Negócios

Real Digital: privacidade e programabilidade protagonizam discussão da moeda

O Brasil está avançando de forma acelerada nas discussões do Real Digital, moeda virtual nacional, e com pilotos sendo executados em ambientes controlados, a ideia agora é se certificar de duas questões importantes: privacidade e programabilidade.

Em painel no Febraban Tech, evento que discute tecnologias para o setor financeiro, Fabio Araujo, economista do Banco Central do Brasil, apontou que o Central Bank Digital Currency (CBDC) é uma forma de dinheiro digital que governos de todo o mundo – mais de 95% do PIB mundial – estão experimentando e estudando e que chega para solucionar desafios de ativos digitais.

“Identificamos nove projetos e ficamos satisfeitos com o que conseguimos avançar com o mercado. Um ponto que ainda não ficou totalmente esclarecido foi a privacidade. Resolvemos que seria importante fazer uma fase de testes específico para isso e abrimos o piloto do Real Digital e selecionamos os 16 participantes desse projeto. Começamos a integrar esses grupos a partir da próxima semana para discutir os passos seguintes, especialmente a privacidade. Temos de encontrar equilíbrio entre privacidade e uso e criar bons produtos para fazer bom uso dos ativos digitais”, esclareceu Araujo.

Thamilla Talarico, sócia-líder de Blockchain e Crypto da EY Brasil, apontou que no Brasil observa-se o fomento de modelos de negócios com base em ativos digitais. Sobre o Real Digital, a aposta da especialista é de que ele permitirá gerar liquidação de forma regulada e será uma foram mais segura de acessar novos produtos. “Com o avanço do piloto do Real Digital, plataforma de liquidação nativa digital com apoio do Banco Central, junto com a Lei das Criptomoedas, que entrou em vigor no dia 20/6, nos tornamos uma jurisdição de nível mundial”, observou.

Para ela, agora com o piloto do Plano Real, a diretriz é testar privacidade e programabilidade. “Existe preocupação de como conseguimos manter o respeito à legislação pré-existente. Temos a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que limita o que pode ser guardado, tem o sigilo bancário, e ainda como usar a plataforma blockchain, no caso do Real Digital, fechada, mas compatível com o Ethereum, daí vem a discussão da programabilidade”, explicou ela.

Real Digital na prática

Larissa Moreira, coordenadora para CBDC e Crypto do Itaú Unibanco, apontou que o Itaú foi um dos bancos selecionados para participar do piloto do Real Digital. Nessa arena, a entidade se propõe a executar cenários com os principais componentes que precisam ser testados nesse momento.

“Um ponto-chave nesse piloto é testar toda a cadeia, não só liquidação bancária, mas entre clientes. Se sou cliente do Itaú e vendo meu título público nessa transação, vamos testar execução da transferência, como também a transferência do real digital do Itaú para outro banco”, exemplificou ela.

Nesse contexto, será possível enxergar revisão de papeis e responsabilidade, ganho de eficiência e entender novos modelos de negócios, que é um dos pontos nevrálgicos que o Banco Central quer estimular. “Estamos em momento como o início da internet. Tem coisa que não temos ideia de como vai acontecer”, disse, reforçando que o Itaú está animado para participar desse momento histórico.

De fato, pontuou Jayme Chataque, head sênior de ativos digitais de Blockchain do Santander Brasil, a grande expectativa hoje em torno do Real Digital é sujar a mão de graxa: sair da teoria e ir para a prática. “No Santander, temos o privilégio de alavancar iniciativas de ativos digitais, coordenadas por uma célula em Madri, que trabalha em parceria com o centro de excelência de blockchain e estamos ansiosos para trazer o conhecimento para o mercado brasileiro. Está na hora de testar em ambiente real no Brasil.”

Para Leandro Vilain, partner da prática de Finance Service da Oliver Wyman Brasil, consultoria de estratégia, a tecnologia do Real Digital já se mostrou viável e o Brasil se apresenta agora novamente na vanguarda de tecnologias em todo o mundo para o setor financeiro. “Agora, é sentar e avaliar como serão os casos de uso na ponta. Nesse contexto, a tokenização é importante”, reforçou, acrescentando que agora é necessário priorizar e atuar de forma cirúrgica, consolidar o que funcionar e passar para as fases seguintes.

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

18 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

22 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

24 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

2 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago