Na Shell, TI lidera processo de inovação

O departamento de tecnologia da informação é sempre cobrado a apresentar soluções inovadoras, de preferência, que impactem no resultado da companhia. Tal missão, entretanto, não é fácil. É comum encontrar departamentos de TI com pouca verba para experimentos, assim como não são muitos aqueles que exercem influência no processo de inovação corporativo. Na Shell, como explica o vice-presidente executivo de TI técnica e competitiva, Arjen Dorland, esse dilema já foi superado.
Ao se apresentar na CeBIT 2013, em Hannover, para falar de soluções inteligentes, o executivo, logo no início, avisou: “A TI pode liderar a inovação e temos feito isso na Shell”. Isso não significa que exista um caixa a fundo perdido para toda e qualquer iniciativa. Mas no ramo de atuação da corporação, inovar é palavra de ordem, e os desafios são grandes.
Ser uma empresa petroleira nos dias de hoje é algo complexo, as reservas são finitas e, cada vez mais, essas companhias precisam investir em novas fontes de geração de energia para seguirem vivas e darem conta da demanda que surgirá nos próximos anos. Como mencionou Dorland, as soluções inteligentes são necessárias em todos os setores e não é diferente no de óleo e gás. O executivo apresentou dados mostrando que, até 2050, a demanda por energia dobrará, serão mais pessoas ganhando dinheiro, deixando a zona rural e seguindo rumos as grandes cidades. “Serão nove bilhões de pessoas em 2050”, projetou, chamando a necessidade para o investimento em fontes de energia renováveis e lembrando que isso passa por tecnologia. “O gás natural é uma das fontes (que pedem melhor aproveitamento), mas pede muita tecnologia para exploração e uso.”
Com 90 mil funcionários globalmente, US$ 467 bilhões em receita anual e 10 milhões de clientes no varejo diariamente, nada pode falhar na Shell – são processos logísticos, venda, controle de marca, exploração e produção de combustível, pesquisas de novas áreas, exploração de campos, entre outros. Tudo isso só é possível com o suporte da TI. “Na Shell somo cada vez mais uma empresa de TI. A TI é um habilitador crítico do negócio. Temos mudado também a forma como trabalhamos, focando a TI como habilitadora da inovação dentro da companhia”, explicou.
Toda a tecnologia que eles desenvolvem – afora as velhas conhecidas para os processos corporativos tradicionais – é aplicada na exploração de novos campos e possibilidade, na aquisição de dados, em projetos de construção de fábricas e instalações diversas, no sistema produtivo, na manufatura dos derivados e, sobretudo, na ponta, que é o varejo. “Usamos muitas soluções inteligentes, especialmente, na busca por recursos, com computação de alto desempenho, muitos gráficos para análise, e pela quantidade de informações, precisamos de soluções de Big Data.”
Modelação com tecnologia 4 e 5D já estão em estudo e a mobilidade aplicada enquanto conceito serve de lição para diversas corporações. Os trabalhadores de campo, por exemplo, são mais que móveis. Como explicou Dorland, eles estão munidos de diversas ferramentas como câmeras no chapéu, PDAs, tablets, rádios, medidores de temperatura, entre outros, mas de forma que tudo está integrado, ou seja, as informações geradas pelos aparatos são realmente aproveitadas e correlacionadas.
Para dar conta de tudo isso e realmente atrair o que há de mais avançado no mundo para dentro da empresa, Dorland conta que há algum tempo a companhia aderiu a um esquema de coinovação que passa por um forte trabalho com universidades e com grandes nomes da indústria de TI, especialmente do Vale do Silício. Cisco, IBM, HP e Microsoft são nomes que integram a lista de parceiros do executivo. Além disso, ele estimula a colaboração por meio da Sirius Online, uma rede que conecta funcionários, grupos diversos e provedores de software e serviços, tudo em prol da busca da melhor tecnologia e experiência.
“Inovar é sempre um desafio, mas criamos uma forma construtiva de fazer isso, as emoresas com as quais nos relacionamos investem muito em inovacao. Precisamos trabalhar juntos, unir forcas dos times para atender a todos os desafios”, ensinou. “A abordagem é a realização da inovação passando por TI. No fundo, somos uma empresa de TI, é uma questão de competitividade. Mas, para ser mais rápido, precisamos unir esforcos, por isso, fomos à academia e aos parceiros.”
*O jornalista viajou a Hannover a convite da Softex
