Reciclagem de lixo eletrônico: diferenças de tecnologia deixam processo mais caro

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6:56 pm - 03 de agosto de 2012

A diferença de tecnologia utilizada na produção de computadores há 15 anos, em relação com o mercado atual, deixa o processo de reciclagem de lixo eletrônico mais caro. A afirmação foi feita por João Carlos Redondo, responsável pela área de sustentabilidade da Itautec, em entrevista ao IT Web.

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O custo médio para reciclagem de produtos eletrônicos é de R$ 250 por tonelada. O item mais caro é o cinescópio, tubo destinado à reprodução de televisores antigos; dependendo do monitor, o preço varia de R$ 300 a R$ 500. O mais barato é o monitor tradicional CRT, com 14 e 15 polegadas, que fica em R$ 250.

Desta forma, a evolução do processo produtivo não somente barateia o eletrônico, mas também o reuso ou reciclagem do material. “O desafio da tecnologia é esse, usar o menor número de materiais e conseguir ter um desempenho tão bom quanto”, afirmou.

Dados da Global Intelligence Alliance citados por Redondo indicam que cerca de 35% dos consumidores não descartam seus aparelhos antigos – por conta do alto valor pago na compra, eles preferem não se desfazer do material. Outros 30% doam para instituições de caridade, que acabam por utilizar os dispositivos, retardando o fim de sua vida útil e praticamente inevitável descarte no lixo comum. Cerca de 19% vendem material e 7% jogam no lixo.

Esse reuso do material, e por que não o valor do item, que impede uma compra mais acelerada por parte da população, faz com que os produtos que chegam às mãos da fabricante nacional, por exemplo, tenham em torno de 15 anos de uso, no caso daqueles vindos de pessoas físicas, e cinco anos de aproveitamento, para aqueles oriundos de empresas. “Apesar de ouvirmos que esse tipo de material fica obsoleto em dois, três anos, vemos uma situação muito diferente”, disse.

Equipamentos antigos têm tecnologias antigas, e muitas vezes nocivas, o que dificulta o processamento do material. “A tecnologia é incompatível, não é possível reaproveitar nada na produção. Por outro lado, é possível desmontar, segregar e destinar para outros setores.  Existem empresas que evoluíram muito nos últimos três anos e se especializaram em cada tipo de material. Antes, havia oito tipos de plástico para notebook. Hoje são três”, contou. Além disso, a matéria-prima mudou drasticamente, em especial para atender preceitos de saúde. Um componente não mais utilizado, por exemplo, é o chumbo, metal pesado bioacumulativo que causa câncer. “A Itautec investiu R$ 300 milhões em 2007 para mudar a tecnologia, substituindo por estanho, cobre e prata. Antes era 60% chumbo e  40% estanho. Hoje é produtos da Itautec são 98% estanho, 3% prata e meio por cento de cobre.”

Entre 2010 e 2025, a reciclagem mundial de produtos eletrônicos subirá da proporção de 18% do total de lixo produto para 54%. A perspectiva foi divulgada recentemente pela empresa de pesquisas internacional Pike Research, que, em volume, indica a elevação de 1,1 milhão de tonelada por ano para 7,9 milhões de toneladas anuais.

No Brasil, a Lei Federal 12305, chamada de Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010, institui a logística reversa, que tem como objetivo levar ao fabricante a responsabilidade de coletar materiais utilizados na produção de equipamentos, com o intuito de reciclá-los. E esse movimento abrange também o material eletrônico, tido como lixo, mas que tem muito a agregar quando devolvido para a indústria.

“A publicação dessa norma acabou acelerando a iniciativa de alguns empresários do setor de reciclagem a investir em tecnologia para processar esse tipo de resíduo”, ponderou.

O especialista explica que, avaliando um desktop, por exemplo, 64% de sua composição é ferro, com 12% sendo formado por placas eletrônicas. “Também encontramos outros materiais, como alumínio, plástico e cabos elétricos. É um material nobre e o último lugar que deveria estar é no lixo. Cem por cento é reciclável”, contou, comentando que, no Brasil, não existe uma estatística oficial sobre quanto do material é reciclado hoje.  A Itautec recicla, atualmente, 4,1 mil toneladas anuais de lixo eletrônico, o que representa 12% do volume  que ela devolve, no mesmo período, ao ambiente em formato de novos produtos. “Se olharmos para nossa produção é pouco, mas esse número já foi menor. É uma evolução constante”, salientou.

Essas diferenças trazem o alto custo do produto. “Quando a Política Nacional estiver regulamentada, é provável que haja uma adequação de custos”, estimou.

 

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