Microsoft, Salesforce, IBM, Cisco, Intel. Grandes de TI se rendem à internet das coisas

A IBM já bate na tecla há bastante tempo. A Cisco incorporou de maneira intensa o conceito em seu discurso há dois anos. Novos nomes se juntam a essa lista. Inegável: aos poucos, os grandes fabricantes de TI se rendem, preparam ofertas e alinham estratégias ao contexto de um mundo de dispositivos ultra conectados.
Exemplo? A Microsoft anunciou em um evento para desenvolvedores essa semana que lançará uma versão do Windows direcionada para aplicações focadas em internet das coisas (IoT) a custo zero. A fabricante trabalha no conceito há alguns meses. No ano passado, revelou sua estratégia de cidades inteligentes, que alinha-se, de certa forma a tal estratégia.
Outra companhia que segue nessa direção é a Salesforce.com ? embora seu CEO, Marc Benioff, prefira o termo ?internet dos clientes? ao invés de ?internet das coisas?. A provedora de ferramentas de CRM em nuvem preparou uma estrutura por indústrias para endereçar soluções dentro do conceito.
Pelo menos três tendências do Gartner para 2014 fazem relação direta ou indireta ao conceito: Smart Machines (viveremos o nascimento das máquinas inteligentes); Software-Defined Anything (à medida que uma ?coisa? é conectada, precisa receber a camada de aplicação); e o propriamente dito Internet of Everything (produtos conectados e serviços irão gerar uma receita incremental da ordem de US$ 300 bilhões, resultando em US$ 1,9 trilhão em valor adicionado à economia global).
O mercado de IoT é, praticamente, um campo aberto para a indústria. Estima-se que, atualmente, apenas 1% das ?coisas? do mundo tenham algum tipo de inteligência e conectividade. À medida que esses aparelhos recebem sensores e chips, crescem as oportunidades para agregar aplicações.
Internet das coisas não é um conceito totalmente novo. Contudo, a evolução das tecnologias parece, agora, criar um ambiente favorável para que comece a se tornar algo presente no quotidiano das pessoas.
No início da semana, IBM, Cisco, Intel, AT&T e GE anunciaram a criação de um consórcio, que nasceu com o objetivo de derrubar barreiras e melhorar o acesso a dados originários de dispositivos (cada vez mais conectados e inteligentes).
A ideia é facilitar organizações nos processos de conectar e otimizar seus ativos, operações e dados para ?impulsionar agilidade e destravar o valor de negócio entre todos os setores da indústria?, diz o documento que formaliza a parceria.
Interessante notarmos que medida em que a indústria se apropria do conceito puxa para suas estratégias iniciativas nessa frente, as chances de que projetos comecem a surgir nas mais variadas áreas. E, certamente, pedirá atenção dos canais que trabalham com tecnologia para captarem negócios.
Floresta conectada
Os projetos envolvendo elementos de IoT se apresentam nas mais variadas indústrias. Os fabricantes de TI enxergam com otimismo a possibilidade de aplicação do conceito em verticais como saúde, governo, manufatura, utilities, logística e telecom. Contudo, há casos surgindo em setores ?mais inusitados?, por assim dizer.
Recentemente, a InfraTI, revenda gaúcha que trabalha com soluções da Cisco em seu portfólio, tocou um projeto que pode ser classificado como internet das coisas em agronegócio. Mais especificamente com a utilização tecnologia para recuperação ambiental realizada na instituição catarinense Curupira.
A iniciativa consistiu, basicamente, na instalação de chips de radiofrequência em árvores, espalhadas por 200 hectares de uma fazenda no Mato Grosso. Com a solução, é possível acompanhar o desenvolvimento da plantação via web. A ferramenta, ainda, possibilita monitorar via satélite a neutralização de CO2, interações ambientais, além de permitir coletar outros dados.
