Mudança de privacidade do Google provoca revolta

O Google afirmou que mudará sua política de privacidade e termos de serviço para refletir o fato de que agora combina dados de vários serviços em um único perfil do usuário.
Em um post publicado na terça-feira (24/01), a diretora de privacidade para produtos e engenharia da companhia, Alma Whitten, anunciou a mudança, caracterizada como uma forma de o Google oferecer uma melhor experiência de usuário.
“Nossa nova política de privacidade deixa claro que se você está inscrito, podemos combinar informações fornecidas de um serviço para o outro. Resumindo: trataremos o usuário como único em todos os produtos, o que significa uma experiência mais intuitiva”, explicou Whitten.
Ao conectar dados de vários serviços, a gigante de buscas pode, por exemplo, habilitar o Google Offers com base em onde você usa seu telefone Android ou apresentar anúncios com influência de informações nas entradas do Google Calendar.
Como consequência da unificação de dados dos usuários, o Google não precisa mais de várias políticas de privacidade para diferentes produtos. Agora, ele possui apenas um produto – você – então só precisa de um documento de termos de serviço e política de privacidade para explicar como usa seus dados para melhorar os serviços e lhe fornecer anúncios.
Para o usuário do Google, fingir que leu apenas dois contratos vai ser bem melhor do que fingir que leu dúzias.
Os críticos foram rápidos em questionar a decisão da empresa. O senador Richard Blumenthal disse em uma post em seu blog que está preocupado com a ausência de um opção de saída do mecanismo.
David Jacobs, da proteção de consumidor do Electronic Privacy Information Center (EPIC), reconheceu os benefícios da simplificação e consolidação, mas disse que as mudanças diminuem o controle do usuário sobre o uso de suas informações.
“Antes era possível escolher qual informação era compartilhada em cada serviço. Agora isso mudou”.
Jacobs informou que a inclusão de dados do smartphone Android é a mudança mais significativa em termos de expectativa do usuário.
O analista de segurança Matt Blaze, anunciou sua interpretação sobre a mudança por meio do Twitter: “ ‘Be Evil’ is a simplified and easier to understand version of ‘Don’t be Evil.’” (‘Seja diabólico’ é uma versão mais simplista e de fácil entendimento do ‘Não seja diabólico’ – em alusão à extensão do Google Chrome ‘Don’t be Evil’)
Mas a mensagem ouvida por centenas de milhões de pessoas que participam voluntariamente nas redes sociais livres e valem-se de ferramentas gratuitas de comunicação e serviços online é “Pago por seus dados”.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Thaís Sabatini
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