?Não construam suas próprias nuvens?, diz presidente da Oracle

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9:00 am - 18 de março de 2014

Pairava um sentimento de expectativa no ar que soprava da baía de São Francisco (EUA). Certa euforia se escondia entre os tons de vermelho da publicidade que dominava a região central da cidade da Califórnia. Contagiava, em especial, as pessoas que transitavam com crachás pendurados no pescoço onde era possível ler ?Oracle Open World 2013?.

Muitos desses aguardavam o discurso de Larry  Ellison. O CEO da fabricante falaria para milhares de clientes, parceiros e funcionários da companhia na abertura do evento, programada para o final da tarde daquele domingo (23/09). Contudo, a agenda do encontro começava bem antes das formalidades oficiais.

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Ao longo da tarde, uma série de atividades reuniu participantes do Open World nas imediações do centro de conferência Moscone. Havia uma sequência de apresentações programada. Em uma delas, focada nos canais comerciais da fabricante, e aberta à imprensa, foi possível ouvir o recado do presidente da companhia que dá título a esta notícia.

De fato, a transcrição mais precisa aos leitores e honesta àqueles que se interessaram e chegaram a esse ponto do texto (e desconsiderando muitas regras do jornalismo, como a que diz para darmos a notícia já no primeiro parágrafo das reportagens) seria: ?A única coisa que não quero que os parceiros façam é construir e operar suas próprias nuvens?, disse Mark Hurd.

A postura do presidente da Oracle foi a de defender a necessidade da companhia em possuir um ecossistema capaz de gerar negócio nas mais variadas vertentes de negócio onde atua (que não são poucas) e encorajar os aliados a revenderem as soluções em cloud da companhia. ?Vamos apoiar aqueles que suportarem nossa nuvem?, adicionou.

Cloud computing figura como uma questão relevante na empresa e os parceiros são fundamentais no movimento  de levar essa oferta ao mercado. Atualmente, dos cerca de 25 mil canais que compõem a base da fabricante, aproximadamente 200 possuem especialização para venda de tecnologia em nuvem.

Segurando um copo de café na mão, Hurd desceu do palco para responder a perguntas da plateia, que tinha à disposição dois microfones posicionados nos corredores da sala. ?Somos muito amigáveis com parceiros. Precisamos da ajuda dos canais. Queremos estar em mais negócios. Queremos mais aliados que nos ajudem com penetração de mercado?, comentou, em resposta a um questionamento vindo do público.

Sobre o desempenho da companhia, o executivo disse: ?Temos investido e crescido onde outros ficaram estacionados?. Ele citou os investimentos que a companhia tem feito ao redor do mundo, mencionando recursos aplicados na América Latina (especialmente Brasil e México) e em algumas regiões da Europa e Ásia.

O presidente da Oracle destacou, ainda, o fato de existirem 9 bilhões de dispositivos plugados na internet atualmente, o que influencia a explosão de dados que vivemos atualmente. ?Isso crescerá dez vezes? 20 vezes? Não importa, ficará cada vez maior?. O cenário traz consigo a necessidade latente de muitas empresas em lidarem com seus legados de aplicação, segundo o executivo, construídos há 17 anos. ?Traduzindo, atualização e nova geração são oportunidades que estão aí.?

Pelas contas de Hurd, alguns clientes veem sua massa de dados crescer entre 30 a 40% ao ano. Em alguns bancos norte-americanos, isso chega a cem petabytes. ?Um ultrapassa a marca de 300 petabytes. O que acontece se essa instituição vir seus dados crescerem 40%? Vamos ser conservadores e imaginar que cresça cem petabytes, a 7 mil dólares por terabyte, chegamos a um valor de 700 milhões de dólares em armazenamento. Não vamos fazer isso, mas buscar sim resolver esse problema provendo mais eficiência?, ponderou.

Banco de dados in-memory

Uma fila gigantesca começou a se formar por volta das 16h ? cerca de 20h, segundo horário de Brasília ? para assistir ao discurso de Larry Ellison, que começaria em uma hora. As portas da sala principal do Oracle Open World 2013 se abriram poucos minutos antes da sessão começar. Quando o CEO subiu ao palco, rapidamente começou disparar os anúncios.

O primeiro e mais importante é uma opção de banco de dados suportado por tecnologia in-memory capaz de rodar requerimentos cem vezes mais rápido do que ferramentas anteriores. De acordo com o executivo, trata-se de uma solução capaz de prover processamento em tempo real que garante resultados instantâneos à medida que consegue usufruir o melhor dos recursos de mapeamento por linha ou por coluna das estruturas de armazenamento transacionais ou analíticos.

O anúncio traz a reboque uma série de tecnologias complementares. Já que anunciou um banco de dados in-memory, por que não apresentar também uma máquina desenhada para rodar isso? Essa foi o outro lançamento da tarde: o M6-32, ?que chamamos de grande máquina de memória (big memory machine)?, comentou.

A empresa também apresentou o Oracle database, backup, logging e recovery appliance. ?Appliances de backup não são desenhados para banco de dados, o que pode gerar alguns problemas aos usuários, gerando perda de dados em alguns casos?. Há ainda a oferta da solução como um serviço na nuvem.

Todas as novidades apresentadas pelo executivo estão conectadas à visão de data center do futuro. A fabricante acredita que essas estruturas estarão repletas de máquinas especializadas capazes de oferecer um melhor desempenho por um custo mais adequado. Além disso, são sistemas mais confiáveis e fáceis de usar.

120 milhões de dólares

Para se ter ideia, o Oracle Open World foi um evento que deixou um rastro de 120 milhões de dólares na arrecadação da cidade de San Franscico em 2012. Esse ano, com um público maior, de 60 mil participantes, o barulho deve ser superior. Trata-se de um evento que movimenta a cidade. Ruas são fechadas, sinais visuais com o vermelho da Oracle se espalham pelo centro e pessoas circulam com crachás em volta do pescoço.

*O jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da Oracle.

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