Lance o MVP o mais rápido possível

Não tenha receio de mudar de rota. Muitas vezes não é fácil aceitar que a ideia original não deu certo. Mas é preciso

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5:01 pm - 03 de setembro de 2017

No dia a dia com startups nos defrontamos com alguns
desafios que, embora aparentemente simples, tornam-se barreiras quase intransponíveis.
Uma startup, embora seja uma empresa ainda embrionária, demanda decisões
difíceis, que muitas vezes fazem a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Uma delas é dilema do MVP postergado. O MVP é o conceito de
Minimum Viable Product e tem por objetivo testar a hipótese que inicialmente
disparou a ideia da startup. Provar que ela tem a solução para um problema. Portanto,
quanto mais cedo o MVP, ou o protótipo, estiver nas mãos de quem decidirá se a
ideia é boa ou não – ou seja, os clientes -, melhor. Mais cedo você terá
feedbacks. Indiscutivelmente, o MVP não precisa ser perfeito. Postergar um MVP
burilando-o, inserindo mais uma feature aqui e outra ali, só atrasa a
validação da hipótese.

O engraçado é que essa discussão é bastante comum nas mentorias
que participo. Muitas e muitas vezes os fundadores da startup postergam o
lançamento, esperando adicionar mais uma facilidade. Querem um produto
perfeito! Mas um MVP não é um produto completo, apenas o primeiro passo da
jornada da empresa. Sempre recomendo que não atrasem o lançamento do MVP,
resistam à tentação de adicionar mais e mais features. O argumento básico que
uso é que você não sabe que features deverão ser adicionados, pois você não tem
feedback de clientes, apenas pressupostos. 

O importante é que o MVP seja lançado o mais rápido possível. Quanto mais cedo os clientes o tiverem em mãos, mais cedo você terá feedbacks. Feedbacks são importantes pois podem levar a startup a se modificar.

Certa vez, os fundadores de uma startup argumentaram que queriam usar o MVP para alcançar o
máximo de mercado potencial, para terem uma ideia melhor de qual daria a resposta mais positiva. Bom argumento, mas ele não resiste ao fato de que sem saber o que cada mercado demandaria realmente, os recursos incluídos não necessariamente satisfariam esses mercados. Por outro lado, o MVP
demoraria muito para ser lançado, ficaria obeso e de difícil depuração. Também
haveria excessiva dispersão de mercado, e as análises estatísticas seriam de
pouco valor. No fim, se convenceram que seria melhor focar um primeiro mercado
mínimo, para analisar os resultados e, a partir dessa análise, evoluir o serviço para os
demais.

Outra discussão curiosa aconteceu porque o fundador da
startup idolatrava Steve Jobs e queria usar o perfeccionismo adotado pela
Apple. Mas, falando sério, vamos esquecer a síndrome de Steve Jobs. A Apple era
perfeccionista quando já era uma empresa bilionária. O MVP do seu primeiro
produto era tosco

taurion

Vamos cair na real. Se você não tem muito dinheiro e muita
gente competente do seu lado, não seja perfeccionista como Jobs. Faça o MVP que
você puder fazer no momento. O caso do DropBox também é exemplo de como validar uma
hipótese. Vale a pena ler o texto “How
DropBox Started As A Minimal Viable Product
”. Leia também “How do they
expand their business with a MVP? – Airbnb, Twitter, and Dropbox
”. E não fique incomodado porque seu MVP é simples. É para ser assim
mesmo.

Outro fundador tinha receio de que seu MVP falhasse. Cheguei a dizer a ele que, com certeza, iria falhar! Mas, se ele não suportasse falhas, não deveria
entrar no negócio de startups de tecnologia. A ideia ou hipótese inicial nem sempre é validada, e
portanto, terá que ser modificada, às vezes drasticamente. Quando a Apple
lançou o Mac foi para concorrer com o IBM PC e não para ser “desktop publishing
computer”. O fracasso na competição com a IBM e os feedbacks dos usuários que
começaram a usar o Mac com o PageMaker para trabalhos de editoração é que
levaram a Apple a mudar seu foco. 

Já que falamos em mudança de rumo, vamos derrubar o mito que
uma startup de sucesso é aquela que parte de uma ideia genial de alguém que convence
investidores dessa genialidade e, numa trilha reta e meteórica, chega ao
sucesso. A verdade é que, muitas vezes, a jornada de uma startup é uma linha em zig
zag, com mudanças drásticas de produto e modelo de negócio. O artigo “6
Companies that Succeeded by Changing Their Business Model
mostra alguns
exemplos de empresas bem conhecidas que tiveram que mudar seus modelos de
negócio para chegarem ao sucesso, como PayPal, Google e Facebook.

startup

Não tenha receio de mudar de rota. A jornada, como os
Beatles disseram, é uma “long and winding road that leads to your door”,
tempestuosa e difícil. Seja resiliente e perseverante. É melhor mudar de rota do que desaparecer. O mercado da tecnologia é, ao mesmo tempo, uma fantástica terra
de oportunidades e um mundo cruel. Se o seu produto ou serviço não
“pega” e o dinheiro não entra, estudar as causas que levaram ao
fracasso é importante, e sugiro uma análise detalhada no Startup Graveyard. Falhar faz parte do
processo de aprendizado. Mas, antes de falhar, valide se uma mudança nos planos
originais de sua ideia não seria uma boa alternativa.

Não é fácil aceitar que a ideia original não deu
certo. Para fazer uma mudança drástica nos planos originais é necessário ter
consciência dessa necessidade. É difícil, pois você vai ter que convencer os
atuais investidores que o caminho não é mais esse que você tinha proposto.
Talvez as pessoas que estejam trabalhando na sua startup não fiquem
satisfeitas. Enfim, requer coragem e perseverança. Mas muitas vezes, dar um
passo atrás é necessário para pegar impulso e ir em frente.

 

(*) Cezar Taurion é head de Digital Transformation da Kick Ventures e autor de nove livros sobre Transformação Digital, Inovação, Open Source, Cloud Computing e Big Data

 

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