Mobilidade e cloud computing guiam os próximos passos da Corel

A canadense Corel vê o futuro da companhia literalmente nas mãos dos usuários. De forma simplista, a fabricante planeja os próximos lançamentos voltados para o mercado de mobilidade e cloud computing.
A linha de pensamento pode ser considerada tardia, mas para Pedro Fontes, country manager da Corel no Brasil, será uma caminhada ?sem passos falsos?, uma vez que a companhia conseguiu expertise e tempo suficientes para iniciar a criação de ?soluções completas?. ?Já estamos renovando nosso portfólio para firmar passos nesta nova frente?, afirmou o executivo.
A renovação citada pelo country manager é o CorelDraw X6, a 16ª versão do software que tornou a empresa conhecida mundialmente. ?Passamos por mais de dez versões beta do X6 e posso afirmar que chegamos a um ponto que nos possibilita o próximo passo das nossas ferramentas no geral?, comenta Fontes. Segundo o executivo, a nova versão está mais leve, rápida e ?integradora?, contando com mais de 70 filtros de importação e exportação de arquivos em diversos formatos.
Mantendo o passo da conversa, Fontes afirma que o futuro dos produtos do Corel está em plataformas como o Windows 8, Android e iOS, e que a integração PC, tablet e smartphone significa a evolução da empresa. ?A disponibilidade através da nuvem e a acessibilidade da mobilidade são os itens do nosso futuro próximo?, contou o country manager. ?O cliente irá adquirir o software e poderá utilizá-lo em diferentes devices. Olhamos para o mercado de mobilidade de forma ambiciosa.?
E essa ambição abraça, também, a oferta de SaaS. ?Não só pretendemos oferecer o padrão do mercado, como lançar soluções únicas baseadas em nossas ferramentas de conteúdo e relacionamento com o cliente. O modelo de comercialização seria por hora, dia, semana, mês ou ano de uso, dando flexibilidade para utilizar as soluções da melhor forma possível?, explicou o executivo.
Negócios
A operação brasileira da Corel obteve 90% de êxito nos objetivos traçados para o ano de 2011 e para quem criou o estereótipo de que os produtos da companhia giram apenas em torno dos segmentos de comunicação, Fontes afirma que apenas 1% dos negócios da empresa estão atrelados a ?agências de publicidade, marketing e comunicação?.
De acordo com o country manager, o cliente da Corel hoje é muito diversificado. ?O usuário está em busca de resultados profissionais, que acompanhem a criatividade, atenda à demanda de comunicação visual, do banner ao Facebook, Twitter, e é um cliente que quer ter a capacidade de fazer por si mesmo, como usuário ou corporação?, explicou. ?Falamos de agências de comunicação à Petrobras; das pequenas às grandes empresas?.
Para o canal, tudo isso significa oportunidade aos olhos do executivo, uma vez que 90% dos negócios no Brasil são feitos através de revendas, e Fontes afirma que hoje conta com parceiros ?extremamente confiáveis e experientes? que trabalham há bastante tempo com a fabricante e estão expandindo a própria presença nacional. ?A bola do País continua sendo o Sul e Sudeste, mas já vemos forte o movimento do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Essas regiões vêm crescendo no nosso negócio; um movimento inevitável, pois a infraestrutura está chegando a essas regiões?, comentou Fontes.
Aliás, o portfólio da Corel foi recentemente ampliado com a aquisição das tecnologias complementares de vídeo, foto, áudio e gravação de disco da Roxio.
Em janeiro, quando foi anunciada a negociação, a Corel disse que iria aproveitar sua infraestrutura mundial de canal de vendas para ampliar consideravelmente a distribuição de produtos da empresa. Além disso, ela pretende aproveitar as oportunidades da combinação dos pontos fortes dos canais de vendas e do varejo, bem como da relação com os OEMs e das grandes bases de clientes das duas empresas. ?Devemos assumir todo o portfólio em maio?, contou Fontes.
No ano passado a companhia experimentou um novo approach com o canal, em iniciativa chamada Corel Club, que visou alavancar as vendas do CorelCAD, a aposta da fabricante para o segmento de desenho gráfico, e Fontes afirma que obteve resultados ?satisfatórios?, mas que o projeto precisa passar por uma repaginação.
Os distribuidores da Corel no Brasil, que suportam os quase 1,250 mil canais são Officer, Ingram Micro e Alcateia. Vale lembrar que Flavio Tedesco voltou a ser gerente de canais da fabricante, substituindo Renato Fonseca.
Varejo
Se 90% dos negócios são via canais, e a Corel não vende diretamente, os outros 10% são representados pelo setor varejista.
A linha de produtos de Digital Image, do qual o carro chefe é o Video Studio, é vendida no varejo por 199 reais, e Fontes espera reforçar os negócios nesta área, pois enxerga uma ?grande carência? nas prateleiras das lojas. ?Com a forte demanda causada pelo consumo da classe C, que passa a adquirir suas câmeras digitais, notebooks e computadores, disponibilizar uma solução de vídeo diferenciada é um grande atrativo?, explicou.
Fontes conta que a companhia está trazendo produtos mais acessíveis para varejos de médio e pequeno porte. ?O varejo exige uma dinâmica diferente do canal, pois temos que pensar nas condições de venda, exposição do produto, criação de campanhas diferenciadas com acompanhamento direto do usuário. Estamos providenciando inovações nesta áreas?, contou o country manager, sem especificar que tipos de produtos poderão chegar às prateleiras.
