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Experiência e segurança são foco da estratégia global da Cisco

Na conversa exclusiva que o IT Forum teve com Rachel Barger, vice-presidente sênior para as Américas da Cisco, dois pilares da estratégia da empresa americana ficaram mais claros. A executiva já havia abordado experiência do cliente e cibersegurança no painel que havia feito minutos antes no palco do Cisco Connect Brasil, que ocorreu na quarta (5) em São Paulo, mas a conversa rápida que tivemos nos corredores do hotel Sheraton WTC deixou as coisas mais claras.

“Acredito que provedores de plataformas como nós são importantes para os clientes, para que eles estejam seguros através desse espectro”, disse. Ela se referia à demanda por mais visibilidade das superfícies de ataque, um problema grave enfrentado por gestores de rede e segurança da informação no dia a dia, e que – defende ela – poderia ser reduzido com o uso de software de gestão de rede na nuvem.

“Você não pode conectar o que não pode proteger”, ressaltou Rachel, demonstrando a relação óbvia entre conectividade e cibersegurança. O problema é que segue existindo uma enorme pressão por digitalização sobre as empresas, e ajudar os clientes a atingir objetivos digitais passa não tanto com estabelecer parcerias com provedores de segurança como por oferecer uma boa experiência de defesa e que seja conveniente.

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Rachel diz que isso significa tanto estimular os clientes da empresa a adotarem essas plataformas, disponíveis nas soluções de networking híbridas da companhia, como fazer parcerias para facilitar a integração com soluções de terceiros. Ela cita o caso dos grandes hyperscalers, ou seja, grandes provedores de nuvem, como AWS, Google e Microsoft, que compram hardware da Cisco, mas não software de gerenciamento.

“Segurança é uma oportunidade para nós pois atravessa todas as nuvens. Mesmo quando se pensa nos três ou quatro principais provedores de nuvem, você não vai querer protocolos de segurança separados para cada uma. Você precisa contar com alguém em quem confie”, disse.

Cisco: uma empresa de software?

Durante todo o Cisco Connect Brasil, pouco se falou de roteadores e switches nos palcos do evento. Pergunto à Rachel se isso significa que a Cisco se tornou de fato uma empresa de software, mesmo considerando que a maior parte do faturamento da companhia ainda vem da venda de hardware – da receita de US$ 51,5 bilhões registrada globalmente no ano fiscal de 2022, US$ 23 bilhões, ou 46,2%, vieram da boa e velha venda de hardware.

“Tenho muito orgulho do fato de que temos o hardware atrás de nós. Mas é aí que o software entra”, explica ela. “No passado você usava o hardware, mas aí… Onde a inovação entrava? Você ficava preso. Com o software temos a habilidade de continuamente prover inovação para os clientes, e também entregar a automação que eles exigem.”

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Segundo ela, ainda há partes do mercado a serem “evangelizadas” sobre o portfólio mais atual da companhia, mas isso não exime a empresa de “entregar ambos”. “É aí que entra nosso ecossistema. Estamos focados em adoção e ajudá-los a entender como usar o software para o hardware funcionar melhor e extrair mais capacidade”, diz.

Para ela, o momento do mercado global de TI é complexo porque “a experiência é um resumo do que todos os clientes querem”, e que com as aplicações ficando cada vez mais complexas, conjugando várias nuvens com APIs e microsserviços, fica “difícil visualizar tudo”, e “o que acontece é um monte de erros. E os times de DevOPs passam horas ou dias passando pelo código tentando entender o que aconteceu”.

Isso, diz ela é a refeita para “frustrar os consumidores e eles abandonam a jornada, o que pode acontecer de pior”.

Cenário de cibersegurança

Outra demonstração do foco em cibersegurança dado pela Cisco durante o evento foi a divulgação de um estudo de maturidade do setor. O Cisco Cybersecurity Readiness Index: Resilience in a Hybrid World mede o nível de preparação das empresas contra ameaças modernas.

E a conclusão é que as organizações do Brasil, embora ainda estejam longe do mundo ideal, até que não se saem mal na comparação com outros países. Por aqui 26% das empresas estão no estágio maduro, 34% no estágio considerado progressivo, 35% no estágio de formação e apenas 5% no estágio iniciante.

Embora as companhias estejam se saindo melhor que a média global (15% no estágio maduro), o número ainda é considerado baixo.

“O Brasil, além de ser muito atacado, tem regulações que estão mudando [o cenário]. Outros países não têm absolutamente nada – inclusive os EUA têm muita pouca coisa”, ressaltou Fernando Zamai, líder de cibersegurança da Cisco e responsável por detalhar os dados aos jornalistas presentes no evento.

Fernando Zamai. Foto: Marcelo Gimenes Vieira, IT Forum

O estudo trabalha com médias, então há claras discrepâncias entre o nível de preparo entre diferentes setores – Zamai explica que o setor financeiro e o varejo são, de longo, os mais maduros. Além disso, explica que 66% dos entrevistados dizem que estão “esperando a desgraça acontecer entre 12 e 24 meses”, ou seja, reconhecem que um ataque bem sucedido é quase inevitável.

“Brasil está um pouco melhor no ranking, mas é preocupante”, pondera o executivo.

O dado positivo é que 93% dos entrevistados no Brasil planejam aumentar orçamentos de segurança em pelo menos 10% nos próximos 12 meses. “O problema já não é mais dinheiro, mas conseguir as pessoas certas pra atuar do jeito certo”, disse Zamai.

O estudo foi conduzido por uma empresa terceirizada independente e ouviu 6.700 líderes de segurança cibernética do setor privado, em 27 mercados, incluindo Brasil. A metodologia considera cinco pilares: identidade, dispositivos, rede, cargas de trabalho de aplicativos e dados.

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