Acordo entre Reino Unido e OpenAI levanta alertas sobre uso de dados públicos

Parlamentares britânicos pedem mais transparência sobre os termos do pacto com a OpenAI, temendo riscos à soberania de dados

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1:20 pm - 23 de julho de 2025
Imagem: Shutterstock

O governo britânico é pressionado a esclarecer os detalhes do novo acordo firmado com a OpenAI, avaliada em US$ 300 bilhões, segundo reportagem do The Guardian. O memorando de entendimento, assinado pelo CEO da OpenAI, Sam Altman, e o secretário de tecnologia, Peter Kyle, tem como foco a aplicação de inteligência artificial em áreas sensíveis como justiça, segurança, educação e defesa.

Chi Onwurah, presidente do comitê de ciência, inovação e tecnologia da Câmara dos Comuns do governo britânico, criticou a falta de transparência do documento. “O acordo é extremamente vago. Precisamos de garantias claras de que os dados públicos permanecerão no Reino Unido e que estarão protegidos pela legislação local de privacidade”, afirmou à reportagem.

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Temor com dados e memória de falhas passadas

Embora o governo tenha declarado que a OpenAI não terá acesso direto aos bancos de dados públicos, Onwurah e organizações da sociedade civil apontam riscos na ausência de cláusulas explícitas. A ativista Martha Dark, diretora da entidade Foxglove, afirmou que o Reino Unido está “entregando o galinheiro à raposa”, ao permitir que uma big tech norte-americana atue com potencial acesso a dados valiosos da população britânica.

A preocupação é alimentada por antecedentes problemáticos em projetos de tecnologia no setor público britânico, como o escândalo Horizon, envolvendo o sistema da agência postal. “Esperamos que o governo tenha aprendido com falhas anteriores”, disse Onwurah ao The Guardian.

O pacto com a OpenAI segue uma série de iniciativas do governo britânico para impulsionar o uso de IA no setor público. Entre elas, está um acordo com o Google para fornecer tecnologias gratuitamente a órgãos como o NHS e conselhos locais. Além disso, gigantes como Amazon, Microsoft, Palantir e a empresa militar Anduril já atuam no país, inclusive com projetos que cogitam o uso de rastreadores subcutâneos e robôs em penitenciárias.

IA nos serviços públicos

Para Sameer Vuyyuru, diretor de IA da Capita, fornecedora de serviços ao governo, o setor público é hoje um dos terrenos mais férteis para a aplicação de inteligência artificial. Ele projeta que até 50% das tarefas administrativas repetitivas poderiam ser automatizadas com agentes de IA aumentando drasticamente a produtividade de 10 para até 50 processos por servidor por dia.

Porém, ele reforça que há um descompasso entre o desejo por eficiência e o entendimento prático sobre como contratar soluções de IA de forma segura.

Enquanto o governo britânico defende que a parceria com a OpenAI permitirá “transformar ambição em ação e gerar prosperidade para todos”, como declarou Sam Altman, os críticos pedem freios, regras claras e, sobretudo, transparência.

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Redação

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