Mobilidade como outsourcing: aplicativos devem ser bons, bonitos e funcionais

(Esta é a segunda parte de um especial com três reportagens sobre Mobilidade. O conteúdo foi obtido no IT Mídia Debate realizado em fevereiro e publicado na edição de março da revista CRN Brasil)
Um tema que permaneceu ativo durante boa parte do debate é a qualidade dos aplicativos criados para esse novo ambiente. ?Agradecemos a Steve Jobs pela graça alcançada?, brincou Furtado, da That One, que trabalha com a criação de aplicativos com foco em produtividade no ponto de venda. ?Temos uma série de apps que antes dos devices simplesmente não existiam ? e só passaram a existir graças ao advento da mobilidade?, pontuou.
Da plateia, Ricardo Tiroli, responsável por produtos da CGI no Brasil, fez uma pergunta que remetia à necessidade de os aplicativos móveis serem produzidos para funcionar, também, em formato offline. Afinal, se mobilidade é a chave, é preciso ter em mente que não haverá Wi-Fi em alguns locais onde funcionários de campo trabalharem, e que a conexão 3G não pode ser a única alternativa, pois também está sujeita a indisponibilidade, lentidão no caso de apps parrudos ou até mesmo falta de alcance em zonas mais remotas. E isso não é exclusividade brasileira: a pesquisa da Comptia mostra que a principal preocupação dos executivos norte-americanos envolvendo mobilidade gira em torno da indisponibilidade de sinal de internet, com 48% das respostas.
?Este é um dos grandes desafios que temos hoje. Se for possível, ofereça cobertura Wi-Fi. Se não for, é preciso ter habilidade de trabalhar no modo offline?, ponderou Furtado. Para Díaz, da BinarioMobile, ?um dos erros mais comuns no desenvolvimento de apps móveis é fazer um paralelo com o mundo desktop. Esta é a receita para falhar?. O especialista comentou que, por mais que o ambiente seja amparado com redes sem fio, a intermitência na transmissão das ondas pode gerar desconexões rápidas, mas que causariam graves problemas com a perda de informações inseridas nos apps. ?E não estou falando de Brasil. Há questões de qualidade de rede em qualquer lugar, seja na Finlândia, na Suécia…?, contextualizou. Mas fez um alerta: a questão não envolve somente conectividade. ?A experiência do usuário é outra: a tela é menor, não comporta uma planilha de Excel, por exemplo. A interface do usuário, a conectividade, a quantidade de bateria, tudo isso tem ser considerado em um ambiente totalmente novo. Não é desktop?, firmou.
?Todo esse projeto acaba caindo na área de TI. E mesmo que haja um problema com conexão, a reclamação não vai ser de que a operadora caiu, mas de que o sistema está fora do ar?, exemplificou Boemeke, da MDM.
Inegavelmente, criar aplicativos está na moda, mas o que dita o sucesso não é somente a popularidade em downloads gratuitos, mas o que realmente pode gerar caixa para a empresa. Fazendo um paralelo com a explosão da bolha das pontocom nos anos 2000 ? quando muitas empresas de internet com ótimas promessas e parco resultados quebraram ? Díaz, da BinarioMobile (que, inclusive, viu sua empresa pontocom ser vitimizada na época por ele exemplificada), fez um alerta: ?o killer do app é o dinheiro. É como ganhar dinheiro com a tecnologia?.
Condução do debate: Patrícia Joaquim
Saiba mais:
Galeria de Imagens: IT Mídia Debate: mobilidade como conceito
PARTE 1 – Mobilidade como outsourcing: qual o modelo de negócio mais adequado?
PARTE 3 – Mobilidade como outsourcing: o gap entre o canal e o fornecedor
