LGDP: aprovação tende a fomentar contratações em TI

No último dia 14 de agosto, o presidente Michel Temer sancionou a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que cria um marco legal para a privacidade e a proteção dos cidadãos brasileiros, semelhante à da União Europeia, que em maio deste ano sancionou o regulamento Geral sobre Proteção de Dados Pessoais (GDPR).

Movimento semelhante aconteceu na Europa em maio deste ano, quando entrou em vigor o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR), que tem o objetivo de proteger a privacidade das pessoas que se encontram no território da União Europeia. Pesquisa realizada pela Robert Half do Reino Unido, em agosto de 2017, apontou que 64% dos CIOs previam contratar funcionários temporários para adequarem suas empresas às regras do GDPR.

De acordo com o estudo da Robert Half, as habilidades técnicas mais demandadas na seleção de profissionais responsáveis pela adequação à GDPR foram: conhecimento de análise (44%), regulação e conformidade (39%), gerenciamento de projetos (38%), pensamento estratégico (39%), habilidades de comunicação (39%) e atenção aos detalhes (31%).

Para os especialistas da Robert Half Brasil, as habilidades buscadas pelas empresas brasileiras que necessitam se adaptar à LGDP tendem a ser as mesmas. Certamente a nova exigência movimentará o mercado de trabalho para profissionais temporários, desde analistas a nível gerencial, tanto para as posições de TI (desenvolvedores e analistas) quanto para as de Governança Corporativa e Compliance, que definem o que precisa ser feito para que a empresa se adeque à legislação.

“Como a adequação é uma ação pontual e exige rapidez e assertividade, faz mais sentido para as empresas contratarem um profissional temporário especializado do que sobrecarregar a equipe fixa ou inflar o quadro de funcionários permanentes para um projeto que tem data para início e término. Esses profissionais temporários chegam para auxiliar a equipe permanente”, explica Caio Arnaes, gerente sênior de recrutamento da Robert Half.

“Além disso, deve elevar a demanda por Gerentes de Projetos, já que a LGDP deve afetar diferentes departamentos da empresa e é importante que uma pessoa esteja à frente da implantação”, completa Arnaes.

No Brasil, as empresas têm até março de 2020 para adotar integralmente as medidas da LGDP e esclarecer de que maneira absorvem, armazenam e utilizam os dados de seus clientes. As corporações que descumprirem a lei estarão sujeitas a multas, que podem chegar até R$ 50 milhões.

Arnaes recomenda que, apesar de as empresas terem um prazo considerável para se adequarem à lei, é ideal que se inicie o quanto antes o processo de adequação para não correr o risco de serem multadas. “Não prevejo que haverá criação de uma nova área só para essa adaptação, mas sim o aproveitamento de recursos internos ou a contratação de profissionais temporários”, completa.

Executivos brasileiros e a cibersegurança

Em pesquisa realizada com mais de 700 lideranças globais, divulgada no ano passado, a Protiviti, consultoria global especializada em gestão de riscos e compliance, aponta que 41% dos executivos brasileiros estão engajados com as diretrizes de melhores práticas de cibersegurança em seus departamentos de TI. Quando se trata de gestão de vulnerabilidades dos dados, 47% dos líderes nacionais tem envolvimento médio quanto à ciência e tratamento das mesmas.

Maurício Fiss, sócio-diretor da área de segurança da informação da Protiviti, diz a tendência agora é aumentar o envolvimento dos diretores e da administração das empresas por conta da LGPD.

Segundo o executivo, a maioria das organizações precisa aprimorar o entendimento sobre seus sistemas críticos e, consequentemente, a classificação e gerenciamento de seus dados e informações.

“Um número alarmante de empresas não consegue identificar ou localizar com confiança seus ativos de informação mais valiosos. Proteger estas informações críticas, também conhecidas como “joias da coroa”, requer metodologia e ferramentas para a classificação de dados e informações apoiado por políticas efetivas e aderidas por toda a empresa. Ainda mais diante da aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados”, finaliza Fiss.

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

8 horas ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

9 horas ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

9 horas ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

9 horas ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

10 horas ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

10 horas ago