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Netflix, pornô e Spotify: a economia da recorrência em todos os lugares

A economia da recorrência tem sido cada vez mais aplicada à indústria. Ela traz semelhanças, inclusive, com o modelo de Sociedade 5.0, transformando as relações e o consumo.

Por se tratar de um modelo que não é novidade, o grande desafio é digitalizar os negócios. E foi exatamente para falar sobre isso que convidamos Rodrigo Dantas, cofundador e CEO da Vindi. Dantas, inclusive, estará no IT Forum X num painel sobre economia da recorrência.

A economia da recorrência está diretamente ligada à economia de serviços. O Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 teve como principal ativo os serviços, responsáveis por 75,8% do volume brasileiro.

E, “quando a gente fala de economia da recorrência, a gente fala da economia de todas as empresas que vendem através desse modelo”, relaciona Dantas.

De uma forma bem resumida, as empresas que fomentam esse dinheiro oferecem planos, assinaturas ou mensalidades. “Estamos falando de escolas, academias, condomínios, estacionamentos”, diz o executivo.

As empresas que trabalham com o modelo recorrente não são novas; ou, em suma, o modelo não é novo. Dantas explica que a economia da recorrência “sempre foi presente nas nossas vidas”, citando a assinatura das revistas físicas de Maurício de Souza no passado.

Um mercado se adaptando

O mercado exigiu digitalização, tendo em vista que novas empresas nascem já com este conceito. Como exemplos, temos Netflix ou Spotify, que Dantas explica que já nasceram no formato recorrente digital. “Mas tem muitos produtos que ainda estão digitalizando sua operação”, acrescenta.

As academias, como cita, passaram por esse processo de transformação. Hoje, por exemplo, você faz o pagamento e agendamentos por aplicativos, e depois apenas usa sua digital no espaço físico. “Então, tudo tem ficado muito digitalizado”, diz ele.

“Esse é um pouco da transformação” e “as empresas que já estavam no modelo [de economia recorrência] estão se adaptando”, explica.

“Tem pouco serviço de streaming”

Durante a nossa conversa por telefone, pergunto a Dantas se os serviços de streaming não estão sufocando os consumidores. Ele acredita que não, “porque hoje a gente já paga muitas coisas aleatórias”. A briga, em si, seria “pelo melhor conteúdo”.

É por isso que temos, regularmente, nomes como Spotify, Netflix, Deezer, Apple Music, HBO Go, Amazon Prime e afins.

“E eu não acredito que haja uma ‘bolha’ porque ainda tem pouco serviço de streaming; de música tem uns dois ou três, de vídeo… uns quatro ou cinco. Mas acaba sendo uma briga não por causa do pagamento, mas pelo conteúdo.”

A disputa por conteúdo, como diz o executivo, é mais sobre as exclusividades de cada serviço. A chegada do Disney+, por exemplo, também deve avançar no mercado. Ela se encaixa muito bem nesse perfil de conteúdo exclusivo, como as sagas Star Wars ou dos Vingadores.

“Eu acredito que mais empresas vão surgir produzindo conteúdo próprio, porque isso é o que faz toda a empresa de streaming de vídeo crescer”, diz Dantas.

Na música o mercado funciona de forma diferente, na visão do executivo. Para ele, a relação é que esse mercado “é mais um centro de distribuição do que de conteúdo exclusivo”.

“Já com relação a música, você tem a independência do artista. Se ele não está no Spotify hoje, ele não existe digitalmente.”

“A era do streaming nem começou”

No meio do streaming, a indústria de entretenimento adulto tem sido amplamente explorada. Mas a própria ainda “é pouco falada no mercado”, embora seja “uma indústria bilionária”.

De fato, segundo dados da SimilarWeb, o principal site pornô do mundo tem média de 3,1 bilhões de visitantes mensais. Esse é um tráfego maior que o da Netflix, por exemplo. Mas “ninguém fala muito por que é tabu, né?”, pondera Dantas.

A forma que a indústria pornô tem crescido no mercado online é exatamente pela economia da recorrência. Como diferenciais, eles também apostam em conteúdo exclusivo para os assinantes. “Mas eles estão empoderando os produtores, algo como o Spotify já faz”, explica.

“O meio que eles encontraram de vender assinatura, de ganhar dinheiro com economia da recorrência, foi dando poder para os produtores.”

O executivo compara que “um produtor de filme pornô, ator ou atriz, tem muito mais poder de ganhar dinheiro por streaming através destas plataformas” do que no YouTube; isto, claro, comparando com vídeos permitidos pela plataforma do Google.

O que muda é a relação

Na economia da recorrência, o cliente deixa de ser cliente e passa a ser freguês. É como se os próprios assinantes se sentissem parte do negócio, pois estão diretamente ligados ao modelo.

Seja na assinatura de um serviço de streaming ou na academia, as pessoas “se sentem parte daquele grupo” e “a relação com o cliente muda”, diz Dantas.

Isso também é impulsionado pela questão do digital, que possibilita o feedback em tempo real.

Dantas dá o exemplo de um clube de assinatura “de fanáticos por coisas geek/nerd”. O movimento é que, em um mês, se os assinantes recebem uma caixa do Star Wars, eles podem esperar o mesmo tema no mês seguinte.

Mas, se isso não acontece, “ele [o cliente] vai lá em tempo real no aplicativo ou no site e fala mesmo, porque ele se sente parte daquele negócio.”

Para um serviço de assinatura que é totalmente digital, Dantas ainda dá uma dica importante: “a experiência do cliente é a coisa mais importante dessa relação”. Inclusive, “mais até do que o produto ou serviço que você está ofertando.”

O futuro no varejo e educação

Dantas ainda explica que, por se tratar de uma empresa que nasceu nesse modelo, a Vindi enxerga mais de perto “para onde vai as tendências” da economia recorrente.

Ele explica que, para o futuro, veremos grandes mudanças no varejo e na educação. A própria Vindi, segundo Dantas, tem sido muito procurada “por grandes varejistas tradicionais para ajudar eles a entrar em modelos recorrentes.”

“A gente tem visto todo tipo de assinatura (filme, música, comida, software, app, sistema de gestão)”, diz Dantas, relacionando que a grande transformação virá com o varejo e educação.

No caso da educação, ele explica que o modelo deve mudar, saindo do padrão tradicional. Como, por exemplo, “as novas escolas já nascem com um modelo muito diferente, de não ser apenas um ponto de contato”.

Neste sentido, a escola “passa a ser mais um ecossistema do que um ‘estou passando na catraca’”.

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