pareça tão fácil, existe uma complexidade”, diz.
Desde o início do crescimento da IA, Ravin diz que sua missão é simplificar o momento para os clientes da empresa. Para isso, o executivo defende que o primeiro passo é reconhecer que a inteligência artificial é uma ferramenta entre muitas. “Quando lidamos com a realidade, e não com a publicidade, percebemos que a IA não resolve todos os problemas dos negócios. A Rimini tem sido a voz que chega aos conselhos para lembrar isso”, afirma.
Ravin afirma que a essência da companhia não mudou desde sua fundação, há 20 anos, quando o objetivo era ajudar empresas a reduzir gastos. Agora, a estratégia segue dois caminhos: evitar atualizações de sistemas consideradas desnecessárias e adicionar uma camada de agentes de IA para operar e integrar dados de softwares de ERP.
Crítico da migração para o SAP S/4HANA, Ravin compara a mudança a comprar um carro de 10 anos que nunca foi usado. “Não precisamos trocar o sistema inteiro, porque isso não resolveria a maioria desses problemas. O Christian Klein está tentando convencer os clientes a migrarem para novas versões do SAP, mas está enfrentando dificuldades, porque os clientes pensam: por que vou passar os próximos anos migrando para algo que já está desatualizado?”, diz, referindo-se ao CEO da SAP.
Segundo a companhia, clientes da Rimini Street acumularam, no último ano, mais de US$ 10 bilhões em economia de custos de TI. Ravin afirma que parte desse valor pode ser reinvestido em tecnologia, com o objetivo de reduzir, no futuro, o quadro de funcionários das empresas.
A visão de que agentes de IA vão amenizar a falta de mão de obra é compartilhada por Ravin e por Bill McDermott, CEO da ServiceNow. Em maio deste ano, durante o Knowledge 2026, McDermott diz que os agentes seriam uma saída para a escassez global de trabalhadores, atribuída ao envelhecimento da força de trabalho e à queda nas taxas de natalidade.
A aproximação entre as duas empresas resultou em parcerias recentes, entre elas o Rimini Agentic UX powered by ServiceNow, plataforma que usa agentes para otimizar fluxos de trabalho, unificar dados e apoiar a implementação de sistemas de ERP. Com a expansão do uso de agentes entre seus clientes, a Rimini Street busca se posicionar como referência em governança e segurança desses ambientes.
“Segurança e governança são pontos que a maioria das empresas ainda não considerou. Elas simplesmente implantaram agentes. É aí que entramos: somos responsáveis pela supervisão desses sistemas”, afirma.
Ravin destaca que, apesar de a empresa ter desenvolvido sua própria interface, a arquitetura da plataforma permite integração com qualquer sistema de IA. “Não sabemos quem vai vencer a disputa entre as plataformas. Ainda estamos no início”, diz.
A Rimini Street tem cerca de 400 funcionários no Brasil e planeja chegar a 1 mil nos próximos anos. Para Ravin, o país é um dos mercados prioritários da empresa por seu perfil de adoção rápida de novas tecnologias e por sua relevância na América Latina.
“O Brasil lidera a adoção de todas as novas tecnologias que apresentamos. Existe uma cultura de avançar rapidamente, e o entusiasmo muitas vezes compensa a falta de maturidade”, afirma.
No país, além dos projetos de IA, a empresa tem uma equipe dedicada a apoiar mais de 100 clientes na adaptação à Reforma Tributária. “Os clientes estão preocupados com o impacto da reforma em seus negócios, principalmente em um ano eleitoral, com a possibilidade de mudanças após a posse de um novo governo”, diz.
Ravin descreve o momento atual como caótico, mas o considera parte do processo natural de transformação tecnológica. Para ele, os próximos 36 meses ainda trarão ajustes, e a próxima onda de mudanças deve ocorrer na integração entre agentes de IA e robótica, área conhecida como IA física.
“A combinação de IA e robôs vai mudar o mundo. A IA é o cérebro por trás dos robôs. Depois dela, a computação quântica deve ser o próximo grande desafio, principalmente em segurança”, conclui.
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