John Chambers quer transformar a Cisco na maior empresa de TI do mundo

John Chambers subiu ao palco em seu 17º Cisco Partner Summit, realizado nesta semana em Boston (Massachusetts, EUA), com um equilíbrio entre reconhecimento sobre o mau momento do mercado de TI ao redor do mundo e as oportunidades intrínsecas dos atuais clientes em potencial, que buscam resultados mais práticos e ofertas direcionadas aos fornecedores que sobreviverem ao forte cenário competitivo. Com essa dualidade nas mãos, o executivo tinha a missão de passar a meta da companhia neste momento de transformação: ser a primeira empresa de TI do mundo.
Segundo dados do Financial Times de 2012, a Cisco estava na posição de número 44 na lista de maiores empresas de TI do mundo, com valor de mercado de 113 bilhões de dólares (no ranking anterior, estava na posição de número 57). A primeira colocada é a Apple, com 559 bilhões de dólares em valor de mercado. Vale lembrar que a listagem considera empresas de todos os setores da economia.
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Na visão de Chambers, a ascensão da Cisco será possível, somente, com ajuda do canal. Para uma companhia que vê 90% de sua receita vindo de parceiros, o posicionamento é claro. “Quando cheguei à Cisco, há mais de 20 anos, mudei o sistema de vendas diretas para indiretas. Estamos distantes da perfeição, mas estamos comprometidos com vocês e sendo muito realistas em como podemos ganhar junto neste mercado que está mudando com uma velocidade que jamais vimos”, afirmou.
Alternando entre declarações dadas diretamente do palco e outras feitas enquanto caminhava entre as cadeiras dos presentes, Chambers aconselhou os canais a focarem, neste momento, em processos de negócios e adicionou que existe necessidade de priorizar as ações para que as oportunidades não embaralhem entre si. “Vamos, inequivocamente, continuar focados em parceiros. E as oportunidades virão de forma cada vez mais rápida”, ponderou.
“Apenas 24% das maiores empresas de TI do mundo de dez anos atrás existem hoje. Uma em cada dez das empresas que estão passando agora pela crise vão se recuperar. Este ponto de inflexão está acontecendo em vários pontos do nosso mercado ao mesmo tempo. E este momento é sobre líderes, que têm a capacidade de acelerar as boas oportunidades e minimizar as perdas”, contextualizou Chambers. O Mid market, segundo o executivo, é outro grande diferencial: com 25 bilhões de dólares potencial em aquisições de tecnologia e mais 30 bilhões de dólares em budget para serviços até 2016, o espaço para crescimento é imenso. “Olhando vocês nos olhos, eu digo: podemos fazer isso”, afirmou (realmente olhando nos olhos dos presentes) enquanto passeava entre a plateia durante sua apresentação.
Com crescimento atingindo números de 70% na área de data center e de 27% em mobilidade, o executivo reforçou que o posicionamento da companhia é em torno de cloud computing e o chamado Internet of Everything, ou Internet de Tudo. O mercado conhece um termo parecido: Internet das Coisas, mas a Cisco faz questão de trazer a importância de sua própria semântica ao indicar que, muito mais do que dispositivos conectados, a Internet do Tudo traz orquestração de toda a sorte de dispositivos, infraestrutura, capacidade de conexão e analytics para que o usuário não seja inundado com informações desnecessárias, mas seja atingido somente por aquelas condizentes com a necessidade de seu device e aplicação.
“Precisamos, agora, capitalizar o que fizemos. A pergunta é: como embarcamos as tecnologias tão profundamente de forma que nossos clientes não precisem diferenciar o que estão usando?”, comentou. Além disso, o mercado defendido pela Cisco tem um potencial de cair o queixo: 14,4 trilhões de dólares, especialmente levando em consideração que praticamente 99% dos dispositivos que podem fazer parte desta rede ainda não estão conectados.
Apenas abocanhando parte da Internet do Tudo, o caminho para a Cisco, em direção à liderança em TI, fica menos distante.
*A jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da Cisco
